Exílio
*
Por Emanuel Medeiros Vieira
Um
Atlântico nesta separação:
batido
coração segue as ondas de maio
Desterros
além da anistia
para
lá dos poderes
Velas
ao vento
não
bastam os selos
a
escrita crispada
queria
os sinais da tua pele
vacinas,
umidades,
penugens,
pelos
perdidos
no
mapa do corpo,
olhar
suplicante, soluços
Jornadas:
missas de sétimo-dia,
retratos
arcaicos.
Outro
exílio: sem batidas
na
boca da noite,
armas,
fardas, medos,
clandestinidades.
Sol
neste retorno:casa,
guarda-chuva
no porão,
caneca
de barro,álbuns,
abraço
agregador,
cheiro
de pão, gosto de café,
o
amanhã junta os o dois
nós
da memória,
um
menino e o seu outro:
estou
melhor feito vinho velho.
*Poema
premiado no Concurso Nacional de Poesias, cujo tema foi “O Mundo do
Trabalho”, promovido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa,
Paraná.
*
Romancista, contista, novelista e poeta catarinense, residente em
Brasília, autor de livros como “Olhos azuis – ao sul do
efêmero”, “Cerrado desterro”, “Meus mortos caminham comigo
nos domingos de verão”, “Metônia” e “O homem que não amava
simpósios”, entre outros.
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