Pílulas literárias 227
* Por
Eduardo Oliveira Freire
ABSOLUTO
No quarto o silêncio
grita, mas o cansaço faz o homem parar de ter medo. O sono vem e ele se torna
um corpo em si mesmo como os móveis do quarto, tornando-se absoluto.
CONSTRUÇÃO
Hoje, estava com raiva
e comecei a escrever. Aí, fui me esvaziando e me senti melhor. Realmente,
quando se pensa para escrever, dá-se o tempo para digerir os sentimentos e
sensações. Poxa vida, estou vivo! Para que ligar o que os outros pensam de mim?
Continuarei a caminhar, correr, escrever e a tirar foto. Tive tanta sorte de
ter bons pais e um lar harmônico. Portanto, que venham as mudanças e as
opiniões alheias sobre mim, não me importarei. Eu sei quem sou, amo viver e a
cada dia aprendo a lidar com minhas limitações, frustrações e recalques. Quando
terminei o texto, percebi que não tinha mais sentido e o deletei. Ainda bem que
encontrei a serenidade, já que ao invés de melhorar, a cólera irá piorar ainda
mais. Não quero destruir e sim construir.
***
TRANSGRESSORA?
Dizem que a juventude
é transgressora do futuro. Será? Vejo tantos jovens tão retrógrados! O que
adianta ter um corpo legal e saber as novas tecnologias se nos pensamentos
parecem ser senhores ou senhoras de mais de oitenta anos? É triste de ver
rapazes e moças cultuando o ódio e o preconceito. Enquanto isso há pessoas mais
velhas que são contemporâneas e que sempre estão abertas a conhecer. Por isso,
cada vez mais reforço a ideia de que ser jovial está na atitude e não na aparência.
***
SABER MORRER
Ao longo da vida,
acumulam-se pequenas mortes que são um ensaio para quando A MORTE FINAL chegar.
Saber morrer é saber viver, também.
***
MAIS FÁCIL
Sentir animosidade é
mais fácil que amar. O primeiro é um tsunami incontrolável, já o outro se
precisa respirar um pouco e ponderar. Ultimamente, vive-se na ira e há uma
busca incontrolável de um pretexto com a intenção de extravasar este sentimento
acumulado por anos. Culpar cem por cento o outro em relação aos problemas é
mais fácil e tentador. Para que refletir sobre os próprios erros se se pode
xingar e apontar “fatores externos”? O culto ao ódio provoca barbárie e leva a
humanidade ao abismo. Por isso, tentarei não odiar quem pensa diferente de mim,
pelo contrário, irei respeitá-lo mesmo que tenha que lutar comigo mesmo. Não
posso me achar o dono da verdade absoluta, ninguém o é. Deus me livre semear
raiva por aí.
***
*
Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante
a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
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