Réquiem
para os negros de alma branca
* Por
Talis Andrade
.
Os martelos cantavam
sobre os yunques sonâmbulos
sobre os yankees bêbados
nas barracas de cerveja
da praia de Ponta Negra
Os martelos cantavam
dissonante escala
Cravados sons
a penetrar a carne
Cravados sons
a penetrar a tampa do caixão
de Auta de Souza
a virgem negra
Ao compasso dos martelos
os negros catavam nuvens brancas
nos campos de algodão
* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel
em História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a
sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife),
“Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 11 livros publicados,
entre os quais o recém-lançado “Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).
Pesada crítica ao racismo. É preciso coragem para tocar em temas que nos doem. Os covardes nem pensam em falar neles. Fingem ignorá-los.
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