Senhor do tempo
* Por
Núbia Araujo Nonato do Amaral
Eis que finalmente a
chuva impiedosa cessou. As moscas reféns de uma umidade pegajosa se debatem. Na
terra alagada, pequenos insetos ousam seus primeiros voos. Vermes afloram na
terra alimentando os sapos.
Do alto do morro nada
se vê, nada se ouve. Os animais na arca agitam-se, alguns gritam, outros apenas
esperam. Noé abre o grande portão liberando por espécie cada casal.
No céu pequenas nuvens
se formam tornando o ar mais respirável, espantando um cheiro forte de húmus. Quantas
vidas se perderam? Quantos sorrisos? E suas histórias? Deixarão saudades?
Noé segue na mesma
direção dos pássaros, pensando quem sabe na possibilidade de um dia ser
perdoado.
* Poetisa, contista, cronista e colunista do
Literário
Foi perdoado e entrou para a eternidade.
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