A prova de amor
* Por
Rodrigo Ramazzini
- Desculpa, amor! Por
favor?
- Não.
- Por favor: aceita
essas rosas pelos menos. Elas são o símbolo do meu amor...
- Sei.
- Estou arrependido pelo que fiz...
- Que não tivesse
feito, então.
- Aceita, por favor?
- Tentando me comprar,
Luiz Henrique?
- Não! Pô... Tu também
complicas quando quer complicar... O que fiz nem foi tão grave assim...
- Nãããããoo! Tu não
achas grave, Luiz Henrique? Eu fico imaginando: se tu olhaste para aquela
vagabunda estando comigo... O que não fazes quando estás sozinho, hein?
- Ai ai ai, Vitória!
Eu te disse: eu só olhei porque me chamou atenção uma mulher estar de mini-saia
em um dia friozinho...
- Tu achas que sou eu
boba? Então, foi o friozinho e depois as coxinhas dela, a bunda... Faça-me o
favor!
- Meu Deus! O que eu posso fazer para provar o
meu amor? Que gosto realmente de ti? Para ser perdoado?
- Não sei. Não sei se
tem perdão...
- Mulher quando quer
complicar, vou te contar uma coisa...
- O que disseste?
- Nada não... Me diz:
o que tenho que fazer para provar que é de ti que eu gosto?
- E será que gostas
mesmo? Será que existe amor da tua parte?
- Já sei! Uma
serenata! Eu canto pra ti:
Às vezes, no
silêncio da noite
Eu fico
imaginando nós dois
Eu fico ali
sonhando acordado, juntando
O antes, o
agora e o depois
Por que você
me deixa tão solto?
Por que você
não cola em mim?
Tô me
sentindo muito sozinho!
- Chega Luiz Henrique! Quantas vezes vou precisar dizer que essa música me
deprime?
- Ai ai ai, Vitória! Um poema, então? O Amor, do Fernando Pessoa. Lindo!
Começa assim:
O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar pra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer...
- Luiz Henrique, chega! A tua memória é fraca mesmo, hein? Ou tu não
prestas atenção nas coisas que digo. Semana passada mesmo eu te falei que não
gosto de poesia...
- Pô Vitória! Que droga mesmo! Nada serve. Não sei mais o que fazer para
demonstrar que EU TE AMO!
- Sigh! ai-ai!
- O que foi? Por que esse suspiro?
- Repete, por favor?
- Repete o quê?
- A última parte “o eu te amo”.
- Vitória: eu te amo! Isso?
- Ai ai... Eu te amo! Eu te amo... Que lindo! Como é bom escutar isso.
Ai amor... Fazia tempo que tu não demonstravas que me amava deste jeito...
- É?
- Ãran!
- Está bem então...
- Está perdoado, meu amor! Vem cá me dar um beijinho, vem...
*
Jornalista e contista gaúcho
Parecia difícil, mas estava ao alcance das palavras mágicas (ainda que falsas).
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