terça-feira, 1 de maio de 2018

Índice


Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Doze anos, um mês e três dias de existência.


Leia nesta edição:


Editorial – Diga sim à vida.

Coluna Á flor da peleEvelyne Furtado, poema, “Recebendo a solidão.

Coluna Observações e reminiscênciasJosé Calvino de Andrade Lima, crônica, “Boemia de antigamente”.

Coluna Do real ao surreal – Eduardo Oliveira Freire, conto, “A carne é fraca”.

Coluna Porta AbertaWanderlino Arruda, crônica,Crônica e cronista”.

Coluna Porta Aberta – Wellen Barros, crônica, “Meu canto para Francisco.


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DESAFIO E PROPOSTA

Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!

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CITAÇÃO DO DIA:

Tempo é inovador 

Aquele que não aplicar novos remédios, deve esperar novos males, pois o tempo é o maior inovador. 

(Francis Bacon).




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Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.

Editorial - Diga sim à vida


Diga sim à vida


Viver é bem diferente de meramente “sobreviver”, embora muitos não percebam e nem admitam diferenças. É, entre tantas outras coisas, ser pleno, ativo, realizador e satisfazer tanto aos sentidos quanto ao intelecto; tanto ao corpo quanto à mente; tanto aos instintos quanto à razão, à alma, em sua lata acepção. É priorizar o “ser” em detrimento do “ter”, ou seja, remar exatamente contra a maré. Nem todos (eu diria que é a minoria) vivem com essa plenitude e grandeza. Mas... todas as pessoas vivas, enquanto ostentem essa condição, lutam para “sobreviver”. Isso é instintivo. Trata-se do instinto número um e não apenas do homem, mas de todos os seres vivos. A menos, claro, que se trate de suicidas, virtuais ou potenciais.

Viver é ter objetivos, funções, sonhos e ideais. É pensar, intuir e agir. É dar a vida por algo ou alguém. E o que isso significa? Muito! O escritor norte-americano Michael Drury detalha melhor do que eu esse significado, mesmo que de forma um tanto retórica: “Dar a vida significa escolher um motivo entre um mundo de possibilidades e então trabalhar pacientemente por ele, mesmo quando estamos cansados, perplexos ou amedrontados. Significa amar o que fazemos, não apenas em seus pontos altos, mas também no esforço cotidiano. Significa o apego a um objetivo, através de milhares de tempestades e incêndios, apego interior e exterior. Significa experimentar de novo até que o objetivo e a pessoa que o buscam estejam aperfeiçoados e prontos”.

Gosto desse autor. Li, há anos (na verdade, há quase meio século), um contundente artigo que escreveu, intitulado “Diga sim à vida”, publicado na edição de fevereiro de 1965 da revista "Seleções do Reader's Digest", que teve influência decisiva na minha formação e, por consequência, na minha maneira de pensar. Destaco, em particular, este trecho, pelo seu profundo conteúdo: "A vida é um processo de descobrir o que somos e o que podemos vir a ser. É muito possível que as coisas que dizemos tão decisivamente que nunca havemos de fazer sejam exatamente as coisas de que precisamos para nos completarmos. O esforço para romper padrões estabelecidos nos estimula – é um ato de criação. Se você quer conhecer-se a si mesmo, diga 'sim' à vida".

Tais recomendações podem não ser a receita, a fórmula infalível (que ademais não existe) para a felicidade. Mas não deixa de ser maneira inteligente e criativa de viver. Claro que “ser feliz” tem significados bastante diversos, dependendo de cada pessoa. Para uns, a felicidade concentra-se basicamente (e em alguns casos, exclusivamente) no ter. Este acham que contando com recursos materiais para satisfazer suas necessidades primárias e suas fantasias (o consumo do supérfluo), não precisarão de mais nada para se sentirem realizadas. Estão enganadas, claro. Porém... É o pensamento prevalente no mundo contemporâneo.

O filósofo chinês Lao-Tsé, define, por seu turno, o que muitos e muitos entendem por "ser feliz": "Ter o suficiente significa felicidade; ter mais que o necessário é desdita. Isto vale para todas as coisas, principalmente para o dinheiro". O problema, neste caso, é definir essa tal da "suficiência". O que é suficiente para uns (se é que exista alguém que se satisfaça com alguma coisa), não é para outros. Tenho pena dos gananciosos que acumulam e veneram bugigangas, não importa de que tipo ou espécie e que não poderão, queiram ou não, levar para o túmulo.

Da minha parte, prefiro investir no verbo "ser"... Quem me conhece e convive comigo sabe que não estou fazendo “tipo”. Claro que não sou maluco de sair por aí esbanjando o que consigo com grande sacrifício. Nem recomendo aos outros que façam isso. Também não rasgo e nem ponho fogo em dinheiro. Mas não faço dele, ou de qualquer bem material, objetivo dos meus esforços e ações. Não dou a vida por eles.

O escritor D. H. Lawrence – célebre por seu romance "O Amante de Lady Chaterley", que teve sua obra censurada como "pornográfica" e "atentatória à moral" e que não chegou a ver o livro ser publicado na íntegra (o que ocorreria apenas após a sua morte) – criticou acerbamente (e, diga-se de passagem, com sapiência e competência) os pressupostos baseados no "ter", em detrimento do "ser".

Escreveu: "O que queremos é destruir nossas falsas, inorgânicas relações, especialmente com o dinheiro, e restabelecer nossa relação orgânica e viva com o cosmos, o Sol e a Terra, com a raça humana e com a nação e a família". E esse era o intelectual cujas idéias foram classificadas de imorais! Quem o classificou dessa forma, todavia, mostrou, apenas, não ter a mais remota noção do significado de moralidade (além de uma burrice monumental). Ser imoral não é falar sobre sexo e erotismo, mesmo que se use linguagem escatológica ou que se recorra até à pornografia explícita, mas é deixar pessoas morrendo à míngua, enquanto temos mais do que precisamos e desperdiçamos. Isso, sim, é imoralidade.

Imoral é a paternidade (e maternidade, claro) irresponsável. É não se sentir vinculado a nada e ninguém, principalmente a pais e filhos e, por isso, deixá-los à míngua quando precisarem de auxílio. Enfim, há uma infinidade de ações imorais praticadas pelos que se arrogam em árbitros do comportamento alheio sem atentarem às próprias patifarias. Pergunto (embora sem esperar resposta): “Qual a razão do patrimônio da humanidade – que são os escassos recursos do Planeta – estar entregue a pessoas tão medíocres, sem princípios e sem ideias, que os vêm depredando de forma estúpida e sistemática? Isso não é viver. Pode, até, significar uma tentativa de sobreviver, posto que equivocada. Mas é uma sobrevivência rasteira, tacanha, indigna e viciosa, que redunda, apenas, em sofrimento e vergonha. Faça, pois, à sua maneira, o que Michael Drury recomenda: “Diga sim à vida”!!!

Boa leitura!

O Editor.


Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk

Recebendo a solidão - Evelyne Furtado


Recebendo a solidão


* Por Evelyne Furtado


Há sempre um dia
para receber a solidão
e o faço como posso.
Já a recebi com lágrimas.
Hoje a recepciono
ainda com emoção
que é melhor que o tédio
ausência ou comoção.
Enfrento-a cara-a-cara
sem medo, pois ainda
é preferível ao nada
desde que eu faça uso dela
para criar algo
que me faça companhia
nessa noite de ausências
toda minha.


* Poetisa, cronista e psicóloga de Natal/RN.

Boemia de antigamente - José Calvino de Andrade Lima


Boemia de antigamente



* Por José Calvino


- Vamos fazer menino? - disse uma prostituta. Nos anos 50/60 a vida noturna no bairro do Recife era nos bordéis, numa área popularmente conhecida como Zona (baixo meretrício), assim chamada por se tratar de uma zona portuária. Mas a boemia não era somente no antigo bairro do Recife, era nos bairros do Pina, (Outeiro de Casa Amarela…).
No Recife, na Rua das Flores, por exemplo, entre as mulheres mais cobiçadas de suas pensões, havia Creusa, uma brasileira cheia de dengos. Chamavam-na de “Dama das Camélias”. Embora sem a carruagem e o luxo de Margarita, de Alexandre Dumas, pela sua graça, seu encanto e seus chamegos, era a preferida dos “estreantes” no amor.
Carinhosamente  Creusa dizia:
- Querido, vamos fazer amor?
No nosso Brasil sempre existiram  pessoas que gostam de ler, faço cá as minhas escritas com observações sobre o comportamento do nosso povo. Perante a lei, ao menos, todos nós somos iguais, mas será? Não acredito que no nosso Brasil se tenha uma educação básica que nos prepare para vivermos felizes da vida. Observo sempre que a maioria dos que nascem neste país não tem preparo para viver dignamente, e não tem sequer o primário. Continuo dizendo que a culpa é do governo. Por que, do contrário, será que os meninos e meninas têm culpa? Claro que não. Nem tampouco, acredito, os jovens boêmios de antigamente.
 
*Escritor brasileiro.


A carne é fraca - Eduardo Oliveira Freire


A carne é fraca


* Por Eduardo Oliveira Freire


Gata, por onde anda? Te amo!

Sei que vacilei em ficar com sua prima, mas, sabe como é, gata, sou homem. É da minha natureza enfiar em todos os orifícios que encontro por aí.

Gata, para de bobagem. Tenho várias, porém, você é única.

Obs: Desculpa se te passei gonorreia. Sabe como é, sou homem e a carne é fraca.

Gata, pensei em você. Saudade do seu cheiro e de seus cabelos esvoaçantes.

Quero te levar daqui, baby. Para nos amar à beira mar.

Vamos fugir ó baby, para outro lugar.



* Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo
cultural e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/




Crônica e Cronista - Wanderlino Arruda


Crônica e Cronista

* Por Wanderlino Arruda

Há coisas na vida de que não são ganhadores os que se levantam tarde, os que não têm coragem de acordar junto com os passarinhos, ao som dos primeiros cantos ou das primeiras trinadas. Quero dizer aqueles que só abrem os olhos e os ouvidos depois das sete. Claro que perdem um pouco do melhor, da boa disposição física e mental, da própria alegria do amanhecer. Falei uma vez das empregadas que vão à padaria, dos pedreiros e serventes que vão ao trabalho de bicicleta, das respeitáveis senhoras que vão às missas, dos passantes apressados que iniciam viagens. Outros valores ainda podem ser arrolados e entre eles a cor da luz solar nascente, o vento brando e gostoso, o orvalho dos jardins, a própria existência humana que, de manhã, é mais interessante.

Mas o que quero mesmo dizer é de um programa educativo que a Globo vem fazendo, pela Fundação Roberto Marinho, todas as manhãs, de segunda a sexta, durante meia hora, antes do Bom Dia Brasil, também bastante direto e instrutivo. Falo das aulas destinadas aos alunos do segundo grau, de diversas matérias, um primor de didática, tudo preparado por gente que sabe onde está e anda o nariz. Um dinamismo que dá gosto! Cores, movimentos, sons, repetições bem feitas que não permitem ao espectador deixar de aprender. Neste ponto, a televisão tem seu melhor papel, a utilidade pública que lava todos os pecados dos horários enlatados e alienizantes. Geografia, História, Ciências, Educação, Língua Portuguesa, Literatura, excelente elenco de conhecimentos.

De Literatura, por exemplo, a Globo apresenta o que há de mais prático e convincente. Costumo até dizer aos meus companheiros de café, que saem depressa para o colégio, que uma aula preparada para o vídeo vale por algumas que um sofrido professor prepara para o esforço ao vivo, pois nunca seus recursos poderão comparar aos de que a televisão dispõe. Livros e autores, paisagens e costumes, sentimentos e gestos, tudo no melhor colorido, passa como um desfile maravilhoso em roupa de gala e luxo, prazerosamente limpinho e enxuto. Atores e declamadores profissionais, bem ensaiados, não deixam os textos em prejuízo de uma vírgula sequer.

Ainda nesta semana, o que passou sobre a experiência de Rubem Braga no jornalismo e na crônica não tem similar. Seu famoso escrito de mais de vinte anos – uma carta ao prefeito do Rio de Janeiro – foi uma delícia, o que até hoje pude ver de melhor em metodologia de redação. Alguns minutos que valem por uma vida de estudos. Como a apresentação do Rio de Janeiro formou um cenário inimitável para a ordem da escrita! A beleza, a pressa, a violência, o romantismo e a malícia do carioca deram a Rubem Braga as condições de deslizar no texto como quem mergulha ou nada em águas translúcidas, sem esconder qualquer mistério. Sendo viva, a crônica tem de espelhar a realidade, o cotidiano, aquele ângulo de visão que o leitor sempre acha que poderia ter sido escrito por ele. Uma espécie de ponto de vista comum, feito naturalmente com arte e bom gosto. Como fez e faz Rubem Braga sempre!

Assim, dois convites, minha senhora. Levantar cedo, observar e... quem sabe, redigir o mais alegre do nosso viver!


Escritor, advogado, político e professor, radicado na cidade de Montes Claros, tendo sido o idealizador e primeiro presidente do Instituto Histórico e Geográfico e da Academia Maçônica de Letras do Norte de Minas.

Meu canto para Francisco


Meu canto para Francisco


* Por Wellen Barros


Gostaria de compartilhar com você, amigo leitor, a oportunidade de reflexão que a minha profissão de Cantora Lírica proporcionou nesse evento da Igreja Católica chamado Jornada Mundial da Juventude - Julho de 2013.

A princípio soou-me como um fato curioso, afinal, é o novo pontífice da Igreja Católica em sua primeira viagem internacional como chefe de Estado.


Em que “contexto protocolar” estaríamos inseridos?

Providencialmente pude acompanhar, pela primeira vez na minha vida, todas etapas do conclave através dos meios de comunicação e, para minha satisfação, acompanhei desde os primeiro momentos em que o mundo pode ver a famosa fumaça branca. O argentino Jorge Bergoglio era o novo Papa.

Papa Francisco, de formação da Companhia de Jesus, adotou para o seu pontificado o nome Francisco, inspirado em São Francisco de Assis.

Não diferente do jovem revolucionário Francisco de Assis, Jorge Bergoglio tem uma grande Missão.

Em pleno século XXI, em meio a tantos conflitos dentro da própria Igreja e no mundo, Jorge Bergoglio traz uma característica peculiar – agregar.

Talvez seja esse seu principal carisma. Não foi em vão seu primeiro gesto, já como novo pontífice de Roma, ao pedir as bênçãos de todos os presentes ali na praça de São Pedro.

Jorge Bergoglio sabe o que terá de enfrentar dentro e fora da Igreja, porém, seguindo verdadeiramente os ensinamentos de Jesus Cristo, não teme. A começar, por romper com uma fé protocolar e, simplesmente através de atos e atitudes, usar de sua autenticidade cristã.


Sua primeira visita internacional


Nos ensaios foi-nos informado que cantaríamos num evento da Jornada Mundial da Juventude em que o Papa Francisco se encontraria com líderes da sociedade em nosso local de trabalho – Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

A princípio, uma sensação de surpresa somada a uma inquietação, pois era a primeira vez que um Papa pisaria no palco do Theatro Municipal na presença de cantores e músicos instrumentistas em plena atividade.

Mas, uma vez providencialmente, pensei ser um momento de muita reflexão, pois trabalho com arte e o veículo condutor do trabalho do artista é a emoção. Emoção essa que é alimentada pela sensibilidade desenvolvida ao longo de uma vida de estudo e dedicação.

De modo muito pessoal concordo com as sábias palavras de Yung, quando ele diz que o artista não tem livre arbítrio, pois a arte é quem o escolhe. Daí, minha reflexão em um momento bastante crítico que os artistas do Theatro Municipal do Rio de Janeiro enfrentam e que vem se estendendo desde a última mudança governamental ocorrida nos idos de 2007.


O Encontro


Nesse encontro, Jorge Bergoglio foi enfático ao dizer que via a memória e a esperança naqueles líderes que lá estavam: a memória do caminho e da consciência da sua Pátria e a esperança que esta Pátria, sempre aberta à luz do Evangelho, possa continuar a desenvolver-se no pleno respeito dos princípios éticos fundados na dignidade transcendente da pessoa.

Memória e Esperança. É papa Francisco que fala, para minha realidade profissional, o artista brasileiro, clama de diversas formas para que o povo brasileiro não perca essas duas colunas essenciais para a sua formação como cidadão.

A arte é uma grande aliada, nesse aspecto, pois um povo sem memória é facilmente manipulado, por interesses ditatoriais maquiados pela ilusão do crescimento econômico.

Quando Jorge Bergoglio menciona que a memória do passado e a utopia na perspectiva do futuro se encontram no presente, é uma forma de nos convocar à responsabilidade da nossa profissão como formadores de opinião.

Suas palavras foram dirigidas a todos que ali estavam -“quem tem um papel de responsabilidade em uma nação está chamado a enfrentar o futuro “ com olhar tranquilo de quem sabe ver a verdade”(Alceu Amoroso Lima).

Jorge Bergoglio falou também em originalidade de uma tradição cultural.

De fato, é fundamental não perder de vista o que há de mais significativo num povo, numa raça. Ousaria dizer o seu aspecto humano na totalidade.

É preciso fazer o hoje em bases sólidas para enfrentarmos o futuro. Que futuro?

Nesse momento me reporto para o drama encenado nesse mesmo palco em que se encontra o papa Francisco. Ópera do maestro italiano Giuseppe Verdi – Nabuccodonosor. Ópera em quatro atos, cada qual contendo um subtítulo e uma breve citação do livro de Jeremias.

Ali, dramas vividos pelo domínio do poder, ora religioso, ora aristocrata, não diferem muito da realidade em que o papa Francisco se encontra atualmente no seu apostolado.

O Papa Francisco faz um comentário sábio ao enfatizar que aquele que a vida “escolheu” como guia, deve ter objetivos concretos e buscar os meios específicos para alcançá-los, mas há o perigo da desilusão, da amargura, da indiferença, quando as expectativas não se cumprem. Devemos recorrer à dinâmica da esperança que nos impulsiona a ir sempre além.

O caminho que se deve percorrer na arte chega muito perto das palavras do Papa Francisco, pois a arte é solidária. Não se faz arte se não houver diálogo e o diálogo promove o encontro.

De fato foi um encontro poder cantar para Jorge Bergoglio e ver de perto a simplicidade integral de um ser humano que despertou o melhor de mim no meu canto para Francisco.

* Cantora do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Possui formação em Piano e Harmonia pelo Conservatório de Música de Niterói. Estudou interpretação Operística, História da Ópera, História da Música e Canto Lírico no Rio de Janeiro. Como professora do Conservatório de Música, desenvolve projeto de Apreciação Musical junto a estudantes de ensino médio e universitários. É pesquisadora de dança e música, e escreve artigos para o Theatro Municipal sobre ópera, música sinfônica e ballet. Como pesquisadora, atualmente desenvolve um projeto de estudo e pesquisa sobre a arte do ballet e do canto.