Trágico
* Por Eduardo
Oliveira Freire
Em uma rua tranqüila um jovem casal
namora. Ao anoitecer, o rapaz se despede da moça, que suspira pela separação.
Ela o vê se distanciando com a velha bicicleta, que sempre lhe servia de
companhia. Um carro, com bastante velocidade, e sem controle, aparece
repentinamente. Atropela-o.
Ela corre para o amado, olhos insanos.
Grita, sacode-o. Não percebe que as outras pessoas se aproximam. A moça bebe o
sangue, que jorra no corpo inerte. Come pedaços da massa encefálica. Quer
digerir o amado, torná-lo parte de seu corpo.
Cabelos desgrenhados, urra, como um
animal ferido. Rasga a blusa. Pega a cabeça rachada e a coloca nos seios. Faz
carinho no rosto do rapaz. Almeja que, pela última vez, chupe seus seios, como
fazia quando se escondiam entre as árvores e os postes.
“Tadinha,
ficou louca, tá comendo os miolo do menino...”
“Até
que ela tem uns peitões gostosos. Quando saí do hospício acho que vou dá umas
pegada nela...”
“Gente,
ela qué aparecê, daqui alguns dias tá posando nua...”
“Que
tristeza... agora vou ver minha novela”...
As sirenes dos bombeiros e da polícia
vão ficando mais fortes, abafando os comentários.
*
Eduardo Oliveira Freire é formado em Ciências Sociais
pela Universidade Federal Fluminense, está cursando Pós Graduação em Jornalismo Cultural
na Estácio de Sá e é aspirante a escritor
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