Literatura sem preconceito
A ficção científica, como gênero literário, é, e sempre foi
ao longo do tempo, sobretudo polêmica. Alguns (refiro-me, aqui, a críticos)
consideram-na forma “menor” de fazer Literatura ficcional. Vão ao extremo de
raramente se darem o trabalho de sequer mencionar seus lançamentos. Ignoram-na,
solenemente, mesmo quando alguns livros tornam-se best-sellers e vendem milhões
e mais milhões de exemplares mundo afora. E quando, eventualmente, decidem ler
e abordar qualquer lançamento do gênero, esmeram-se em críticas, atacando tudo
e todos da maneira mais feroz e selvagem, posto que subjetiva. Raramente
mencionam o que lhes desagrada.
Agem de forma preconceituosa. E, como todos os que são
contaminados pelo “vírus” do preconceito, tendem às generalizações. Não
deveriam, óbvio. Mas.... Como tudo em Literatura (e, de certa forma, na vida),
há bons escritores do gênero e há os ruins e também até os péssimos. Esse
julgamento, no entanto, não deveria caber aos críticos literários, mas
exclusivamente ao leitor, que é o único que garante o sucesso ou o fracasso de
qualquer autor, comprando ou deixando de comprar seus livros. Alguns se deixam
influenciar pela crítica e decidem, pelo sim e pelo não, poupar seu suado
dinheirinho e investi-lo em outro tipo de literatura. Estão no seu direito. Não
raro, porém, cometem injustiças, condenando ao fracasso e ao ostracismo
excelentes escritores e, claro, seus livros muito bem escritos.
Às vezes acontece de alguma obra de ficção científica (e isso
ocorre em qualquer outro gênero), dessas que encalham nas prateleiras das
livrarias, ser relançada, por capricho de algum editor teimoso, muitos anos
depois (não raro décadas), após o lançamento original. E mais, se dá o caso
dessa “aposta”, comercialmente arriscada, dar certo e a obra acabar virando best-seller.
Há muitos casos como este e creio ser desnecessário citar algum exemplo
específico.. E quando isso ocorre, o único que não lucra nada com o súbito
sucesso (às vezes nem seus herdeiros) é exatamente quem escreveu esse livro,
finalmente bem-sucedido, que pode estar morto há muito tempo (geralmente está)
e que às vezes morreu prematuramente em consequência do desgosto com o fracasso
literário.
Reitero que esse tipo de coisa ocorre não apenas com obras de ficção científica, mas também
com as de outro gênero literário qualquer. Cito este caso, especificamente, em
decorrência do preconceito que há em relação a elas, principalmente de parte de
leitores (e de críticos) mais cultos e eruditos (ou que se julgam tal). Os
escritores que se dedicam à produção de contos policiais passam pelo mesmo
problema. Já vi até nomes consagrados, como Arthur Conan Doyle e Agatha Christie,
por exemplo, serem considerados meros produtores de subliteratura; Ou seja, de
se dedicarem a um gênero literário supostamente “menor”. Ora, ora, ora.
Há quem entenda que livros de ficção científica e de contos
policiais sirvam, apenas, de passatempo, para momentos de lazer em que não
tenhamos nada de melhor para fazer. Argumentam que seus enredos não têm lições
a transmitir, e que se caracterizam, exclusivamente, pela ação. O curioso é que
essas pessoas jamais escreveram uma reles história nesses gêneros que tanto abominam
e não sabem, portanto, da complexidade que essa criação envolve. Aliás, não
raro, nem mesmo leram algum livro do tipo. Como se atrevem, pois, a opinar?
Dizer, por exemplo, que um H. G. Wells, um Isaac Asimov, um
Júlio Verne, um George Orwell ou um Arthur Clarck, para citar, apenas, alguns
dos mais conhecidos, são escritores “menores”, que nada de útil têm a
transmitir, é não somente uma heresia, mas suprema burrice. E todos eles são autores
(consagrados, felizmente) de ficção científica!!! O mesmo se pode dizer de
mestres do conto policial, como Conan Doyle, Agatha Christie, Jeffery Deaver e
tantos e tantos outros escritores que são campeões de venda, posto que
discriminados por críticos literários obtusos e por estudiosos eruditos das
chamadas “belas letras”, por serem
autores de um gênero supostamente “menor”. Sem esquecer, claro, o genial
criador desse tipo de história, o consagrado Edgar Alan Poe.
Preconceito não cabe em momento algum da vida e muito menos
em Literatura. Nesta não há gêneros maiores ou menores, mais nobres ou de menor
nobreza. Há, sim, bons livros e bons escritores e os maus, que raramente
conseguem fazer carreira. Voltarei, certamente, ao assunto, com novos enfoques,
para que você, inteligente leitor, forme sua própria opinião e não se deixe
levar por preconceitos e preconceituosos. É de informação e de responsabilidade
que essa gente carece! E de respeito com quem faz da Literatura missão de vida.
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Boa leitura.
O Editor
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk.
Como em todos os aspectos humanos, haverá os bons e os maus, mas no geral não é a ficção científica, algo que me atraia, por delirante e impossível. Ainda assim, os livros citados por você, são coisa de gênio. Certamente estou errada no meu não gostar.
ResponderExcluirDizer que Asimov, Bradbury, Clarke, Dick, Heinlein, não têm nada a dizer é o mesmo que dizer que a Terra é plana. Além de provar que possui um profundo desconhecimento de literatura, não sabe o quão maravilhosa é a ficção científica.
ResponderExcluirCostumo dizer que FC não tem que ser precisa, ela tem que ser, sobretudo, plausível, pois temos que suspender a descrença em várias obras e isso não as diminui.
Vejo também que muitas young adults que estão sendo lançadas não saem classificadas como ficção científica, especialmente essas que têm apelo com o público como Jogos Vorazes. Temos livros YAs ótimos que são distópicos, são space operas e ainda assim as editoras são relutantes em dizer que são FCs. E isso ilustra o preconceito que elas mesmas têm com o gênero.
Isso quando não falam que é coisa de criança ou então que mulher não gosta nem escreve ficção científica. Enfim, são tantos preconceitos que às vezes desanima.
Abraço!
momentumsaga.com