Dia
dos Namorados
* Por Eduardo
Oliveira Freire
“TIA
LULU” acordou triste, mais um ano que ela ia passar
sozinha o Dia dos Namorados. Estava uma manhã fria. Contudo, tomou um banho
para espantar o mau-humor e a preguiça. Saiu de casa arrumada e cheirosa. “A esperança é a única que morre”.
Encontrou o Fernando, ele a olhou e deu um sorriso. “Fernando não. Só que saber de prensar as meninas no paredão. Não quero
isso. Quero um homem que sabe conversar”.
Quando ia atravessar à rua, veio o
Anderson, lhe ofereceu uma carona. Ele quase a comia pelos olhos. “Ele é casado e a sua mulher é barraqueira. Se ela descobrir que peguei uma simples
carona com o marido, vai fazer o maior barraco na minha casa. Vai falar que sou
amante do Anderson. A minha mãe é cardíaca, pode até morrer de desgosto e o meu
pai me expulsará de casa gritando: Sua vagabunda!!!!!! Não é mais a minha
filha!!!!”.
A moça inventou uma desculpa e se
livrou do “abacaxi”. Já no ônibus, percebeu que um homem bem
vestido a paquerava. Seu corpo tremeu de emoção. Quando uma senhora, ao seu
lado, levantou-se para descer do ônibus, o homem foi sentar-se perto dela. A
moça achou que ele ia flertar, quando ele se aproximou e falou perto do seu
ouvido, porém, foi surpreendida:
“fica quietinha, isso é um assalto. Perdeu, perdeu.”. Assustada, deu
dinheiro, celular e um anel de ouro que havia ganhado da madrinha. Chegou
arrasada na escola em que trabalhava, todavia, ao entrar na classe o humor
voltou. Adorava dar aula, esquecia de todos os seus problemas.
Quando terminou a aula. Júlio, o menino
mais tímido da turma, pediu para conversar com a “Tia Lulu” . Ela disse que tudo bem, perguntou se estava com alguma
dificuldade nas matérias ou se algum colega de classe implicou com ele. Sempre
protegia o Júlio dos outros meninos, “garotos
frágeis sempre sofrem na escola”.
– Tia Lulu, tem namorado?
– Por que quer saber?
– Por nada. Mas você tem ou não tem.
– Menino intrometido, mas não consigo
ficar braba com você. Está bem... não tenho.
O
menino deu um sorriso que iluminou o seu rosto, pegou uma folha de papel
amassado da mochila: – Toma de presente!!–. Saiu correndo.
A jovem professora viu o menino ir até
onde estava a sua mãe. Abriu a folha.
Havia um desenho de um coração enorme e no meio: Tia Lulu e Júlio. Ela ficou
tão emocionada, que chorou de alegria e tristeza. “Momentos assim é que confirmam
que escolhi a profissão certa. Júlio, tão gentil. Tomara que ao crescer
continue assim. Mas, homens gentis sofrem mais.
Júlio, queria tanto dizer que tudo vai dar certo e que vai viver num
mundo bem melhor do que o meu”.
*
Formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense. Está cursando
Pós-Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e está aspirante a
escritor.
Para quem está só, as datas são ainda piores.
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