O pensador de Rodin
* Por
Gabriela Mistral
Apoiando na mão rugosa o queixo fino,
o Pensador reflete que é carne sem defesa;
carne da cova, nua em face do destino,
carne que odeia a morte e tremeu de beleza.
E tremeu de amor, toda a primavera ardente,
e hoje, no outono, afoga-se em verdade e tristeza
o “havemos de morrer” passa-lhe pela mente
quando no bronze cai a noturna escureza.
E na angústia, seus músculos se fendem sofredores,
sua carne sulcada enche-se de terrores,
fende-se, como a folha de outono, ao Senhor forte
que o reclama nos bronzes. Não há árvore torcida
pelo sol na planície, nem leão de anca ferida,
crispados como este homem que medita na morte.
Tradução de Manuel Bandeira.
*
Poetisa e educadora chilena, ganhadora do Prêmio Nobel de Literatura de 1949,
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