O olhar
* Por
Clóvis Campêlo
Aquele olhar, ao mesmo
tempo, era chegada e despedida.
Talvez fosse apenas
uma velha senhora, tal qual Carolina, na janela, vendo passar o tempo que ainda
lhe restava.
Mas, nele havia um
rastro tamanho de dignidade.
Era um olhar, ao mesmo
tempo, sereno e inquisidor, indagando, sem ódio e sem medo, sobre o sentido da
vida, sobre o acaso de estarmos ali, naquele momento, descobrindo-nos
mutuamente.
Afinal, pelas ruas de
Juazeiro do Norte, em dias de Padim Ciço, são muitos os transeuntes, crentes ou
não, que por ali circulam em busca de si, da fé, dos céus.
É sempre um povo
sofrido, calejado, euclides e forte. Antes de tudo, sertanejo.
Pelas ruas de Juazeiro
do Norte, em Festa de Finados, sempre construímos um pouco mais da identidade
do nosso povo, os nordestinados.
A imagem daquela velha
mulher, na porta da casa simples de taipa, com as mãos serenamente cruzadas e
inertes, depois de uma vida de lida e trabalho para sobreviver, trouxe, para
nós, a constatação da nossa brasilidade.
Salve Juazeiro, salve
Padim Ciço, mais uma vez salve o povo brasileiro!
Recife, 2009
*
Poeta, jornalista e radialista.
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