Meias de jornal
* Por
Flora Figueiredo
Pés no chão, endurecidos de tão frios,
Nus, como o verde da palmeira
que lava-enxuga, lava-enxuga,
Para a crueza da noite, meias estampadas:
são folhas do jornal de sexta-feira.
Uma luz de alumínio sobre a manchete:
A CPI DA CORRUPÇÃO NÃO DEU EM NADA.
... no corrimão da madrugada, dorme um pivete.
*
Poetisa, cronista, compositora e tradutora, autora de “O trem que traz a
noite”, “Chão de vento”, “Calçada de verão”, “Limão Rosa”, “Amor a céu aberto”
e “Florescência”; rima, ritmo e bom-humor são características da sua poesia.
Deixa evidente sua intimidade com o mundo, abraçando o cotidiano com vitalidade
e graça - às vezes romântica, às vezes irreverente e turbulenta. Sempre dentro
de uma linguagem concisa e simples, plena de sutileza verbal, seus poemas são
como um mergulho profundo nas águas da vida.
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