sexta-feira, 16 de outubro de 2015

O substituto


* Por Ana Deliberador


Florindo, o barbeiro, era só, no trabalho. Não tinha ajudante. O que era um problema pois sempre havia um freguês doente que precisava ser atendido em casa e o salão tinha de permanecer aberto. Se fechasse, por meia hora que fosse, perderia clientes.

Assim, tinha um amigo aposentado, seu Felipe Carboni que fazia a ele o favor de sentar-se à porta do estabelecimento enquanto atendia em domicílio.

Mas seu Felipe adoeceu, faleceu, e o problema voltou. Se bem que por pouco tempo porque outro amigo, o Rosquinha, passou a ficar ali na porta, cuidando. O que custava?

E assim se passaram mais alguns anos. E…Rosquinha adoeceu e faleceu.

Desarvorado, Florindo pediu então a outro amigo, o Bressan, que fizesse as vezes de ajudante.

– Deus me livre! – foi a resposta imediata. Eles morreram…e agora….eu????

* Professora, pintora e escritora


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