sábado, 1 de junho de 2013

Literário: Um blog que pensa

LINHA DO TEMPO: 7 anos, dois meses e cinco dias de existência.

Leia nesta edição:

Editorial – Gênero mais atual do que nunca.

Coluna Direto do Arquivo – Aliene Coutinho, crônica,“Dá para ser simples?”.

Coluna Clássicos – Walt Whitman, poema, “Milagres”.

Coluna Porta Aberta – Urda Alice Klueger, crônica,“Telinha nacional”.

Coluna Porta Aberta – Clóvis Campêlo, poema, “Submerso”..

Coluna Porta Aberta – Paulo Reims, artigo “A Venezuela e a CIA”.

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Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária” José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas”Edir Araújo – Contato: edir-araujo@hotmail.com "Aprendizagem pelo Avesso” Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
 “Cronos e Narciso” Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br
“Lance Fatal” – Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br


Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk.As portas sempre estarão abertas para a sua participação.

Gênero mais atual do que nunca

O leitor atento e curioso, que leu os trechos do ensaio que escrevi em 1986 – e que publiquei no jornal “Correio Popular” de Campinas, na edição de 26 de outubro daquele ano – sobre a origem da ópera, está se perguntando: “na atualidade, em pleno século XXI, ainda há quem componha peças desse gênero?”. Respondo: há e muitos. Os recursos tecnológicos atuais, de comunicação e, sobretudo, de gravação de sons e imagens, consolidaram, de vez, esse tipo de obra artística.

Claro que, como ocorria na época do seu surgimento, há público específico para essa forma de representação (como há para todo e qualquer tipo de música, seja erudita ou popular e, por extensão, de arte, visual ou sonora ou reunindo ambos recursos simultaneamente). Mas, até em decorrência da vertiginosa expansão da população mundial, os apreciadores de óperas atuais, mesmo sendo relativamente restritos, em termos absolutos são em quantidade muitíssimo maior do que nos primórdios da criação do gênero. Naquela época, o Planeta abrigava, se tanto, 500 milhões de habitantes. Hoje, conta com mais de sete bilhões!

Antes de tratar do panorama atual da ópera, não abordado, claro (por razões óbvias) no meu ensaio de 1986, peço licença para reproduzir mais alguns trechos do referido texto, abordando (e comentando) o desenvolvimento do gênero no século passado, até chegar ao estágio de hoje, Nos albores dos anos 1900, esse tipo de peça, reunindo, simultaneamente, drama e música, parecia esgotado. A sensação era a de que todas as inovações possíveis e imagináveis (das quais citei somente algumas e, assim mesmo de passagem) já haviam sido feitas e que não havia mais nada a inovar. Havia visíveis sintomas de decadência e decrepitude. O público exigia novidades, pelas quais se mostrava ávido. E não tardou em ser atendido.

Uma renovação inesperada viria a ocorrer, conduzida por Claude Debussy, com sua ópera “Pelléas et Melissande”. O grande mérito dessa produção antológica foi o texto de Maurice Maeterlinck, que revolucionou o estilo de escrita operística. Os principais méritos dessa composição, além do libreto com elevadíssimo conteúdo poético, foram a declamação sem o lirismo exagerado que prevalecera até então e a sutilização no acompanhamento orquestral. Apesar de não deixar sucessores, o compositor francês influenciou decisivamente a ópera moderna, com os novos conceitos que implantou.

No século XX, surgiram geniais autores, que não ficaram nada a dever a um Mozart, um Wagner, um Verdi e a outros tantos monstros sagrados da música clássica. Muitos estão, ainda, em plena atividade, compondo óperas de grande sucesso para um público específico, raramente divulgadas nos meios de comunicação de maior penetração. O que chama a atenção é a capacidade de “renascimento” do gênero, nos momentos críticos em que tudo parecia indicar que estivesse ameaçado de extinção. Ainda que mal comparando, considero a ópera uma espécie de “fênix” das artes, sobretudo da musical: sempre que prestes a se extinguir, “renasce das próprias cinzas”, com maior vigor e criatividade do que antes.

Na trajetória do gênero, notadamente na passagem de um século para outro, não podem ser omitidos compositores como os brasileiros Antonio Carlos Gomes (ilustre filho de Campinas, onde seus restos mortais repousam em mausoléu construído para esse fim) e Leopoldo Miguez. Nem de compositores do porte de Giácomo Puccini, de Ruggero Leoncavallo, de Pietro Mascagni, de Bela Bartok, de Serguei Prokofiev, de Alban Berg (cuja composição “Wozzek” foi considerada, por muito tempo, pelos especialistas, como a única ópera radicalmente moderna) e do norte-americano George Gershwin, com sua marcante composição “Porgy and Bess”. Poderia citar, neste caso, mais algumas dezenas de nomes que não haveria nenhum exagero.

De 1950 para cá, foram encenadas dezenas de peças que são preciosas pérolas operísticas contemporâneas (infelizmente pouquíssimo divulgadas pelos principais meios de comunicação). Mas os amantes do gênero tiveram a oportunidade de conhecer e de se deliciar com elas (tive o privilégio de assistir e de satisfazer minha insaciável fome estética com algumas delas).

Numa relação um tanto aleatória, posso citar como marcantes composições da segunda metade do século XX, as seguintes: “O Cônsul”, de Giancarlo Menotti (estreada em 1° de março de 1950), “O prisioneiro”, Luigi Dellapicola (20 de maio de 1950), “A carreira do libertino”, Igor Stravinsky (11 de setembro de 1951), Pedro Malasarte, Camargo Guarnieri (27 de maio de 1952), “The Midsummer Marriage”, Michael Tippet (27 de janeiro de 1955), “O diálogo das carmelitas”, Francis Poulenc (26 de janeiro de 1967), Moisés e Arão”, Arnold Schoenberg (15 de janeiro de 1958), “Vanessa”, Samuel Barber (15 de janeiro de 1958), “Aniara”, Karl Berger Blomdahl (31 de maio de 1959), “A compadecida”, José Siqueira (11 de maio de 1961), “Elegia para jovens amantes”, Hans-Werner Henze (20 de maio de 1961), “Os soldados”, Bernd-Alois Zimermann (15 de fevereiro de 1965), “Yerma”, Heitor Villa-Lobos, com libreto original de Federico Garcia Llorca (estreada em Santa Fé, nos Estados Unidos, em 12 de agosto de 1971 e no Brasil em 1983), “O chalaça”, Francisco Mignone, “Memórias de um sargento de milícia”, também de Mignone, “Mary Queens of Scots”, de Thea Musgrave e vai por aí afora.

Boa leitura.

O Editor

Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk.


Dá para ser simples?

* Por Aliene Coutinho 


Aos 50 anos ele finalmente encontrará o cantinho dos seus sonhos. Uma casa pequena de dois quartos, sala, cozinha, banheiro, varanda, típica do interior, de telhado vermelho, sem eira, nem beira, como os antigos chamavam a moradia dos mais simples. Estava pintada, limpinha e no quintal tinha goiabeira, bananeira, coqueiro e um poço para guardar a água da chuva. Se apertasse os olhos ele enxergava, depois do cercado, um córrego que cortava as pedras que ficavam ao pé da serra que cercava a região. O vizinho mais próximo morava a quase um quilômetro. Só se ouvia a natureza.  Parecia poesia, ou um quadro de Poteiro, colorido, simples, quase rústico que o levava a pensar em suas raízes, no avô, bisavô, que com certeza cresceram em terras como aquelas.

Há um ano ele estava bem longe dali. Morava em uma cobertura de quatro quartos, num dos bairros mais chiques da capital do País. Tinha carro importado, e as paredes do apartamento ostentavam quadros de muitos artistas consagrados, estrangeiros e nacionais. Ele investia quase tudo que ganhava em obras de arte. Trabalhava em uma grande empresa, ganhava muito dinheiro e também colecionava diplomas: dois de graduação: administração e direito, algumas pós-graduações, inclusive na França e nos Estados Unidos, sem falar em Mbas. Gostava de ler, falava fluentemente inglês, francês e espanhol, e antes de mudar estava aprendendo mandarim. Era um homem da cidade.
 
Um belo dia olhou para trás. E nada viu. Apertou mais ainda os olhos. E nada viu. Não tinha filhos, nem mulher. E muitos dos que o cercava não poderiam ser chamados de amigos. A família estava longe, mal se viam, ou se falavam. Os pais morreram e os irmãos se espalharam pelo mundo. Andava estressado, sem vontade de voltar para casa chegava a trabalhar até 12 horas por dia, estava mal-humorado, e insone passou noites caminhando pelas salas da cobertura tentando descobrir o que faltava em sua vida. E foi numa dessas noites sentado a frente de um original de Antônio Poteiro, de casinhas coloridas, homenzinhos vestidos  para o bumba-meu-boi, e outros como soldados, cercados de muito verde,  decidiu mudar de vida. Queria o que houvesse de mais simples.

Assim foi se desfazendo de tudo que tinha. Ele começou vendendo os móveis, tvs de plasma e outros eletrodomésticos, coisinhas da modernidade como Ipods, mp3, mp4, computadores, depois os quadros, os carros, o apartamento. Doou uma parte para um abrigo de velhinhos, o resto ele colocou na poupança. Ao sair do banco não pôde deixar de rir ao pensar na pouca rentabilidade do investimento, e ao mesmo tempo, no risco de um outro confisco. Mas, é assim que fazem as pessoas mais simples. No mapa do Brasil, escolheu uma das cidades onde viveram seus antepassados: Ingá, no agreste paraibano, conhecida pelos vestígios de civilizações pré-históricas marcados nas pedras Itacoatiara – museu rupestre a céu aberto. Uma volta ao passado, às origens, que ele escolheu fazer por conta e risco.

Com pouco dinheiro no bolso, fez a viagem de Brasília a João Pessoa de ônibus. E de lá, mais 80 quilômetros até Ingá. Escolhera a casa mais isolada, longe do centro do município de cerca de 17 mil habitantes. Comprou em um armazém  algumas ferramentas para fazer uma horta, utensílios de cozinha, lençóis e tolhas. Providenciou cama, rede, estante para os poucos livros que trouxera. Em uma manhã arrumou a casa nova, deixou para desfazer a mala por último. No fundo dela estavam os diplomas, e enrolada num pedaço de cetim uma tela do Poteiro, que ele pregou direto na parede da sala. Os diplomas, esses eles deixou dentro da mala, embaixo da cama, de onde sem fazer muito esforço, ele via da janela uma vida bem diferente para viver.

* Jornalista e professora de Telejornalismo.
       



Milagres

* Por Walt Whitman

Ora, quem acha que um milagre é alguma coisa de especial?
Por mim, de nada sei que não sejam milagres:
ou ande eu pelas ruas de Manhattan,
ou erga a vista sobre os telhados
na direção do céu,
ou pise com os pés descalços
bem na franja das águas pela praia,
ou fale durante o dia com uma pessoa a quem amo,
ou vá de noite para a cama com uma pessoa a quem
/amo,
ou à mesa tome assento para jantar com os outros,
ou olhe os desconhecidos na carruagem
de frente para mim,
ou siga as abelhas atarefadas
junto à colmeia antes do meio-dia de verão
ou animais pastando na campina
ou passarinhos ou a maravilha dos insetos no ar,
ou a maravilha de um pôr-de-sol
ou das estrelas cintilando tão quietas e brilhantes,
ou o estranho contorno delicado e leve
da lua nova na primavera,
essas e outras coisas, uma e todas
— para mim são milagres,
umas ligadas às outras
ainda que cada uma bem distinta
e no seu próprio lugar.

Cada momento de luz ou de treva
é para mim um milagre,
milagre cada polegada cúbica de espaço,
cada metro quadrado da superfície da terra
por milagre se estende, cada pé
do interior está apinhado de milagres.

O mar é para mim um milagre sem fim:
os peixes nadando, as pedras,
o movimento das ondas,
os navios que vão com homens dentro
— existirão milagres mais estranhos?

(Do livro "Leaves of Grass")


* Poeta norte-americano
Telinha nacional

* Por Urda Alice Klueger

Junto com alguns outros escritores de Santa Catarina, estamos, neste momento, ocupando a telinha nacional em diversos canais e horários. A matéria foi feita pelo pessoal da TV SESC/SENAC, de São Paulo, que já um mês antes pediu nossos livros pra lê-los, etc., o que nos garantia uma entrevista de qualidade e me deixava impressionada. A entrevista foi marcada para ser feita em Florianópolis, e nos encontramos no bar "Armazém Vieira", tradicional casa noturna da nossa capital. O pessoal da TV era extremamente simpático, e quando vi seu material de trabalho, os grandes e sensíveis microfones peludos, etc., coisas que costumo ver no exterior, e não aqui na minha pequena província cheia de burgos, senti que a coisa iria rolar legal! E o entrevistador, puxa! aquilo era um entrevistador! Sabia o que cada um de nós tinha escrito, como fluía nosso pensamento - estava equivocado apenas quanto a uma coisa: ele e sua equipe vinham de longa temporada no Nordeste, e tinham escolhido Santa Catarina para um programa de final de ano, que fosse bem diferente do que tinham visto e ouvido no Nordeste, e pelo que falou, entendi que esperava, aqui, uma continuação da Literatura alemã, italiana, polonesa, etc., já que somos um Estado de muitas imigrações. Se estivesse no lugar dele talvez também pensasse assim: à mesa, estavam um Buss, um Raduenz e uma Klueger, no caso, eu, nomes nada lusos, bem ligados aos antigos imigrantes.

Com sua grande capacidade de entrevistador (ele se chamava Ricardo Soares, e é um escritor, igual a nós), começou nosso longo papo, que se prolongaria por umas três horas, com perguntas muitíssimos inteligentes. Só aquilo já fazia um bem danado! Às vezes a gente ouve cada coisa de um entrevistador! Ano passado fiz maravilhosa viagem de moto por 5 países da América do Sul, e na volta fui chamada para dar certa entrevista – e ao invés de o entrevistador me deixar falar das magníficas coisas que existem pela América, ele fazia perguntas do tipo: “Você foi dirigindo a moto ou foi de carona?” - coisa assim para deixar o público cada vez menos informado.

Desta vez, porém, a coisa era de alto nível, e o único equívoco era sobre nossas heranças culturais. Penso que o entrevistador foi de surpresa em surpresa quando cada um de nós se identificou: dois éramos produtos das bibliotecas públicas das suas cidades; um tinha como substrato a canção popular brasileira, como Adinoran Barbosa e Caetano Veloso. Dois se sentiam catarinenses e brasileiros, sendo que um se classificou como também membro da grande família da língua portuguesa - eu me disse pertencente à grande família da América dita Latina. Eram complicadas explicações para quem esperava Schiller e Goethe, mas o Brasil é assim mesmo, um caldeirão de loucuras com as suas etnias. E vi, agora, quando o programa foi ao ar, que andei defendendo com muita garra a Literatura Xokleng que se faz aqui no Vale do Itajaí, onde o país inteiro pensa que só tem alemãozinho de calções bordados e chamados de Fritz. Para quem não sabe, Xokleng é um povo muito, muito antigo, que vive no Vale do Itajaí, povo assim com pelo menos uns 6.000 anos de história, e que está produzindo literatura na sua língua e publicando. Viram vocês como estavam equivocados a respeito de Santa Catarina?

Depois, no outro dia, o entrevistador foi atrás de Salim Miguel, no seu paraíso de praia, e obteve outra magnífica reportagem. Até mandei gravar, para ter tal lembrança da sabedoria dele bem guardada. De novo penso que ele se equivocou: ao invés de Schiller ou Goethe, Salim Miguel é genuinamente nascido no Líbano, e veio parar por estas plagas por mero acaso, e se hoje sua língua é o português, de novo foi por acaso.

Então a equipe da TV foi embora, e só agora, mês e meio depois, foi que vimos o programa. Claro que eles tinham que editar, das cerca de 3 horas que gravamos saiu uns 15 minutos – a entrevista com Salim Miguel foi tão bela que ocupou outros 15 minutos. Mas ficou muito bonito, e fico torcendo para muita gente ver que Santa Catarina, como o resto do Brasil, é um grande caldeirão de etnias, e que somos tão mestiços física e culturalmente como quase todos os brasileiros. Disseram-me que o programa vai ficar rodando por aí por uns dois anos – talvez ajude a fazer o brasileiro em geral entender que Santa Catarina não é uma cidade. Isto aqui é um Estado, viu, gente? E tão complexo quanto quase todos os outros deste nosso país maravilhoso!

* Escritora de Blumenau/SC, historiadora e doutoranda em Geografia pela UFPR


Submerso

* Por Clóvis Campêlo

Aos teus pés aquietei-me
como um cão com frio
em busca de calor.
E sentindo-me ao mesmo
tempo preenchido
e vazio,
adormeci.
Acordei séculos depois
quando a neve do tempo
já clareava o alto
das montanhas
e os teus cabelos.
E no entanto,
não havia mais frio.
Olhei nos teus olhos
e tive a confirmação
de que neles estavam
todos os segredos
do mundo,
a pedra filosofal,
a negação do tempo
e do espaço.
Mais uma vez
a inquietude
levou-me a escalar
montanhas,
arriscar-me em íngremes
picos vermelhos,
navegar em rios
submersos em úmidas
cavernas.
A mim,
não mais interessava
a claridade do dia,
o verde das matas,
o azul dos céus.
Apenas queria
o silêncio e a quietude
do teu corpo.


* Poeta, jornalista e radialista
A Venezuela e a CIA

* Por Paulo Reims

Recordo-me de ter escrito, no início de março deste ano, comentando que a América dita Latina perdeu um grande líder. Isso mesmo, aquele que o rei da Espanha mandou que se calasse, pois é somente para isso que servem os reis, para mandar o povo se calar, tomar o dinheiro dele, e ir matar animais nas suas caçadas esportivas. O ócio é oficina do diabo, assim não gostam de ouvir a verdade e mandam os que trabalham ficar quietos e trabalhar. São frases lapidares de quem luta muito para matar elefantes e outros...

Lá afirmei que o comandante Hugo Chávez, certamente, tinha seus defeitos, pois quem não os tem? Porém, mencionei o depoimento de Walter Suter, ex-diplomata suíço na Venezuela, que afirmou: “Chávez devolveu a dignidade aos excluídos”. Agora havia subsídio para a comida, uma vez que o dinheiro do petróleo não mais vazava todo para Miami.

Também dizia que, especialmente pelo grau de politização dos venezuelanos, o processo político participativo tenderia a avançar. Mas, ainda chamava a atenção de que era necessário ficar sempre alerta, pois os “olhos da águia” estão voltados, também, naquela direção, que tem uma das maiores e melhores reservas de petróleo.

Realmente, como sempre, os tentáculos do imperialismo estadunidense estão por toda parte. Os agentes e adestradores da CIA, Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, estão em todas as partes, especialmente onde mais lhes interessa, para aumentar seu poderio econômico e bélico. Não querem perder a hegemonia mundial, custe o que custar. Para eles o povo é só um detalhe.

Pessoalmente fiquei estupefato com o resultado que eles obtiveram na Venezuela. Como conseguiram que milhões de cidadãos(ãs) venezuelanos passassem para o lado daquele que já fora adestrado pela CIA há mais tempo? Sim, Capriles não passa de um cachorrinho de estimação que a CIA conseguiu transformar em um cão raivoso e amedrontador. Sempre ouvi dizer, e acabo crendo realmente, que “um cão é aquilo que é o seu dono”.

Ele procurou vencer a qualquer preço. Orientado pela CIA, procurou imitar até o modo de vestir de Chávez, e se dizia dele sucessor. Ele sabe que Chávez é amado pelo povo porque fez muito por ele, devolveu-lhe a auto-estima. E com este povo começou a construir uma Venezuela onde os pobres, a maioria, têm voz e vez. Mas está claro que ainda existe muito que fazer para que a Venezuela seja a sonhada pelo seu povo. Também está claro que não se pode construir em uma década aquilo que foi desconstruído e saqueado durante séculos, pela elite nacional e internacional.

Que ninguém subestime o poder avassalador da CIA de enganar, ludibriar e de fazer lavagem cerebral, com teoria e técnicas “não violentas”. Mas estes agentes não titubeiam em lançar mãos dos métodos mais crueis e atrozes de torturas para alcançar seus objetivos. Só para recordar: Bin Laden foi preparado por eles...

Porém, o mais interessante em todo este processo é que eles conseguem passar para o povão através, especialmente, da grande imprensa, nacional e internacional, que é totalmente subserviente ao imperialismo, a ideia de que estão protegendo as nações e seus respectivos povos. Eles conseguem, com muita facilidade, se travestir de ovelhas inofensivas.

Certamente muita gente ainda se recorda do alarde feito no Brasil, pela grande mídia, em 1964. As Forças Armada Brasileiras, orientadas pela CIA, se fizeram passar como salvadores da nação e do povo, contra o regime, que denominaram de comunista. Lembro-me que os menos avisados batiam palmas e choravam de alegria, e, diga-se de passagem, a maioria era de trabalhadores pobres, por terem sido libertados das garras do dragão de sete cabeças.

Tenhamos presente que sete é o número da perfeição. Em contraposição, o capitalismo é o dragão de 666 cabeças, a imperfeição absoluta, a destruir sonhos e esperanças da maioria dos habitantes deste planeta, que somente quer viver com dignidade e paz.

Porém, para isto são necessárias algumas reformas básicas, as quais Chávez, com seu povo, iniciou na Venezuela, e o presidente Maduro quer continuar. Ele já conclamou o povo para fazer a revolução da revolução, que é outra forma, e até melhor, de expressar as reformas.

Foi exatamente isto que João Goulart, deposto pelo golpe de 64, queria fazer a favor do povo brasileiro: redistribuição de renda, através da reforma agrária; reforma urbana, com controle dos alugueis, evitando especulações; salário mínimo calculado sobre as reais necessidades de uma família; reforma da educação, com escolas gratuitas e com qualidade de ensino para todas as pessoas, em todos os níveis; nacionalização de setores estratégicos para a economia, com ênfase no setor petrolífero; controle e limitação na remessa de lucros para o exterior, especialmente das empresas estrangeiras que atuavam no país; desenvolvimento das pesquisas e desenvolvimento tecnológico compatível com o desenvolvimento social; reforma eleitoral; reforma trabalhista, com garantia de organização para os trabalhadores da cidade e do campo; desenvolvimento de uma política internacional independente e renegociação da dívida externa, que na época era astronômica...

Já se passaram quase 50 anos do golpe de Estado. Quantos avanços reais teríamos na vida deste país continental se o imperialismo tivesse respeitado a nossa soberania e, também, não tivesse, após iniciadas as devidas reformas, imposto sanções e embargos econômicos, como soe acontecer com os países que não dobram os joelhos diante deles?!

Há apenas 10 anos o imperialismo, quis porque quis – eles mandam, e nós devemos obedecer - invadir o Iraque, sob o pretexto de que lá havia bombas atômicas escondidas. Fizeram com que parte do mundo acreditasse em suas mentiras, que passaram a ter cara de verdades. Está lá um país e um povo destruídos só porque o Tio Sam quis... Recorda? E até hoje não encontraram as ditas bombas. Mas o petróleo sim...

Voltemos à Venezuela. Capriles cumpriu seu papel de “mocinho”, gritão, mentiroso e malcriado. E continua sendo submisso à CIA, incrementando violência, destruição e morte, afirmando que houve fraudes nas eleições de 14 de abril passado. Busca incriminar os chavistas pela violência para tornar o país ingovernável, favorecendo mais um golpe na América Latina. Porém, se ele tivesse vencido por uma dezena de votos, certamente iria calar à força os chavistas, com todo o apoio que vem da CIA.

Evidente que eles conseguiram, com suas falsas verdade, e com seus métodos hipnotizadores, convencer uma multidão, sempre coadjuvados pelo PIG, Partido da Imprensa Golpista, de lá e de cá...

Senhoras e senhores, cuidado com a “Madame Plim Plim” que tem o grande objetivo de nos tornar obtusos diante da realidade.

A “oposição” quer a recontagem dos votos, apesar de todos sabermos, pois até o próprio Jimmy Carter, ex-presidente dos USA, afirmou: “A Venezuela tem o melhor processo eleitoral do mundo”.

Fiquemos atentos, pois a direita golpista é terrorista e guerrilheira, sem limites, porque o Tio Sam, assim o deseja.

Acorda, América! Chegou a hora de levantar! Chega de violência, injustiça e sangue inocente derramado! Queremos soberania, vida, dignidade e paz!

Tio Sam, por que te perguntas pelos motivos que levaram os jovens a explodirem as bombas em Boston? Também não estamos de acordo com este terror, que eles aprenderam contigo mesmo. Nós é que te perguntamos: por que continuas a invadir, a matar, a explodir bombas mais fortes do que as explodidas em Boston? Para, Tio Sam, de matar milhões de milhões pelo mundo afora, sem compaixão! És um “monstro grande e forte” e insaciável. Para de ser vampiro dos pobres! Ainda há tempo, converte-te...


* Jornalista