O dobro ou nada
* Por
Assionara Souza
talvez chova, hoje mesmo,
é o vento dizendo
a cada bater de janela
é preciso erguer-se
e ir fechar todas elas
antes, minha mãe fazia isso
com um riso solto
esticava os braços
puxava a banda da janela
lá longe e gritava: Vem chuva!
- poesia, será?
e o vento também a queria
erguendo os cabelos
rodeava a nuca
abria mais o decote
subia saias - o vento
esse garoto de sempre
- já minha mãe está velha
agora, ele passa por ela
e nem um sopro leve
que a alegre.
*
Escritora potiguar que nasceu em Caicó/RN, em 1969, mas mora em Curitiba/PR. É
doutoranda em Estudos Literários pela UFPR, onde pesquisa a obra de Osman Lins.
“Cecília não é um cachimbo” (7Letras/2005) é sua obra de estreia na literatura.
Publicou, também, o livro”Amanhã. Com sorvete!”.
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