Eu não me calo
* Por
Pablo Neruda
Perdoe o cidadão esperançado
minha lembrança de ações miseráveis,
que levantam os homens do passado.
Eu não preconizo um amor inexorável.
E não me importa pessoa nem cão:
só o povo me é considerável:
só a pátria me condiciona.
Povo e pátria manejam meu cuidado:
Pátria e Povo destinam meus deveres
e se logram matar o revoltado
pelo povo, é minha Pátria quem morre.
É esse meu temor e minha agonia.
Por isso no combate ninguém espere
que fique sem voz minha poesia.
*
Poeta chileno, um dos mais importantes poetas da língua castelhana do século XX
e cônsul do Chile na Espanha e no México, ganhador do Prêmio Nobel de
Literatura de 1971.
Nenhum comentário:
Postar um comentário