Se precisá, me chama!
* Por
Ana Deliberador
A viagem foi longa,
penosa, apesar da boa montaria.
Zé Corrêa, enquanto
aguardava o início dos trabalhos seguia pensando no quão difícil era a vida no sertão. Mas o
quanto amava aquele sertão!
Naquele dia viera
servir o juiz de São Jerônimo da Serra. Era jurado, não podia faltar!
O julgamento era de um
pobre homem que tinha matado a mando do patrão. O patrão estava solto e ele
preso.
Enquanto rolava o
julgamento, Zé Corrêa, condoído das condições miseráveis de vida daquele
infeliz, pensava: “meu Deus, quem devia estar preso é o mandante e não esse
coitado!”.
Também pensando como
ele, os outros jurados votaram pela absolvição.
E o homem foi solto.
Cumpridas todas as formalidades, Zé Corrêa arrumava o arreio
do cavalo para iniciar a viagem de volta quando o feliz ex-detento chegou perto
para agradecer.
– Muito brigado, viu?
Se você precisá de um servicinho pode me
chamá que eu num vô cobrá nada, tá?
* Professora, pintora e escritora
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