Antes dos outros chegarem
* Por
Eduardo Oliveira Freire
Está parada em frente
da pia e com um olhar perdido. O cunhado aparece sem camisa e coloca a mão em
seu ombro. Ela estremece e suspira. Ele a abraça por trás e a moça sente o
corpo forte sobre o leve tecido da camisola. Sempre gostou de ser tocada por
ele. Os dois choram e o homem se retira.
A jovem fica por
alguns instantes na cozinha escura e vai ao encontro da irmã, que está inerte
na cama. Na varanda da sala, o marido diz ao telefone: “ Descansou”. Depois,
deita ao lado da mulher falecida e da cunhada. Aproveitam o último momento dos
três juntos, antes dos outros chegarem.
*
Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo cultural e aspirante
a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/
Menos raros do que se pensa esses arranjos familiares.
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