As
redes sociais seriam só outro modismo?
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Por Pedro
J. Bondaczuk
As
redes sociais, pelo menos para mim, constituem-se em enorme decepção,
em frustração sem tamanho, pelos rumos que tomaram e pelo retorno
que me dão. Admito que a culpa, neste caso, seja (ou pelo menos
possa ser) minha, por acalentar expectativas se não absurdas (pois
têm potencial para ser o que esperava e ainda espero), pelo menos
irreais. É o preço que pago por ser sonhador. E de sonhar não abro
mão a despeito da educação cartesiana que recebi e que determina
minha personalidade. Tenho intuição que esses canais democráticos
de livre expressão para quem quiser se utilizar deles não passam de
meros modismos, como tantos outros que existiram e que se acabaram, e
que logo também vão ter fim. Espero estar equivocado. Pois se isso
acontecer... será uma pena!
Frequento
redes sociais há já quinze
anos, desde 2003, quando fui “apresentado” ao Orkut. Na
sequência, aderi ao Gazzag. Não tardou, todavia, para estes dois
canais de contato e, supostamente, de aproximação de pessoas,
minguarem (talvez enjoarem os usuários, sabe-se lá!) e... deixarem
de existir. Há uns oito
anos, utilizo-me do Facebook e do Twitter. Meus objetivos ao passar a
me utilizar dessas duas redes sociais são diferentes. A finalidade
de me valer da primeira é a de divulgar (exclusivamente, ou quase)
minha produção literária e, da segunda, para opinar sobre
política, futebol, comportamento e tudo o mais que constitui o campo
de trabalho da minha principal profissão, o jornalismo.
Sou
obcecado por organização e creio que essa separação de assuntos
satisfaz (pelo menos para mim) essa finalidade. No Facebook partilho,
com potenciais leitores, crônicas, ensaios, contos e reflexões
literários. Ou seja, exibo minha “face” de escritor. E reservo o
twitter “apenas” para o jornalista Pedro, buscando ser o mais
correto e responsável possível, ciente de estar tratando de e com
pessoas, sem recorrer, pois, a nada que comprometa o bom jornalismo:
o construtivo, positivo, em suma, “o que crê”, que é como
entendo que deva ser essa atividade e como pautei minha longa
carreira, de quase meio século. Nunca fiz, não faço e
comprometo-me a jamais fazer o tal do “jornalismo marrom”, que
beneficia a muitos às custas da honra, da tranquilidade
e até do futuro de milhões.
Abomino,
portanto, o sensacionalismo, a meia-verdade, a parcialidade, as
irresponsáveis insinuações e os meros boatos sem a menor prova,
apresentados como “notícias”. Não são! Não me utilizo de
estúpidos estereótipos, de jargões, de “apelidos” dados ao que
os que se valem desse recurso entendem (será que entendem mesmo?)
como “informações”, tipo “mensalão”, “Operação Lava
Jato”, “pedaladas” e quejandos, que se tornaram verdadeiras
pragas, como se fosse a disseminação de tiriricas em gramados que
poderiam e deveriam ser saudáveis. Convenhamos, este é um
procedimento para lá de comum, e não de hoje (e não somente no
Brasil), mas de longa data, e em todo o mundo, praticamente desde os
primórdios do jornalismo (cuja gênese, aliás, foi sensacionalista,
que priorizava escândalos, crimes e violência de toda a sorte)
atividade, por sinal, relativamente recente: de uns dois séculos ou
pouco mais, se tanto.
Minha
decepção com as redes sociais já começa a partir do “alcance”
que elas me proporcionam, que poderia ser quase “infinito”, mas
que é anos-luz aquém do que os jornais em que trabalhei me
proporcionavam (já nem falo em rádio, atividade que exerci por
cerca de uma década). Minhas colunas diárias (literárias ou não)
eram lidas por dezenas de milhares de leitores, como se apurou em
pesquisas. No Facebbok e no Twitter, todavia, a cifra de leitores mal
chega ao milhar (no primeiro) e a meras e irrisórias seis centenas
(no segundo).
Os
tais “seguidores” (cuja maioria não segue coisíssima alguma)
representam, nas duas redes sociais, percentualmente, qualquer coisa
como 0,00001% dos seus milhões de usuários, e olhem lá. Destes, os
que comprovadamente me leem
são menos ainda. Chegam á pífia e ridícula cifra de uma dezena no
máximo!!! Os amigos que frequentam
minha casa e que têm acesso físico ao que escrevo (não raro na
própria telinha do computador), são, no mínimo, três vezes mais.
É ou não é, pois, monumental perda de tempo esfalfar-me em
pesquisas, redação, revisão etc. para produzir textos que
praticamente ninguém vai ler?!! Ora, ora, ora... E nem preciso
lembrar que não faz o mínimo sentido ser escritor ou jornalista sem
a existência de leitores que consumam o “produto”. Vai daí...
*
Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de
Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do
Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções,
foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no
Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios
políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance
Fatal” (contos), “Cronos & Narciso” (crônicas),
“Antologia” – maio de 1991 a maio de 1996. Publicações da
Academia Campinense de Letras nº 49 (edição comemorativa do 40º
aniversário), página 74 e “Antologia” – maio de 1996 a maio
de 2001. Publicações da Academia Campinense de Letras nº 53,
página 54. Blog “O Escrevinhador” –
http://pedrobondaczuk.blogspot.com. Twitter:@bondaczuk
Quando fiz minha conta no Facebook em janeiro de 2011, após o fim do Orkut, que entrei em 2004, escolhi não ter seguidores. Não sei se tenho. Algumas pessoas devem me seguir e são umas poucas (pouquíssimas, como você diria), que mal publico, já aparecem para curtir (sem ler) e quando leem escrevem algum comentário. Dos 5 mil contatos, tenho os melhores amigos, os que eu sigo e os "ver primeiro" (você é um deles). Dessa maneira evito ver postagens de contatos que tenho pouco interesse. Quando aparecem, e está no automático de seguir, modifico a configuração. Leio pelo menos umas 3 a 4 postagens suas. Não vejo mais porque não dá tempo. E ainda venho ao Literário quase todas as noites, depois de trabalhar no consultório pelo menos 7 horas por dia. Assim, vou tecendo minhas prioridades.
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