Tempo
* Por
Gustavo do Carmo
Parado
Ficou parado no tempo,
que não parou para esperá-lo. Seguiu seu caminho e o deixou para trás.
Blefe
Estava sendo muito
pressionado pelo pai a trabalhar no bazar da família. Anunciou que um conto que
escreveu seria filmado por um cineasta francês. Era um blefe para ganhar tempo.
O Tempo não para
— O tempo não para,
dizia o poeta. Mas o meu parou. O relógio enguiçou mais uma vez.
Relógio
Seu tempo parou.
Acabara de perder o relógio de 500 mil dólares do patrão.
Discurso
Deu o que falar. Quase
não terminou o discurso a tempo de entregar para o marido deputado.
À frente
Era um homem à frente
do seu tempo. Era sempre o primeiro a chegar no trabalho. Mesmo assim, ficava
sempre pra trás.
***
Assassino
Matou o tempo. Agora
ficou sem nada pra fazer.
Atropelado
Corria contra o tempo.
Até que foi atropelado por ele.
Senhor
Era um senhor tão
bonito. Mas era surdo. Tinha que chamar várias vezes para ele responder: TEMPO,
TEMPO, TEMPO, TEMPO.
Teste
Foi do céu ao inferno
em 3,7 segundos. Tempo que levou para acelerar o superesportivo, perder o
controle, se espatifar no muro e explodir.
***
*
Jornalista e publicitário de formação e escritor de coração. Publicou o romance
“Notícias que Marcam” pela Giz Editorial (de São Paulo-SP) e a coletânea
“Indecisos - Entre outros contos”.
Bookess -
http://www.bookess.com/read/4103-indecisos-entre-outros-contos/ e
PerSe
-http://www.perse.com.br/novoprojetoperse/WF2_BookDetails.aspx?filesFolder=N1383616386310
Seu blog, “Tudo cultural” -
www.tudocultural.blogspot.com é bastante freqüentado por leitores
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