Revolução
* Por
Eduardo Oliveira Freire
Doutor, vieram homens fardados dizendo que a revolução estava
consolidada e o novo governo requisitava a minha pequena terra. Só sei, doutor,
que tive que ir embora com a minha família, senão seria preso ou morto.
Tudo foi inusitado; perder tudo e vagar na estrada. Quando encontrava
alguém, comentava-se sobre esta revolução; ninguém sabia explicar direito o que
estava acontecendo. A única razão que tínhamos é que a novo governo
desapropriou todo mundo em nome da tal revolução.
Cartazes enormes apareciam e
neles estavam escritos: “A NOVA PÁTRIA”. Doutor, pode me explicar o que é a
nova pátria? E a velha, como era? Antes disto tudo, vivíamos a nossa rotina que
chegava a ser tediosa; mas, agora, sinto falta.
Meu avô disse que a gente só
valoriza o que perde. Ele estava e está certíssimo. De manhã íamos para lida,
de noitinha ouvíamos música e jogávamos dominó. Eu gostava da minha vida
antiga.
Doutor, desculpa, mas quero que a
pátria vá para o quinto dos infernos. Eu e minha família estamos cansados de
tanto caminhar; vimos muita gente morrer por causa da exaustão, fome e sede.
Sinto-me um peixe fora d´água, doutor. Por isso, quero que me explique o porquê
de me expulsarem da minha terrinha.
* Formado em Ciências Sociais, especialização
em Jornalismo cultural e aspirante a escritor.
As mudanças, ainda que para melhor, são dolorosas e causam medo. Eu também não quero sair daqui.
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