Ensaio
* Por
Eduardo Oliveira Freire
“Talvez
as histórias que contei sejam uma única história. O anverso e reverso da mesma
moeda são, para Deus, iguais”. (Trecho do conto “História
do guerreiro e da cativa” de Jorge Luis Borges)
No começo, eu queria
escrever sobre uma jovem francesa, que era serva de um feudo, localizado na
França. Era maltratada pelo seu senhor e desejava vingança. Entrei num conflito
existencial. Por que escrever uma história passada num outro país? Sou
brasileiro! O Brasil é tão lindo e tem um povo tão bravo. Por que não
transformar a personagem da história em negra escrava? Por que não contar
história sobre as duas? Mas como? Escrevendo...
Uma era serva a outra
escrava. Apesar de viverem em lugares distantes e culturas diferentes, tinham
alguns pontos em comum: a falta de liberdade, humilhações, miséria e sentimento
de vingança.
As histórias de ambas
são as seguintes: os seus senhores destruíram suas respectivas famílias. O
senhor do feudo matou o pai da moça francesa. Enquanto o coronel do engenho
separou brutalmente a jovem escrava de sua mãe. Elas decidiram se vingar.
Aprenderam a manipular ervas venenosas e mataram os seus algozes. Ninguém soube
que foram elas, porque os venenos que prepararam não possuíam vestígios. Mas,
com o passar do tempo, descobriram que não adiantou matar os dois senhores. O
mal estava inserido nas estruturas das sociedades em que viviam. Continuaram as
injustiças, os desmandos e a impunidade. Vieram outros algozes para atormentar
suas vidas. A situação era muito mais complexa do que elas podiam imaginar.
Entretanto, havia um
momento de pausa para suas mazelas. Quando se olhavam através do espelho,
reconheciam-se e compartilhavam suas respectivas angústias. Na verdade, não
escrevo duas histórias paralelas e sim uma só...
*
Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante
a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
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