Buenos Aires querido
* Por
Alberto Cohen
Nesta noite eu iria,
se estivesses comigo, a uma casa de tango em Buenos Aires.
Envolvidos no bailado
teatral, serias minha prostituta e eu teu rufião, a representarmos as negaças e
subentendidos do ritmo nascido nos cabarés e lupanares argentinos.
À minha presumida
violência de cáften, responderias com a ousadia desafiadora de rainha do
bas-fonds e colarias teu esbelto corpo ao meu corpo vestido de cigano ou de
toureiro.
E assim, pela noite
afora, seríamos entrega e posse até que as primeiras luzes da manhã trouxessem
o real, escorraçando o sonho para o lugar nenhum de onde o tiramos.
*
Poeta e cronista paraense
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