O homem Volkswagen
* Por
Gustavo do Carmo
O Homem Volkswagen -
50 Anos de Brasil foi a terceira biografia de personalidade da indústria
automobilística que eu já li. As outras duas foram a de Lee Iacocca, famoso
ex-presidente da Ford e da Chrysler nos Estados Unidos, e a do herdeiro do
império Fiat, Gianni Agnelli.
O alemão Wolfgang
Franz Josef Sauer nasceu em Stuttgart há 85 anos. Vivia com os pais e duas
irmãs uma vida de classe média, pois seu pai era diretor de uma empresa de
carvão. Mas quando ele morreu, Wolfgang, aos quatro anos, e sua família
entraram na pobreza. Aos nove anos, a Segunda Guerra Mundial começou e a
família Sauer precisou se esconder em abrigos antiaéreos. Aos 14 começou a
trabalhar, justamente numa mina de carvão. Na escola, foi um aluno medíocre, a
ponto de um diretor dizer para a sua mãe que ele não teria um bom futuro. Aos
16 anos, deixou a mãe e as irmãs para trabalhar em uma distribuidora de peças
em Portugal. Se saiu tão bem no serviço que recebeu uma proposta da alemã Bosch
para ir trabalhar na Venezuela, onde fez a empresa crescer.
Em 1961 chegou ao
Brasil para ocupar um cargo de diretoria na Bosch, em Campinas. Sauer também
cresceu a filial brasileira. Com ideias ousadas e uma grande visão de futuro
chegou à presidência não só das operações locais como também da divisão da
América Latina da maior indústria de autopeças do mundo. Construiu a nova
fábrica da empresa alemã.
Em 1973 levou o seu
talento para a Volkswagen, onde ficou na presidência até 1993. Ajudou a
desenvolver o Gol, conseguiu interromper a greve liderada pelo então
sindicalista Luís Inácio Lula da Silva após difícil negociação, teve a ideia de
exportar o Passat para o Iraque - na famosa triangulação entre Volkswagen,
Petrobras e o governo de Saddan Hussein - e também foi o responsável por exportar
o Voyage para os Estados Unidos com nome de Fox, e o Santana para a China. Ah!
E também articulou a criação da malfadada parceria com a Ford na Autolatina.
Depois que largou o grupo Volkswagen se dedicou à sua empresa de consultoria e
a construir uma fábrica de semicondutores. Se apaixonou tanto pelo Brasil que
se naturalizou brasileiro.
Em linguagem clara,
bem organizado e narrado em primeira pessoa, misturado com depoimentos de
vários amigos (sinalizados pelas aspas), o livro é bom de ler e fácil de
assimilar as histórias. Mas os diálogos que aparecem confundem um pouco. Também
notei alguns momentos de autopromoção exagerada. Mas confesso que me emocionei
com ele quando soube da morte de sua mãe. Com exceção da sua infância e
pré-adolescência, foca mais na sua vida profissional e empresarial do que na
vida pessoal, detalhando os bastidores dos seus grandes projetos e grandes
negociações. Alguns não deram certo, como o Projeto Pará, uma fazenda no meio
da Amazônia.
Publicado pela Geração
Editorial, em 2012, o livro tem prefácio do ex-ministro da Fazenda Antônio
Delfim Netto, do designer da Rede Globo Hans Donner - cujo país de nascença, a
Áustria, tem grande identidade com a sua Alemanha - e do jornalista Salomão
Schvartzman. Pena que Sauer não poderá mais atualizar a sua biografia. Ele
morreu em 2013.
O Homem Volkswagen foi
o último livro digital que eu comprei na livraria Gato Sabido, que encerrou as
suas atividades no ano passado. A empresa já devia estar em dificuldades quando
demorei para conseguir baixá-lo. Recorri a vários sites de defesa do consumidor.
Avaliação
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O homem Volkswagen –
50 anos de Brasil
Autor: Wolfgang Sauer
Gênero: Biografia
Formato: 15,5 x 23 cm
Págs: 528 + caderno de
fotos
Peso: 0,658kg
ISBN:9788581300962
Preço: R$ 58,00 (R$
26,91 em e-book no Google Play)
*
Jornalista e publicitário de formação e escritor de coração. Publicou o romance
“Notícias que Marcam” pela Giz Editorial (de São Paulo-SP) e a coletânea
“Indecisos - Entre outros contos”.
Bookess -
http://www.bookess.com/read/4103-indecisos-entre-outros-contos/ e
PerSe
-http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/WF2_BookDetails.aspx?filesFolder=N1383616386310
Seu blog, “Tudo cultural” -
www.tudocultural.blogspot.com é bastante freqüentado por leitores
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