terça-feira, 15 de setembro de 2015

A melhor aula


* Por Hélio Bruma


Os jovens de hoje, em que realmente diferem dos jovens que fomos, relativamente ao que sabem? Fala-se muito em que a maior diferença tem como base o fato de haver agora muito mais possibilidade de informação, dilatando ao interminável a visão do mundo, e consequentemente enchendo de fatos olhos e ouvidos das pessoas, com uma porção de informações correlatas. Isto não deixa de ser verdade, mas será mesmo que atentam para todas as possibilidades de saber?

Dizem os jornais mais conceituados da noite que em determinada capital estão reunidos os presidentes do chamado BRIC, com a finalidade de pressionar a ONU para ceder assento no Conselho de Segurança. Uma outra mocinha bonitinha vai dar a previsão do tempo, e o faz no mundo todo, valendo-se de magníficos mapas amplamente coloridos com sóis fulgurantes, azuis celestiais e negrumes assustadores. Depois do intervalo, será chamado um circunspecto cidadão que vai falar do movimento nas Bolsas de Valores e do comportamento das diversas moedas naquele dia.

Nós éramos muito ignorantes. Aprendíamos muito mais na escola que fora dela, com currículos e programas mais extensos. E as exigências, também. Hoje, com a imensa quantidade de fatos disponíveis, com eles mesmos se vai aprendendo. Não é que não tivéssemos notícias. O que acontecia é que custavam a chegar até nós. Agora, a televisão noticia vinte e quatro horas por dia. As informações são tantas que temos dificuldade para processar.

A fonte de aprender era mesmo a escola, com as lições muito bem compartimentadas e embaladas em livros com fatos e fotos expostos sem maior realce. Fora daí, o mundo era bem pequeno, e tudo ficava menor pela distância e pelo tempo decorrido.

Na minha casa chegava jornal diariamente, exceção ao fim de semana, quando o jornaleiro não vinha de Barra Mansa, no trem, à tarde. Ou seja, recebíamos o jornal matutino no final da tarde. E não me lembra ter ouvido alguma vez qualquer reclamação do meu pai. Era assim, e estava muito bom. Não havia a pressa de agora, quando a notícia tem que ser transmitida e sabida na hora, com a reportagem, o correspondente falando ao vivo do local da ocorrência. Pobre do veículo de comunicação que perde qualquer oportunidade desse tipo.

Cheguei a ver repórter no Maracanã batucando numa máquina de escrever à medida em que corria o jogo. Preparava a matéria que sairia no dia seguinte. O papel datilografado, mal acabado o jogo, era levado ao jornal para o processamento técnico e a impressão. Quem admitiria uma coisa dessas hoje, ainda mais tendo, como temos, o controle remoto na mão?

Somente na Copa do Mundo de 70, tivemos os jogos na televisão, preto e branco. Aqui, com uma imagem horrorosa, depois de um coitado carregar nas costas um tubo de ferro com a antena na ponta, até encontrar o melhor sinal, ou seja, o sinal com menos chuvisco. E é bom frisar que falamos da copa de 70, no século passado, para ninguém ficar perdido. Fomos tricampeões.

Espero que do todo acima exposto reste aos jovens a lição de que podem valer-se da mídia, nas suas mais diversas formas para aprender. O jornal, a revista, a televisão, ou isso tudo na internet, valham-se deles, uma ferramenta notável. Os do meu tempo não contávamos com essa possibilidade, e enfrentávamos as provas de geografia com capitais decoradas, os diversos Tratados Internacionais, países de todo o mundo, tudo decorado, para na questão final das provas desenvolvermos a tal “dissertação”, que era “falar sobre” isso ou aquilo. De amargar!

Então, combinado. É assistir ao jornal da TV, e verão como é fácil entender: ser um Bric, ter um PAC, poder entrar no G20, Primavera árabe, Irã e urânio, Tea Party, Democratas e Republicanos nos EUA, e de quebra a falta que os russos sentem da URSS. E quejandos.

* Poeta e escritor


Nenhum comentário:

Postar um comentário