O tempo não para
* Por
Elaine Tavares
E eis que vem um ano
novo, embora nada de novo venha... Nos tempos antigos, os povos celebravam a
cada estação. Havia o tempo de plantar, de colher, de descansar e de amar. Em
cada equinócio e solstício se dançava e festejava, cantando com os deuses,
sempre muitos...
Então vieram outras
crenças, outros modos de vida, veio a dominação da igreja, um deus único, as
festas piedosas... As gentes esqueceram da alegria, a simples e doida alegria
de se estar vivo.
Neste primeiro de ano
eu desejo que todos possam recuperar essa antiga tradição, de se celebrar em
cada momento da vida, de se cantar aos deuses, aos tantos deuses que por aí
circulam no coração das gentes. Essas nossas divindades inventadas pelo nosso
medo e pela angústia de se saber mortal...
No calendário romano é
o deus Jano que abre a fieira de deuses, o deus com duas faces, o guardião dos
portões. O deus que é sombra e luz, verdade e mentira, amor e ódio, início e
fim, um deus dialético, mesclado de tudo o que é humano.
Aqui na nossa Abya
Yala celebra-se com Inti, o deus sol, e com outros tantos das mais variadas
culturas. Os que não precisam de deuses também celebram o recomeço de um novo
ciclo. Tudo é motivo para festa e
também, como nos tempos antigos, ainda se baila nos equinócios e solstícios. É
só uma celebração, uma orgiástica celebração desta vida que temos, para a qual
somos chamados a plantar, colher, descansar e amar. Agora é verão, puro verão,
tempo de amar...
Vem o novo ano, mas o
tempo não para...Em 2015 nada vai mudar se não nos pusermos a caminho, porque a
estrada se faz assim, ao andar... Então, eu os convido ao borbulhar da
champanhe, ao doce da cana, ao perfume do vinho ou ao simples gosto da água
pura. Eu os conclamo para o ritualístico momento do primeiro momento dos restos
de nossas vidas, neste primeiro de janeiro e em cada amanhecer de todos os
dias.
Que venham as dádivas,
os terrores, os risos e as lágrimas. Nós enfrentaremos com riso, prazer e
luta.!!
*
Jornalista de Florianópolis/SC
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