segunda-feira, 15 de julho de 2013

Canção marinheira

* Por Talis Andrade

Do insondável mar o convite
Para os quintos a advertência
de tapar os ouvidos
A prudência de permitir
que amarrem o meu corpo
ao mastro do navio
Quero ouvir o cantar das sereias
o amavio da voz de Lorelei
me chamando
Salto no escuro
Vejo os olhos da morte
Azuis azuis azuis
Salto no escuro
cantando a canção de Fausto
nas tempestades e assaltos
A canção quem me ensinou
foi Evandro San Martim
Entre os dentes trago a faca
e nos meus olhos coloridos
- juro –
ó Ana, vem ver
ó Ana, vem ver
o fogo no mar
os peixes a arder
-
In Romance do Emparedado, 2007

* Escritor, jornalista, colaborador do Observatório da Imprensa, membro da redação de La Insignia, na Espanha. Publicou o romance “Os Corações Futuristas”, cuja paisagem é a ditadura Médici, “Soledad no Recife” e “O filho renegado de Deus”.  Tem inédito “O Caso Dom Vital”, uma sátira ao ensino em colégios brasileiros.



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