Pílulas literárias 174
* Por
Eduardo Oliveira Freire
TEMPOS...
“Zangado, saio de casa e ando por muito tempo.
Cansado, resolvo voltar. Nem me lembro do motivo de sair tão revoltado. Ao
retornar, vejo meu filho um careca e com uma criança no colo. Ele se espanta
quando me vê.”
“
Caramba! Este senhor usa a mesma roupa, que meu pai usava quando sumiu...”
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ENGULA O CHORO, HOMEM NÃO CHORA
Ele engoliu por vários anos até um Tsunami romper seu corpo e destruir
tudo que encontrou pela frente.
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DESENCANTO
Ao mexer
no quarto de minha patroa, que acabara de morrer, encontrei uma foto de um
homem com a dedicatória: “ Para sempre se lembrar de mim, B.”. Não era o
patrão.
A imagem do casal velhinho e fofo
se maculou em mim. Senti um profundo desencanto.
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FOME
Quero devorar a vida, mas é ela quem me devora com sua bocarra.
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O INTRUSO
Chego. Ele está na casa e finjo que não vejo. Olha-me fixamente e assisto
tevê como se nada estivesse acontecendo. Continua a me olhar. O telefone toca,
é um amigo. Digo que o “intruso” está na casa. Ele diz que preciso tomar uma
decisão. Não consigo e coloco o telefone no gancho. Mesmo assistindo horas a
tevê, continuo a ser observado. Desisto! Vou deixá-lo entrar na minha vida. Vou
à cozinha e jogo um pedaço de queijo. O rato aparece e pega o naco rapidamente.
* Eduardo Oliveira
Freire é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense,
com Pós Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e é aspirante a
escritor
Gostei muito da história do pai que some durante tempo tão longo que encontra o filho já careca. São delírios filosóficos que ao mesmo tempo que impressionam, desapontam a nós, os simples e mortais joguetes do tempo.
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