Ministério
da Solidariedade
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Por Marcelo Sguassábia
O
governo da Inglaterra acaba de criar o Ministério da Solidão. Tido
como epidemia oculta, o problema afeta mais de 9 milhões de
britânicos, que trocariam o saldo bancário por um dedinho de prosa.
Mas
se os ingleses são solitários, os brasileiros são por natureza
solidários. Talvez aí resida a principal diferença entre os
súditos da rainha, aparentemente tão tristes e cabisbaixos em sua
nublada rotina, e nós, solares, extrovertidos e sempre sorrindo para
a vida ou dando de ombro aos revezes. Um povo prestativo e solícito,
pronto a ajudar por vocação, não por obrigação.
O
fato é que, da cinzenta ideia do Ministério da Solidão, surgiu ao
Governo Federal a simpática iniciativa de instituir o Ministério da
Solidariedade.
Como
disse John Kennedy, com raro senso patriótico: “Não pergunte o
que seu país pode fazer por você, e sim o que você pode fazer pelo
seu país”. Nosso Brasil não suporta mais tamanha carga
tributária, que tanto onera o preço final dos produtos e o
orçamento dos mais necessitados. Assim, ao invés de criarmos novos
e impopulares impostos, incentivaremos a solidariedade de nossos
cidadãos, para que espontaneamente doem recursos aos cofres públicos
– o que é bem diferente da taxação compulsória.
Sabe-se
que todo o alto escalão do Ministério da Economia estará reunido
hoje e nos próximos dias, em caráter de urgência, debruçando-se
sobre as logísticas de arrecadação e os incentivos necessários a
atrair o contribuinte. Uma das ideias em pauta é a emissão, em
papel moeda marcado com brasão holográfico da República, do
certificado “Cidadão Solidário”, a ser entregue a todos os
doadores de quantias superiores a R$1.500,00. Nele, o governo
compromete-se a ser tolerante em demandas de fiscalização que não
envolvam estelionato e outros delitos graves, como forma de
recompensar a ajuda extra desembolsada pelo cidadão que aderir às
doações. Obriga-se, ainda, a destinar os recursos provenientes da
receita solidária exclusivamente à saúde, à educação e à
segurança pública, com prestações de contas periódicas no Portal
da Transparência.
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Marcelo
Sguassábia é redator publicitário. Blogs:
WWW.consoantesreticentes.blogspot.com (Crônicas e Contos) e
WWW.letraeme.blogspot.com (portfólio).
Caso não seja piada, ouso imaginar que não dará certo.
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