A desejável interação
O sonho de todos os que lidam com
comunicação no seu cotidiano; jornalistas, radialistas, apresentadores de
televisão e escritores (claro), sempre foi o de poder interagir com os
receptores das suas mensagens, o que se convencionou chamar de “público em
geral”. O advento da informática vem tornando, a cada dia, mais possível esse
contato direto entre ambas as partes.
Já é bastante comum, por exemplo,
notadamente nas grandes emissoras de rádio, locutores terem um computador, bem
ao lado do microfone, em suas mesas no estúdio, para repercutirem opiniões dos
ouvintes. Aliás, esse veículo já havia saído na frente dos demais, nesse
aspecto, com programas que há já algumas décadas contavam (e ainda contam) com
a participação direta do público, através do telefone.
As televisões se preparam (algumas já
fazem testes nesse sentido), para possibilitar a interação efetiva dos
telespectadores. Em breve, estes poderão comentar, por exemplo, as notícias que
recebem e, até, acionar a repetição de lances duvidosos, numa transmissão de
futebol, em uma telinha ao lado da tela principal, com um simples clique no
mouse do seu computador.
Na internet, sites e blogs, os mais
variados, jornalísticos ou não, estão “bombando”, como costumam dizer os
adolescentes. Os mais acessados são, notadamente, os dos jornalistas da área
política, que contam com centenas de comentários a cada tópico que exibem. É
compreensível. Este é um tema apaixonante, embora seja absolutíssima exceção
haver consenso a respeito da qualquer coisa que se refira à atividade.
Ocorre que a Literatura também
apaixona. Além do que, é muito mais abrangente do que a política. Enquanto esta
aborda um único aspecto da atividade humana, aquela trata de “tudo” o que
envolva e interesse ao homem. Deveria, pois, apaixonar muito mais e, por
conseqüência, gerar maior quantidade de debates. Não gera.
Pesquisando diversos blogs literários,
este editor constatou que pouquíssimos deles contam com a participação direta
dos leitores. A maioria permanece “às moscas”. Raros são, portanto, os leitores
que interagem com os escritores. Por que? Mistério!
Mesmo aqui, no Literário, e isto desde
que estávamos na nossa antiga “casa”, são para lá de escassos os comentários nos
diversos tópicos que trazemos a público todos os dias (sem interrupção sequer
em sábados, domingos ou feriados). Hoje, por exemplo, nosso contador de acessos
registrava, logo pela manhã, 530.913 visitas. Quantos desses visitantes
comentaram qualquer coisa publicada aqui? Quantos irão comentar? Os comentários,
em média, mal chegam a seis por dia, e assim mesmo de colunistas e/ou
colaboradores.
Este editor faz das tripas coração para
provocar debates, em editoriais propositalmente polêmicos, e sem repetições (o
que, convenhamos, é um desafio constante à imaginação e à criatividade), mas
ainda não conseguiu estabelecer a sonhada interação com os leitores. Por que?
Mistério! Que tal fazer de cada tópico do Literário um fórum de debates, como
ocorre nos blogs dos jornalistas que tratam de política? Está lançado o
desafio. Quem se habilita?
Boa leitura.
O Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
O telefone fixo caminha para seu fim. Os blogs já ferveram e tiveram públicos apaixonados. Há tempos as visitas tornaram-se escassas. Acompanho alguns e vejo que as entradas são poucas e os comentários ainda em menor número. A política tem estado acolalorada e o Facebook bastante politizado. Mesmo quem nunca opinou na política, tem se manifestado. A virulência e agressividade atingiram seu ápice há algum tempo, mas se arrefeceram. Passado o clima de guerra, imagino que os blogs de política também deverão se esvaziar. As modas passam ligeiras.
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