quinta-feira, 2 de maio de 2013


Vazia

* Por Osvaldo Pastorelli

Vazia. A minha mente está vazia. Vazia.Vazia.Tanta coisa as quais posso escrever e nada me vem à mente. Rodopia sobre os objetos, sobre os acontecimentos que volteia nesta manhã úmida onde a Paulista cinza escura fere meus olhos mortiços de sono.

Cadê minha capacidade de escritor? Aquele escritor que consegue tirar poesia até do asfalto preto e sujo. Aquele escritor onde sua sensibilidade afinada com os tempos faz sua crônica, seu poema, seu texto embevecendo o leitor. Onde está esse escritor que há em mim? Não o acho. Está escondido por baixo de muitas camadas de leituras solitárias sem ter como extravasá-las.

Minha mente parece amassada por um espremedor retirando dela toda química necessária para combinar as palavras que me azucrina em querer sair do anonimato. Palavras que ricocheteiam na parede do cérebro transmitindo ordens aos dedos imóveis sobre o teclado.

Sim, há muita coisa ainda para ser escrita, e aos poucos serão extraídas suavemente ou forçadas e serão impressas nessa tela hipnótica para o deleite de quem gosta de ler. Agora, se o leitor gostar do que escrevo, bem... Isso é uma outra história para quem sabe, uma outra crônica?

       * Poeta e artista plástico

Nenhum comentário:

Postar um comentário