terça-feira, 16 de julho de 2013

Pílulas literárias 174

* Por Eduardo Oliveira Freire

TEMPOS...
Zangado, saio de casa e ando por muito tempo. Cansado, resolvo voltar. Nem me lembro do motivo de sair tão revoltado. Ao retornar, vejo meu filho um careca e com uma criança no colo. Ele se espanta quando me vê.”
“ Caramba! Este senhor usa a mesma roupa, que meu pai usava quando sumiu...”

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ENGULA O CHORO, HOMEM NÃO CHORA
Ele engoliu por vários anos até um Tsunami romper seu corpo e destruir tudo que encontrou pela frente.

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DESENCANTO
Ao mexer no quarto de minha patroa, que acabara de morrer, encontrei uma foto de um homem com a dedicatória: “ Para sempre se lembrar de mim, B.”. Não era o patrão.
A imagem do casal velhinho e fofo se maculou em mim. Senti um profundo desencanto.

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FOME
Quero devorar a vida, mas é ela quem me devora com sua bocarra.

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O INTRUSO
Chego. Ele está na casa e finjo que não vejo. Olha-me fixamente e assisto tevê como se nada estivesse acontecendo. Continua a me olhar. O telefone toca, é um amigo. Digo que o “intruso” está na casa. Ele diz que preciso tomar uma decisão. Não consigo e coloco o telefone no gancho. Mesmo assistindo horas a tevê, continuo a ser observado. Desisto! Vou deixá-lo entrar na minha vida. Vou à cozinha e jogo um pedaço de queijo. O rato aparece e pega o naco rapidamente.

* Eduardo Oliveira Freire é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense, com Pós Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e é aspirante a escritor

Um comentário:

  1. Gostei muito da história do pai que some durante tempo tão longo que encontra o filho já careca. São delírios filosóficos que ao mesmo tempo que impressionam, desapontam a nós, os simples e mortais joguetes do tempo.

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