Ferreirinha
* Por
Clóvis Campêlo
Seu nome é José
Ferreira da Silva e ele nasceu em 1935, no distrito de Oratório, em Surubim,
cidade onde também nasceram Capiba e Chacrinha.
Em 1953, o seu pai
veio morar no Recife, comprando uma mercearia no bairro da Várzea. Ferreirinha,
então com 18 anos de idade, o acompanhou, juntamente com toda a família. Na
Várzea, morou durante vinte e cinco anos.
Em 1978 mudou-se para
Boa Viagem, onde vive até hoje, abrindo, em sociedade com um irmão, a
Churrascaria Juçara, na avenida Domingos Ferreira, próximo ao Edifício
Holliday. A churrascaria fechou em 1996 e Ferreirinha tornou-se prestamista,
vendendo jóias para sobreviver. Hoje, é aposentado do INSS.
Em 1979, casou-se pela
primeira vez. Desse casamento, não teve filhos. Enviuvou. Em 1991, casou-se
novamente. Do segundo casamento tem uma filha, Karina, hoje com 14 anos, a
grande alegria da sua vida.
Figura folclórica, é
conhecido de todos no calçadão de Boa Viagem, onde há mais de 30 anos, caminha
diariamente cerca de 10 quilômetros, sempre paramentado.
Começou vestindo-se
com as cores da seleção brasileira de futebol. Durante essa época, ganhou o
apelido de Brasileirinho.
Sócio do Sport Clube
do Recife desde 1955, começou a vestir-se com as cores do rubro-negro da Ilha
do Retiro para demonstrar a sua paixão clubística. Em maio deste ano, em
comemoração aos 103 anos do clube, criou uma fantasia com as imagens de 103
leões, sendo notícia em vários jornais e televisões do Estado.
Como todo bom
pernambucano, é devoto de Nossa Senhora da Conceição. Todo ano, dia 8 de
dezembro, está no Morro da Conceição, pagando as suas promessas e reverenciando
a santa. Esse ano, pagou promessa pela eleição de Marília Arraes, neta de
Miguel Arraes de Alencar e eleita vereadora do Recife pelo Partido Socialista
Brasileiro e por quem fez campanha.
Carnavalesco convicto,
Ferreirinha todo ano pode ser encontrado no desfile do Clube dos Rapazes
Irreverentes, o CRI, em Boa Viagem, e no desfile do Galo da Madrugada. Também
brinca no Recife Antigo e, na quarta-feira de cinzas, ainda encontra energia
para acompanhar o Bacalhau do Batata, em Olinda.
A explicação para
tanta vitalidade talvez esteja no seu passado de maratonista. Participou por
diversas vezes da Corrida de São Silvestre e da Meia Maratona do Rio de
Janeiro. No seu acervo de corredor, tem 33 medalhas e onze troféus. Hoje, aos
73 anos, satisfaz-se apenas com as caminhadas diárias na orla de Boa Viagem
onde é conhecido e admirado por todos.
Esse é o perfil de
Ferreirinha, mais uma figura marcante do Recife.
Recife, 2008
* Poeta, jornalista e radialista.
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