Encontro no trem
* Por
Eduardo Oliveira Freire
Sozinho na multidão observa a paisagem
- Oi. Não quero incomodar, mas
sempre acompanhei suas novelas. É um excelente ator. A tevê produz um fenômeno
estranho, quando você aparecia na TV lá de casa, o considerava um amigo íntimo.
Estou passando uma temporada por aqui e o que me conforta é a reprise de uma
novela muito antiga sua. Você tá tão engraçado sendo dublado... sentia saudades
de sua voz. Desculpa por importuná-lo. Pode me dar um autógrafo?
- Sim. O seu nome?
- Sim. O seu nome?
- Antônia.
Ele autografou com o coração terno. Antônia tinha uma beleza frágil. Pensou que para fazer amor com a moça, precisaria ter todo o cuidado, para não partir os seus ossos sensíveis. Convidou-a para ir ao café.
- Não posso. Tenho que trabalhar. Foi
muito bom encontra-lo.
Ele quis pegar endereço de Antônia, mas ela saiu rapidamente do vagão, misturou-se logo na multidão. Voltou à condição de anônimo e continuou a viajar no trem.
*
Eduardo Oliveira Freire é formado em Ciências Sociais
pela Universidade Federal Fluminense, está cursando Pós Graduação em Jornalismo Cultural
na Estácio de Sá e é aspirante a escritor
Tão rápido que já acabou. O escritor pode tudo, e num parágrafo montar um final feliz. Ou não.
ResponderExcluir