sábado, 1 de outubro de 2016

Literário: Um blog que pensa

(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)

LINHA DO TEMPO: dez anos, seis meses e três dias de existência.


Leia nesta edição:

Editorial – Ruas perdidas no tempo.

Coluna Direto do Arquivo – Pablo Uchoa, crônica, “Fantasmas”.

Coluna Clássicos – Aloísio de Castro, poema,“Ars suprema”.

Coluna Porta Aberta – Clóvis Campêlo, crônica, “Admirável mundo novo”.

Coluna Porta Aberta – Flora Figueiredo, poema, “Saudação”.

Coluna Porta Aberta – Glauco Mattoso, poema, “Soneto 5º futebolístico”.

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Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária”José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas”Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com
Aprendizagem pelo Avesso”Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
“Um dia como outro qualquer”Fernando Yanmar Narciso.
“Cronos e Narciso”Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br
“Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br


Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk.As portas sempre estarão abertas para a sua participação.






Ruas perdidas no tempo

  
As ruas da Campinas atual estão perdendo o encanto que um dia me despertaram. Continuo amando de paixão esta cidade, mas... Há tempos que esses caminhos que tantas vezes trilhei já não são mais um lugar seguro para mim e para os demais moradores e/ou transeuntes. Antes, quando a cidade era um burgo pacato e acolhedor, embora com inequívoca vocação para o progresso, era comum ver casais de namorados passeando tranqüilos, de mãos dadas, ao cair da tarde, à saída das matinês dos cinemas ou das aulas de uma escola (a normal, por exemplo). Hoje, esse curso nem mesmo existe mais, e há tempos.

Bandos de estudantes, que não tinham a menor preocupação com segurança, saíam tarde da noite, por exemplo, dos colégios Cesário Mota, Ateneu Paulista, Bandeirantes ou de outros que agora existem apenas na nossa memória. Foram derrubados para virar praças ou espigões ou nem mesmo isso. Acabaram vencidos pela febre de expansão urbana. Nesse tempo, não tão distante assim, velhinhos podiam caminhar tranqüilos, com seus passinhos miúdos, despreocupados e sonhadores, antes do jantar. Hoje, ninguém seria tolo de cometer tamanha temeridade. A própria vida tinha outro compasso então, que era o do nosso coração.

Cito minha experiência pessoal (que muitos não gostam quando o faço) porque, óbvio, conheço a fundo (pudera!) mais do que ninguém aquilo que vivi. Muito mais, logicamente, do que a ditada por mera observação. Há exatos 50 anos, em 1966, eu cursava o terceiro e último ano do antigo curso científico – o atual segundo grau, ou ensino médio – no Colégio Ateneu-Cesário Mota. Essas duas tradicionais escolas campineiras haviam sido “fundidas”, no início do ano. Em 1965 ambas estavam, ainda, separadas e eram ferrenhas concorrentes.

O Cesário Mota foi desapropriado para o alargamento da Júlio de Mesquita. Concluí o científico um tanto tarde, por uma série de problemas pessoais, que nada tinham a ver com a vida escolar, mas que não vêm ao caso. E por que trago isso à baila, neste espaço voltado à Literatura? Explico. Na época, eu residia na Fazenda São Francisco, da Rhodia, empresa na qual trabalhava. Daí ter que estudar à noite. Para voltar para casa, em 1965, tinha que atravessar, a pé, e praticamente de madrugada, parte considerável da cidade. O Cesário Mota ficava no Cambuí e o ônibus da empresa Bonavita para a Rhodia (que saía à meia-noite e meia), tinha seu ponto nos arredores da estação ferroviária. No ano seguinte, com a fusão do Ateneu com o Cesário Mota, o trajeto encurtou, mas não muito.

Nesses dois inesquecíveis anos, jamais, em noite alguma, fui abordado por quem quer que fosse, para absolutamente nada. Minha integridade física nunca esteve em risco. Foram, inclusive, inúmeros os poemas que compus (mentalmente) nessas estafantes caminhadas noturnas, passados posteriormente para o papel tão logo chegava à estação da Bonavita. Fico imaginando o que poderia me acontecer hoje, caso precisasse caminhar tanto e a horas tão impróprias. A cidade mudou. O mundo mudou. Tudo hoje é diferente e ainda não concluí se as mudanças foram para melhor ou não. Às vezes, penso que sim. Tenho, no entanto, sérias dúvidas a respeito.  Saudosismo a parte, desconfio que a realidade atual seja muito pior. Pelo menos no que diz respeito à segurança. As pessoas, a mentalidade e a realidade desta cidade que tanto amo são outras. E, claro, eu também mudei bastante, embora não saiba se para melhor ou para pior.         

Érico Veríssimo, no romance "Olhai os lírios do campo", afirma, através de um dos seus personagens: "Há qualquer mistério nas ruazinhas desertas e mal alumiadas, nas velhas casas coloniais de fachadas sombrias. Cachorros latem. As portas iluminadas duma venda. O vulto da igreja antiga. Sempre uma sugestão de Deus, dentro e fora de nossos pensamentos". Hoje, insisto, tudo mudou! Não apenas em Campinas, mas em outras cidades onde a mudança foi até mais dramática ainda. Transformaram-se, de lugares aprazíveis e tranqüilos, em meros "depósitos de gente". Quem, por exemplo, se atreve, hoje em dia, a passear pelas "ruazinhas desertas e mal alumiadas" dessa gigantesca e cada vez mais violenta metrópole? Eu não me atrevo!

Em nosso caso específico, pode haver de tudo, menos, como diz Érico Veríssimo, "sempre uma sugestão de Deus, dentro e fora de nossos pensamentos", se cometermos a temeridade de caminhar, mesmo que em plena luz do dia, por lugares lôbregos, desertos e sombrios, como eu fazia, diariamente, sem receio ou preocupação. Hoje, o sentimento que toma conta do incauto que se atreve a embarcar nessa aventura é o de medo de ser assaltado ou de coisa pior. Convenhamos: é uma lástima!

No início do século XX havia, em todo o mundo, cerca de uma a duas dezenas de concentrações urbanas com mais de 1 milhão de habitantes. Hoje, elas já são mais de cem, e continuam inchando. Algumas estão tão superdimensionadas a ponto de terem populações superiores, inclusive, às de países inteiros. É o caso da Cidade do México que, sozinha, tem mais habitantes do que o Peru e a Bolívia somados!

Que tipo de vida se pode ter num lugar assim, ruidoso, fumarento, inseguro e violento? O ex-prefeito de Roma e historiador de arte, Giulio Carlo Argan, disse, a esse propósito, numa entrevista: "Do meu ponto de vista, as cidades deveriam ter um limite de expansão, também porque além daquele limite – que eu diria entre 2 milhões e 3 milhões de habitantes – é muito difícil haver governo democrático na cidade". Diríamos que as dificuldades são extensivas a tantas outras coisas. Uma delas é a saudável convivência. Talvez a população ideal seja ainda menor do que 3 milhões. Não diria 50 mil, como defendia Platão, pois essa cifra poderia ser adequada para o seu tempo, mas não aos dias atuais. Quem sabe o melhor seria que os centros urbanos não tivessem mais do que 500 mil habitantes, por exemplo.

O arquiteto Paulo Archias Mendes da Rocha, em seu livro "Memórias", faz uma observação pertinente, que nós, campineiros, deveríamos levar muito a sério: "A cidade é uma idéia, ela não existe. É uma invenção do homem. Se não gostamos dela, temos de fazer uma outra. A esperança é essa. Saber que sabemos fazer desta uma outra". Compete-nos, portanto, fazer uma "outra" Campinas, que nos pertença de fato, e não aos violentos, aos bandidos, aos marginais, aos ladrões, aos seqüestradores e a todos os malucos e mal-intencionados que há por aí. Desta, a atual, mais violenta do que 25 capitais de Estado do País, certamente não gostamos! Eu, pelo menos, não gosto! E nem poderíamos gostar, a menos que tivéssemos graves impulsos suicidas..

Como seria bom podermos voltar a caminhar tranqüilos pelas ruas da nossa cidade, a qualquer hora do dia ou da noite, como em passado ainda relativamente recente, sem riscos de assaltos ou de atropelamentos! Ou pelo menos sem aborrecimentos. Apreciar o céu, as nuvens, as árvores, os monumentos, os tipos humanos... Ter oportunidade de valorizar o que de bom e agradável Campinas pode nos proporcionar (ainda pode, mas não se sabe por quanto tempo mais). Encontrar amigos, fazer novas amizades, empreender conquistas, valorizar o lado bom dos nossos semelhantes. Fazer do lugar em que moramos o nosso mundo e não somente fonte permanente de neuroses e preocupações.

Como seria bom poder exclamar, como Paul Verlaine: "Que azul é o céu, quão grande é a esperança!" Hoje, só podemos desabafar como o poeta Mário Quintana: "Antes, todos os caminhos iam. Agora, todos os caminhos vêm. A casa é acolhedora e os livros, poucos. E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas". É só o que nos resta fazer...Tomarmos chá com os fantasmas, discretamente, e bem escondidinhos em nossas casas. E olhem lá!


Boa leitura!


O Editor.

Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk

Fantasmas


* Por Pablo Uchoa


O Medeiros nunca me respondeu quando eu perguntei quem era ele.

Medeiros ou Astolfo, agora tanto faz, mas em outras épocas o homem de paletó azul marinho e gravata marrom não saía da minha cabeça, e eu tentava loucamente responder a essa pergunta.

Para mim era um burocrata, desses de repartição mal-iluminada e cheirando a suor de ônibus lotado com cigarro, isso ainda existe? Ninguém fuma mais...

Mas no fim engavetei o Astolfo ou Medeiros antes mesmo da concepção, sem dedicar-lhe sequer a primeira linha. O homem ficou apenas no rascunho, traços de lápis “crayon” no papel vegetal, foi-se.

E no entanto a semana avançou, impiedosa.

A folha em branco do computador às vésperas do “deadline” me recorda que eu devia ter agarrado o Astolfo ou Medeiros para tirar alguma história, umazinha sequer. E se eu contasse um caso antigo e dissesse que é novo?

Nessas horas me vêm à cabeça os passos curtos e compenetrados de um certo cronista que entra diariamente pela porta da redação, e sai pouco depois tendo deitado na folha em branco dois ou três galalaus de parágrafo que o editor espaça e titula.

Como diabos ele faz isto, é um enigma para mim.

Nada mais libertador que deitar um Astolfo ou Medeiros inteiros no branco de uma página, e beber uma cerveja aliviada no happy hour.

Certa vez, consegui ressuscitar uma personagem nascida há coisa de quinze anos, e isto me deixou feliz. Eu já não agüentava mais aquelas mãos pequenas que na história se inclinavam a buscar o maço de cigarros vermelhos, sonhava com aquilo, já.

Devo ter vivido uma milionésima parte do que sentiu o matemático John Nash ao finalmente encontrar um meio de conviver com os fantasmas de sua esquizofrenia.

A coisa parece ter piorado depois que inventaram estes dispositivos ultrapráticos de armazenamento de informação – “pendrives”, “minidiscs” e afins. Agora, multiplicam-se fantasmas arquivados em parágrafos de arquivo Word que nunca formarão um conjunto, como um braço sem cotovelos.

É a reedição de outra encrenca que surgiu há mais tempo, com aqueles mini-gravadores de voz, e graças a Deus, aparentemente, desapareceu.

Mas escritor que era escritor portava um, para o caso de surgir uma idéia em hora inapropriada.

Hoje, revejo velhos “mapas mentais” e me pergunto se eram arremedo de crônica, conto ou apenas efeito do álcool.

Tudo não passa de traço disforme e sem graça, Astolfos e Medeiros incompletos e de gestos inconclusos, como a menina que por quinze anos ficou parada entre o encosto da cadeira e o maço de cigarros vermelho, ainda por cima em uma posição incômoda, doída.

Pensando bem, acho que o cronista que vejo diariamente caminha compenetrado na redação para desviar do olhar dos fantasmas que se lhe acercam cada vez que ele se senta ao monitor. Que pelo menos os fantasmas dele sejam mais agradáveis que os meus.

Astolfo ou Medeiros, burocrata de repartição pública mal-iluminada e cheirando a cigarro, veja lá se isso é gente para se aturar por muitos anos.

(*) Cronista e editor do site www.narizdecera.jor.br. Vive atualmente na Inglaterra, dedicando-se a pesquisas no Institute for the Studies of the Americas, da Universidade de Londres. Autor do livro-reportagem “Venezuela: A Encruzilhada de Hugo Chávez” (Ed. Globo, 2003), menção honrosa no prêmio Vladimir Herzog 2004.



Ars suprema

* Por Aloísio de Castro


Este, nos duros mármores polidos,
Dos deuses animou a efígie augusta
E aos monumentos deu a linha justa,
No bronze que memora os tempos idos.
Este no escrínio pôs a arte que ajusta
Paciente as gemas, este aúreos tecidos
Broslou, este da taça os esculpidos
Relevos rebruniu, este venusta
Imagem nos painéis, em obras-primas,
A cores debuxou no molde terso;
Mas este, o sumo artista, este as opimas
Formas lavrou, na inspiração diverso,
E perfeito, elegendo as pulcras rimas,
De pérolas e estrelas fez o verso.

(Rimário, 1926).


* Professor e poeta. 
Admirável mundo novo


* Por Clóvis Campêlo


O ovo da serpente está na chocadeira. Creio que devemos aguardar, já que não nos restam muitas outras opções. Como toda máquina irracional, a chocadeira limita-se a cumprir o papel que lhe foi designado, sendo para ela indiferente a origem do ovo a ser chocado e, muito menos, as intenções de quem lá o colocou. Afinal, não deve caber à máquina desafiar a determinação humana.

Se aos venenos cabe a função de autodefesa, inerente a muitas espécies, a peçonha difere por ser um instrumento de ataque e domínio. Por conseguinte, é muito mais mal-intencionada. Isso, analisando as questões sob a lógica ilógica do ser humano, pois aos animais não cabem questionamentos sobre o que a natureza lhes destinou. Se a composição existe é porque a ela cabe alguma função equilibrante no seio das coisas naturais. A perfídia é unicamente humana. Afinal, evoluímos para que?

Pensar, contrapor definições, arquitetar planos, tudo isso faz parte da natureza humana. Aos animais, cabe apenas o instinto de preservação da espécie e de sobrevivência do indivíduo. As leis que regem isso não se transformam ao sabor das conveniências, embora possam evoluir e sofrer transformações decisivas. No equilíbrio persistente da natureza, não há lugar para subterfúgios.

O subterfúgio escamoteia as várias faces da verdade, criando um ilusório jogo de espelhos e de falsas imagens e concepções. Muitos se perdem por aí. Muitos se arrependem depois, embora não tenham a noção do mal causado aos outros ou a si próprios e busquem explicações idiotas ou a autopunição, perdidos no vácuo inútil a que foram atirados por si mesmos.

Aos animais, também não cabe a inocência. As suas mentes animais não acumulam informações e atitudes inúteis e desnecessárias. Submetidos às tensões constantes da guerra da sobrevivência, exercitada diuturnamente, não lhes cabem definições românticas ou imbecis. É correr ou morrer.

Se nós, humanos, no uso imperfeito dos 10% da nossa cabeça animal, não tivéssemos exagerado na elaboração de tantas regras sociais inúteis e enganosas, talvez não estivéssemos hoje perdidos dentro de nós mesmos, nesse labirinto imagético. Essa ilusão nos leva a pensar que nem mesmo precisamos nos preocupar com as nossas sobrevivências. As instituições e as normas é que devem cuidar disso. Então, para que alimentar angústias? Nem mesmo conseguimos mais explicar os erros de percurso. Acompanhamos a boiada nessa vida de gado marcado. Ah!, admirável mundo novo.

Alguns acham que mesmo assim evoluímos. As novas gerações se distinguirão pela capacidade de abstração e domínio dessa nova realidade virtual e positivamente esquizofrênica (se isso for possível!). No entanto, será cada vez mais difícil e impossível estarem aqui e agora. E as suas sobrevivências poderão estar cada vez mais ameaçadas pelo tipo de comportamento mental adotado. Afinal, será mais fácil caçar pokémons do que fugir instintivamente dos perigos da vida real.

Seremos mais felizes, então? Pouco importa! Os artefatos químicos darão conta disso. Afinal, eles também são comercialmente viáveis.

Recife, setembro 2016

* Poeta, jornalista e radialista.


Saudação


* Por Flora Figueiredo


Lá está ela de novo
a anunciar a Primavera chegante.
Poeta e caminhante,
em reverência, eu a saúdo.
Pétala, plena, florescência,
voltamos a cada ano,
apesar de tudo.

* Poetisa, cronista, compositora e tradutora, autora de “O trem que traz a noite”, “Chão de vento”, “Calçada de verão”, “Limão Rosa”, “Amor a céu aberto” e “Florescência”; rima, ritmo e bom-humor são características da sua poesia. Deixa evidente sua intimidade com o mundo, abraçando o cotidiano com vitalidade e graça - às vezes romântica, às vezes irreverente e turbulenta. Sempre dentro de uma linguagem concisa e simples, plena de sutileza verbal, seus poemas são como um mergulho profundo nas águas da vida.


Soneto 5º futebolístico

* Por Glauco Mattoso


Machismo é futebol e amor aos pés.
São machos adorando pés de macho,
e nesse mundo mágico me acho
em meio aos fãs de algum camisa dez.

Invejo os massagistas dos Pelés
nos lúdicos momentos de relaxo,
servindo-lhes de chanca e de capacho,
levando a língua ali, do chão no rés.

É lógico que um cego como eu
não pode convocar o titular
dum time brasileiro ou europeu.

Contento-me em chupar o polegar
do pé de quem ainda não venceu
sequer a mais local preliminar.



* Poeta, ficcionista, ensaísta e articulista em diversas mídias. Pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva (paulistano de 1951),o nome artístico trocadilha com "glaucomatoso" (portador de glaucoma, doença congênita que lhe acarretou perda progressiva da visão, até a cegueira total em 1995), além de aludir a Gregório de Matos, de quem é herdeiro na sátira política e na crítica de costumes.