quarta-feira, 1 de maio de 2013


Literário: Um blog que pensa

LINHA DO TEMPO: 7 anos, um mês e cinco dias de existência.

Leia nesta edição:

Editorial – Causas e conseqüências de um megadesastre.

Coluna de Corpo e Alma – Mara Narciso, crônica “Crescei e multiplicai”.

Coluna Da terra do sol – Marco Albertim, crônica “O Casarão do Cordeiro”.

Coluna A favor de tudo, contra todos – Fernando Yanmar Narciso, crônica, “Beijos e tiro”.

Coluna Personalidade e Atitude – Sayonara Lino, crônica “Ser criança”.

Coluna Porta Aberta – Paulo Reimes, artigo, “Venezuela e Cia”.

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Livros que recomendo:

“Balbúrdia Literária” José Paulo Lanyi – Contato: jplanyi@gmail.com
“A Passagem dos Cometas”Edir Araújo – Contato: nenem138@gmail.com
“Aprendizagem pelo Avesso” Quinita Ribeiro Sampaio – Contato: ponteseditores@ponteseditores.com.br
 “Cronos e Narciso” Pedro J. Bondaczuk – Contato: WWW.editorabarauna.com.br
“Lance Fatal”Pedro J. Bondaczuk - Contato: WWW.editorabarauna.com.br


Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk.As portas sempre estarão abertas para a sua participação.




Causas e conseqüências de um megadesastre

As consequências do encilhamento – a bolha econômica resultante do decreto assinado pelo então ministro da Fazenda, Ruy Barbosa, em 17 de janeiro de 1890 – foram danosas para praticamente todas as partes envolvidas, à exceção, claro, dos especuladores, que aumentaram ainda mais suas já então imensas fortunas. Os efeitos danosos na economia nacional estenderam-se por décadas, por gerações, a despeito do presidente Campos Sales, com as medidas pontuais e corretas que adotou como uma espécie de “antídoto” – mas que implicaram em altos custos sociais – ter abreviado o que entendo como profilaxia econômica. Mas que o processo que redundou em frenética e irresponsável ciranda financeira foi altamente danoso para o País, disso não resta a menor dúvida.

Ao trazer o assunto à baila, minha intenção não foi a de fazer as vezes do historiador e relatar aqueles acontecimentos com o rigor que se exige desse tipo de profissional. Foi o de apresentar comentários e opiniões estritamente pessoais a propósito. Para tanto, tive que contextualizar o que o encilhamento se tratou, porquanto não pretendia (e não fiz isso) comentar “in abstrato”. Contextualizei a questão de maneira sumamente sucinta (apesar de parecer aos desavisados que foi prolixa. Não foi.). Ao leitor que quiser se aprofundar no assunto, todavia, recomendo a leitura de alguns livros a propósito.

O principal, no qual baseei minhas considerações, é o de autoria de Alfredo D’Escragnole Taunay, “O encilhamento: cenas contemporâneas da Bolsa do Rio de Janeiro em 1890, 1891 e 1892”. Mas há outras obras a propósito, tão (ou mais) esclarecedoras do que a que mencionei. Você pode ler, por exemplo, “Os cabeças-de-planilha”, do jornalista e economista Luís Nassif (Ediouro). Ou “História do Rio de Janeiro; do capital comercial ao capital industrial”, de Maria Eulália L. Lobo (um edição do IBMEC). Ou “A crise financeira da abolição: 1875-1901!, de John Schultz (Editora USP/Instituto Fernand Braudel).

É verdade que a literatura a respeito é relativamente escassa, principalmente se levarmos em conta a gravidade e a extensão do problema. Entendo que o assunto mereceria ser não somente melhor tratado, mas esgotado pelos historiadores e considerado com a devida importância que tem nas salas de aula. Evidentemente, não é. O desastre econômico, causado pelo encilhamento, por exemplo, causou a demissão de Ruy Barbosa do Ministério da Fazenda, o que ocorreu em 20 de janeiro de 1891. Era o mínimo que se poderia esperar. Afinal, ele foi o mentor do decreto que instituiu esse processo, à revelia de parte do primeiro gabinete republicano e do próprio presidente da República.

O que causou maior escândalo, ainda, e permanece como mancha no currículo de uma das figuras mais reverenciadas da história brasileira, foi o fato de, tão logo haver deixado o cargo, no governo, o já então ex-ministro da Fazenda haver assumido o comando de companhias criadas durante o encilhamento, das quais era sócio, junto com o Conselheiro Mayrink. Isso iria lhe custar caro, quatro anos depois, em 1895, durante o período conhecido como de “Caça às Bruxas”, na gestão do marechal Floriano Peixoto na Presidência. Ruy Barbosa teve, a exemplo de outros envolvidos, seus bens congelados, alguns confiscados e sofreu processos públicos e administrativos. As coisas foram tão longe, que o ex-ministro da Fazenda teve até que se exilar na Europa.

Mas sobrou, também, para o primeiro presidente da República, o Marechal Deodoro da Fonseca, em cuja gestão se deu o tal do encilhamento. Ele teve que renunciar ao cargo, em 23 de novembro de 1891, em favor do seu vice, o Marechal Floriano Peixoto, para não ser deposto por um golpe de Estado. Convenhamos, um assunto de tamanhas conseqüências, bem que merecia um tratamento mais cuidadoso e meticuloso da parte dos historiadores.

Além dos livros que citei, recomendo mais os seguintes aos que quiserem conhecer melhor o assunto: “Os bestializados, o Rio de Janeiro e a República que não foi”, de José Murilo de Carvalho (Companhia das Letras); “Crônicas da Convergência”, de Gustavo Franco (publicação do BNDES); “República no Catete”, de Maria Alice R. de Carvalho (Museu da República/FAPERJ) e “O Encilhamento: anatomia de uma bolha brasileira”, de Ney O. Carvalho (publicação BOVESPA), entre outros.

Presumo (ou prefiro crer) que não houve má fé na concepção, redação e promulgação do decreto que ensejou o tal do encilhamento. Os objetivos me parecem nobres. Os dois principais eram os de acelerar a industrialização do Brasil, País que era eminentemente, senão exclusivamente, agrícola e promover ampla e justa distribuição de renda por toda a sociedade. O “tiro”, todavia, “saiu pela culatra”. A forma como as coisas foram feitas é que foram sumamente equivocadas. A liberdade irrestrita, dada aos bancos, sem nenhuma restrição, foi absurda e calamitosa. A falta de fiscalização, principalmente para impedir a criação de empresas fantasmas, é coisa que nem tem nome. Não houve debate antes da redação do decreto. Ninguém foi consultado a propósito. Tudo foi feito às pressas, na calada da noite, à revelia da opinião pública. Deu no que deu.

Em vez de acelerar a industrialização do País, o encilhamento retardou-a em décadas. Não souberam reproduzir no Brasil um processo que há anos já era rotineiro na Europa e nos Estados Unidos, ou seja, o de captação de capitais, através do mercado acionário, mas feita de maneira séria, regulamentada e rigorosamente fiscalizada. Em vez de promover distribuição de renda entre a população, se tornou o processo mais perverso e rápido de sua concentração, e muitíssimo maior do que já havia, em pouquíssimas mãos. E olhem que sequer considerei a possibilidade de ter havido dolo ou má fé. Mas... considerando o comportamento dos nossos políticos... Bem, deixa pra lá!

Boa leitura.

O Editor

Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk.   

“Crescei e multiplicai”

* Por Mara Narciso

Boa parte das pessoas passa a vida procurando seu par. Se por um lado os gays estão querendo se casar, e os detratores dessa ideia não acham necessária a oficialização daquele amor, por outro os heterossexuais se casam e se descasam com grande paixão. Mesmo com a quantidade enorme de divórcios, boa parcela está casada, e até pela terceira ou quarta vez. Casada no papel, como se diz. E querem a cada dia se casar mais.
Houve um tempo em que a sociedade como um todo não aceitava o sexo fora do casamento. Então, para resolver esse requisito as pessoas se casavam mais cedo. Não vai muito longe a época em que, no norte de Minas, as meninas contraiam matrimônio com 14 ou 15 anos. Quando a civilização tomou pé, era mais comum a espera pelos 18 anos. Depois na faixa de vinte e poucos e hoje a turma se casa mais velha, depois dos 30 anos. Querem se formar, ter um bom emprego, uma casa, viajar, e só então se casar. Os filhos ocupam o último item da lista.

O vestido branco é símbolo de virgindade, exigida para as moças de antigamente. Para os rapazes o passe era livre. Os costumes foram se modificando, e antes o que era proibido foi tolerado, depois aceito e por fim, supõe-se que os casais formados publicamente tenham vida sexual ativa. Não é obrigatório, sendo que as religiões continuam proibindo constituir “uma só carne” antes do casamento.

Como não há um cenário hipócrita, as pessoas podem ser autênticas, e o casamento, em vez de se enfraquecer, toma fôlego. Os que decidem constituir família escolhem isso de fato, comprometendo-se a construir, formar um lar, ter filhos. Já não há mais a urgência de antes. Ainda que os descrentes do casamento torçam o nariz, olhem com desdém e até ironizem sobre quando será a separação, os casamentos não param de acontecer.

Ainda há meninas e meninos talhados para o grande encontro que é o casamento. Crescem educados para a tolerância, o respeito, os cuidados consigo e com o lar, o estudo e o trabalho. E ainda sobra tempo para ser amável, produzir arte, ser gente de bem em casa e na sociedade. Falo de uma pessoa específica, Fernanda Nayanne, filha de Josecé Alves dos Santos e Leonora Aparecida Barbosa Alves. Ela, de 22 anos, acaba de se casar com Tony David Oliveira.

A Igreja de São Pedro Apóstolo, no Bairro Morada do Parque, estava em festa e repleta de amigos e parentes para a celebração. Muito branca do chão ao teto, com iluminação exuberante, era singeleza e harmonia para receber o casal de nubentes. Destaques para a simpatia da noiva, num vestido e maquiagem adequados ao seu estilo espontâneo e natural e a música.

Quem celebrou o sacramento foi o Pároco Padre Marcos Simões. Por se tratar de um casal de músicos e cantores, a orquestra não tocou, nem a cantora cantou, e sim os homenagearam com música esplendorosa que ecoou por toda a nave. Tratam-se dos jovens do Ministério de Música, componentes da recém-criada Banda de Música Municipal, e músicos do 10º BPMG coordenados pelo maestro Josias.

É lugar-comum falar das emoções dos pais, e da noiva, que às vezes chora, porém é preciso que reflitamos sobre isso. Criam-se filhos para o mundo, e a grande revoada se dá no momento do casamento. Chora-se de alegria e se coloca fé no amor dos dois. Que o casal se ame, se aceite, compreenda um ao outro e construa uma vida boa para ambos e para os que virão. Que haja tolerância e paciência, que assim o amor vencerá. Em torno de uma família feliz reina a ordem e distribui-se o equilíbrio. Toda a sociedade se beneficia.

Casar é bom. É um renovar, é um renascer para um novo caminho, uma nova existência. É aprender junto ao companheiro a construir e a dividir. Caretice, ingenuidade, excesso de antiguidade? Abarrotados das malignidades que os humanos estão impondo a nossa volta, é bom ter o amor como protagonista. Sentimentos podem desabar, exceto o maior de todos. Mirando o amor, pode-se ressuscitar a esperança. Quem se casa está impregnado dela, de luz e de alegria. Aproveitemos a imagem da felicidade, pois quem vê a cena se contamina todo. É a nossa oportunidade.

*Médica endocrinologista, jornalista profissional, membro da Academia Feminina de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico, ambos de Montes Claros e autora do livro “Segurando a Hiperatividade”   



O Casarão do Cordeiro

* Por Marco Albertim

Não é uma penitenciária. Mas o portal de acesso, que não é um portal, sugere que ali vive uma população abrigada em galpões. Nada de galpões, mas prédios de três andares, tão cinzentos quanto a rotina dos seus três mil moradores. As roupas estendidas nas sacadas, não escondem a privacidade de moças quase impúberes, de matronas severas, de velhas cujas rugas guardam uma estranha familiaridade com as rachaduras nas paredes; e com os beirais estropiados do teto de zinco em cada prédio.

A entrada é uma arcada alta toda em cimento, por certo concebida para convencer de q ue também nas margens do Rio Capibaribe, há uma Marienbach; dos trópicos e distante do leito gelatinoso do rio. A arcada perdeu a cor primitiva, ou acinzentou-se para seguir a deterioração da área de mato ralo a sua esquerda; mato ralo e montes de lixo que fazem o festim de ratos. Ali, o sol não queima a sujeira, deixa escapar livre o bodum para regalo dos urubus. À moda de estacionamento, por todo o alongamento de cada bloco, há vagas para os carros; as divisórias são de arames amarrados em estacas de madeira, com cobertas de zinco; a aparência é de galinheiros sem aves. Aqui e ali, botecos com prateleiras quase vazias, dão mostra de que na pobreza o pobre enxerga na bebida a fartura que um dia virá; incerta, por isso mesmo untada de gorduras, de massas.

O prefeito Geraldo Julio não percorreu as entranhas do Casarão do Cordeiro. O Santafé estacionou na rua Odete Monteiro. À frente da comitiva, entrou na Escola Municipal Darcy Ribeiro, com 590 alunos, ao lado da creche também do município, com 120 crianças. A escola, com instalações novas, em fase de acabamento, solta de suas paredes brancas o frescor da primeira pintura. Os operários, usando macacão azul, não se dão conta de que o contraste da roupa com as paredes é o rebuliço de uma pré-estreia. Nos fundos da escola, ao lado do Casarão do Cordeiro, a estrutura de ferro está montada para a construção da quadra poliesportiva; 675 metros quadrados e 424 de área de apoio para circulação, bloco de vestiários e arquibancada. Nos cálculos do diretor Geral de Engenharia e Arquitetura, João Wanderley de Siqueira, R$ 422.204, 82 serão gastos. Prazo para a execução, 120 dias.

No palco, Geraldo Julio não esconde do microfone, que a área, outrora baldia, servira de esconderijo para usuários de drogas, fomentando extravios no crescimento de crianças e adolescentes do Casarão do Cordeiro. "Há muito que fazer para a recuperação da rede de ensino." Mirian Elias, presidente da Associação dos Moradores do Casarão do Cordeiro, entrega-lhe um dossiê e reitera com a voz de quem se habituara a assembleias populares:

- Prefeito, a água que nós consumimos tem coliformes fecais porque os tanques de cada bloco são vizinhos às fossas; e as fossas estão com rachaduras nas paredes.

Com o suor empapando as costas da camisa, cercado por crianças da escola, ele segura o dossiê. Há gritos, insistência para autografar folhas de cadernos. Consegue assegurar, já sem o socorro do microfone, que o projeto do Casarão será executado na inteireza de como fora criado, a começar pela construção da escola. Mirian Elias retoma o dossiê; há fartura de fotos em preto e branco em suas doze páginas. Sua filha do mesmo nome, com dezesseis anos, conduz um assessor do vice-prefeito às dependências do bloco contíguo à quadra poliesportiva. Chovera, há poças de água da área sombreada da quadra às ruas do Casarão.

- É ali - diz ela sem hesitação, apontando com o dedo para uma das cisternas. - As duas fossas são quase juntas do tanque. Como uma das paredes das fossas está rachada, as fezes escorrem para o tanque cheio d'água.

Na sacada do terceiro andar, uma mulher gorda se debruça; estranha a inusitada presença do assessor, o contraste de seus trajes com morins e chitas pendurados nos varais. Os panos secam absorvendo a umidade escura das paredes. Do lado de fora, na rua calçada, a luz do sol é uma divisória acentuando a rotina sem luz de velhos aposentados, de moças que com a cadeira na porta do pavimento térreo, evitam o teto brumoso do apartamento.

São nove e trinta. A pequena multidão, inda que ruidosa, se dissolve para um lado e para outro, no que há de entretenimento no Casarão do Cordeiro. Os velhos assuntam meio que sem esperanças. Mirian Elias, filha, segue ao lado da mãe; tem o passo estugado, atestando a impaciência com os 120 dias de trabalho na construção.

O Santafé do prefeito Geraldo Julio cruza o limiar do portal. O mesmo velho que ali se postara numa cadeira à sombra, feito uma sentinela indiferente ao dia a dia dos reféns, balbucia para si mesmo:

- Será...?

 *Jornalista e escritor. Trabalhou no Jornal do Commércio e Diário de Pernambuco, ambos de Recife. Escreveu contos para o sítio espanhol La Insignia. Em 2006, foi ganhador do concurso nacional de contos “Osman Lins”. Em 2008, obteve Menção Honrosa em concurso do Conselho Municipal de Política Cultural do Recife. A convite, integra as coletâneas “Panorâmica do Conto em Pernambuco” e “Contos de Natal”. Tem três livros de contos e um romance.


Beijos e tiro
 
* Por Fernando Yanmar Narciso

Quem quiser um jornalismo imparcial, sem segundas intenções e preocupado apenas em retratar a verdade, que monte o seu próprio jornal. O mau jornalismo, o jornalismo tendencioso, consegue convencer o povo de qualquer ponto de vista, por mais errado que ele seja.

As últimas duas semanas foram um passeio nas águas do Hades para o governo Obama. Para nós, a impressão que fica é que, na ânsia por tentar fazer algo em seu mandato que o destacasse dos anteriores, Obama transformou a questão do controle de armas em prioridade máxima, tentando varrer os outros desmandos da gestão para debaixo do tapete.

E justamente na semana em que as novas legislações para porte de armas seriam votadas no Senado, ocorrem os atentados à bomba na maratona de Boston. Por mais mórbido que seja pensar dessa forma, as pessoas que não queriam que a legislação fosse aprovada- imprensa marrom, republicanos, conservadores e membros da National Rifle Association em geral- jogaram as mãos ao céu quando as bombas começaram a explodir. Melhor hora para uma tragédia dessas, impossível. Resultado: As pessoas ficaram apavoradas, as propostas para limitar a venda de armas dançaram e Obama viu-se derrotado mais uma vez.

Não há lugar melhor para presenciar o jornalismo tendencioso que nos Estados Unidos. Se por um lado a CNN, que apesar de ser claramente o jornalismo da situação tem perdido muito ibope nos últimos anos, pelo outro a FOX News, que sempre foi a porta-voz do conservadorismo republicano, tem atiçado os corações do público. Não importa qual seja a questão levantada pelo governo, os âncoras da FOX News a contra-atacam com uma virulência que assusta mais que os ataques terroristas. Mesmo se a idéia de algum democrata for realmente boa, eles precisam arrumar um jeito de pisoteá-la, pois descobriram que a audiência anda tão estressada que não está nem aí para imparcialidade jornalística, só quer saber de ver o circo pegar fogo.

A impressão que a CNN e o governo tentam passar para americanos e não-americanos é que o país se tornou uma zona de guerra, um inferno na Terra pior que a Síria onde qualquer um pode tomar um tiro na cabeça enquanto assoa o nariz. Para seus opositores, ao abraçar uma causa pacifista, a mensagem que o presidente passa ao resto do mundo é que a América não quer mais meter medo em ninguém. Logo, o país está livre e solto para quem quiser pegar.

No entanto, a questão das armas da América é bem mais complexa. Para começo de conversa, a idéia de que todo dono de armas é um doente que só pensa em atirar passa longe da realidade. Pessoas que torram milhares de dólares numa metralhadora M16 - a favorita do Rambo- ou num fuzil AR-15 são, no fundo, pessoas normais e responsáveis, que compram armas como se fossem bonecos do Max Steel. Para eles, é uma coleção como qualquer outra, tanto que boa parte dos colecionadores de armas só puxa o gatilho para testar, no dia da compra. Americanos amam seus rifles tanto como amam a Deus. O fetiche por armas dos americanos não passa de uma fantasia, uma forma ingênua de os homens reafirmarem a própria virilidade. Propagandas de armas estão espalhadas por toda parte, em todos os ramos do entretenimento. Quer dizer, apenas tentem encontrar um cartaz do James Bond clássico onde ele não apareça com uma pistola. Fácil como achar uma foto da Nicole Kidman sem botox. Mas isso não faz de todos os americanos assassinos.

O problema são os casos isolados, o 0,000001% que acorda com o tinhoso no corpo, azeita o ferrão e vai brincar de Duke Nukem na vizinhança. O argumento dos contrários às novas leis é que 99% da população não podem ser privados de um hobby- macabro, por sinal- por causa de um ou outro ato desmedido. E, até em tais casos, muitas vezes as pessoas com instinto selvagem acabam achando uma válvula de escape para sua vocação assassina, como videogames de tiro e filmes de vingança sul-coreanos.
Deve impressionar a vocês saber que, por exemplo, a porcentagem de suicídios por armas de fogo nos Estados Unidos é quase o dobro da porcentagem dos massacres provocados por jovens desajustados. Mas ninguém se interessa em noticiar suicídios por causa da “carga dramática” menor da reportagem. Os fantasmas internos que os matadores enfrentam são tão horrendos que apenas suas próprias mortes não bastam. É preciso fazer o resto do mundo sofrer tanto como eles.

Para verem como essa horda de franco-atiradores escolares não é uma “modinha recente”, sabem de quando data o maior massacre escolar da história americana? De 1927. Sem nenhum motivo, um capiau de Michigan resolveu soltar uma bomba num colégio, matando 45 crianças e a si mesmo. Bem distante do estereótipo dos jovens matadores modernos, concordam?

Ao que parece, a luta de Obama por sua causa nobre ainda está longe de acabar. Se ele for tão teimoso como Lincoln foi para abolir a escravidão, em breve o povo dele não poderá portar nem estilingues sem ser revistado pelos federais. Dizem até que querem proibir a venda de panelas de pressão por lá depois do atentado de Boston.


Ser criança

 
* Por Sayonara Lino

Ser criança é ser livre. É ter tempo para a lição e para as brincadeiras. Brincar com sua bonequinha preferida, jogar futebol, ir à pracinha encontrar os amigos, esperar pelo fim de semana para correr, pular, dançar. É ir para o campo, para a praia, apenas com a intenção de sorrir, sonhar, uma promessa.

Na escola, devemos aproveitar tudo de melhor que nos é oferecido. Despertar a criatividade, a atenção, a curiosidade para plantarmos a semente de um belo futuro. Hoje plantamos, amanhã colheremos. Por isso, nada de ficar conversando fora de hora, nem fingir que está doente para ficar em casa! Aproveite todos os lugares onde estiver, desfrute cada minuto, sorria muito, espalhe alegria!

Televisão demais, nem pensar! Peça ao adulto da casa para colocar em um canal educativo, onde você irá divertir-se muito e aprender ao mesmo tempo! É incrível essa combinação! E ficar demais na frente do computador não é legal! Prefira as brincadeiras ao ar livre, desenhe muito e abuse das cores, ame os animais, respeite a natureza, viva com leveza, amor, saúde e muita paz!

Valorize tudo o que você tem. Saiba viver com pouco, não precisamos de muito, apenas do essencial, ou seja, daquilo que nos mantém vivos e funcionando bem. Não fique triste se não ganhar aquele jogo eletrônico igualzinho ao do seu vizinho ou amigo. Encontre formas simples para se divertir. Aprenda a construir brinquedos próprios, com os mais incríveis materiais recicláveis, aqueles que costumamos jogar no lixo. Eles serão parecidos com você, bem do seu jeitinho e ajudarão a cuidar do meio ambiente. Você sentirá que isso é muito bacana!

E acima de tudo, respeite a todos, seja bondoso, generoso e gentil. Acredite, a vida sempre nos traz coisas boas, desde que façamos o bem! Seja muito feliz!  

* Jornalista, fotógrafa e colunista do Literário
 
                                                                                                                                                       
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Venezuela e Cia.

* Por Paulo Reims

Recordo-me de ter escrito, no início de março deste ano, comentando que a América dita Latina perdeu um grande líder. Isso mesmo, aquele que o Rei da Espanha mandou que se calasse, pois é somente para isso que servem os Reis, para mandar o povo se calar, tomar o dinheiro dele, e ir matar animais nas suas caçadas esportivas. O ócio é oficina do diabo, assim não gostam de ouvir a verdade e mandam os que trabalham ficar quietos e trabalhar. São frases lapidares de quem luta muito para matar elefantes e outros...

Lá afirmei que o Comandante Hugo Chaves, certamente, tinha seus defeitos, pois quem não os tem? Porém, mencionei o depoimento de Walter Suter, ex-diplomata suíço na Venezuela, que afirmou: “Chaves devolveu a dignidade aos excluídos”. Agora havia subsídio para a comida, uma vez que o dinheiro do petróleo não mais vazava todo para Miami.

Também dizia que, especialmente pelo grau de politização dos venezuelanos, o processo político participativo tenderia a avançar. Mas, ainda chamava a atenção de que era necessário ficar sempre alerta, pois os “olhos da águia” estão voltados, também, naquela direção, que tem uma das maiores e melhores reservas de petróleo.

Realmente, como sempre, os tentáculos do imperialismo estadunidense estão por toda parte. Os agentes e adestradores da CIA, Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, estão em todas as partes, especialmente onde mais lhes interessa, para aumentar seu poderio econômico e bélico. Não querem perder a hegemonia mundial, custe o que custar. Para eles o povo é só um detalhe.

Pessoalmente fiquei estupefato com o resultado que eles obtiveram na Venezuela. Como conseguiram que milhões de cidadãos(ãs) venezuelanos passassem para o lado daquele que já fora adestrado pela CIA há mais tempo? Sim, Capriles não passa de um cachorrinho de estimação que a CIA conseguiu transformar em um cão raivoso e amedrontador. Sempre ouvi dizer, e acabo crendo realmente, que “um cão é aquilo que é o seu dono”.

Ele procurou vencer a qualquer preço. Orientado pela CIA, procurou imitar até o modo de vestir de Chaves, e se dizia dele sucessor. Ele sabe que Chaves é amado pelo povo porque fez muito por ele, devolveu-lhe a auto-estima. E com este povo começou a construir uma Venezuela onde os pobres, a maioria, têm voz e vez. Mas está claro que ainda existe muito que fazer para que a Venezuela seja a sonhada pelo seu povo. Também está claro que não se pode construir em uma década aquilo que foi desconstruído e saqueado durante séculos, pela elite nacional e internacional.

Que ninguém subestime o poder avassalador da CIA de enganar, ludibriar e de fazer lavagem cerebral, com teoria e técnicas “não violentas”. Mas estes agentes não titubeiam em lançar mãos dos métodos mais crueis e atrozes de torturas para alcançar seus objetivos. Só para recordar: Bin Laden foi preparado por eles...

Porém, o mais interessante em todo este processo é que eles conseguem passar para o povão através, especialmente, da grande imprensa, nacional e internacional, que é totalmente subserviente ao imperialismo, a ideia de que estão protegendo as nações e seus respectivos povos. Eles conseguem, com muita facilidade, se travestir de ovelhas inofensivas.

Certamente muita gente ainda se recorda do alarde feito no Brasil, pela grande mídia, em 1964. As Forças Armada Brasileiras, orientadas pela CIA, se fizeram passar como salvadores da nação e do povo, contra o regime, que denominaram de comunista. Lembro-me que os menos avisados batiam palmas e choravam de alegria, e, diga-se de passagem, a maioria era de trabalhadores pobres, por terem sido libertados das garras do dragão de sete cabeças.

Tenhamos presente que sete é o número da perfeição. Em contraposição, o capitalismo é o dragão de 666 cabeças, a imperfeição absoluta, a destruir sonhos e esperanças da maioria dos habitantes deste planeta, que somente quer viver com dignidade e paz.

Porém, para isto são necessárias algumas reformas básicas, as quais Chaves, com seu povo, iniciou na Venezuela, e o Presidente Maduro quer continuar. Ele já conclamou o povo para fazer a revolução da revolução, que é outra forma, e até melhor, de expressar as reformas.

Foi exatamente isto que João Goulart, deposto pelo golpe de 64, queria fazer a favor do povo brasileiro: redistribuição de renda, através da reforma agrária; reforma urbana, com controle dos alugueis, evitando especulações; salário mínimo calculado sobre as reais necessidades de uma família; reforma da educação, com escolas gratuitas e com qualidade de ensino para todas as pessoas, em todos os níveis; nacionalização de setores estratégicos para a economia, com ênfase no setor petrolífero; controle e limitação na remessa de lucros para o exterior, especialmente das empresas estrangeiras que atuavam no país; desenvolvimento das pesquisas e desenvolvimento tecnológico compatível com o desenvolvimento social; reforma eleitoral; reforma trabalhista, com garantia de organização para os trabalhadores da cidade e do campo; desenvolvimento de uma política internacional independente e renegociação da dívida externa, que na época era astronômica...

Já se passaram quase 50 anos do golpe de estado. Quantos avanços reais teríamos na vida deste país continental se o imperialismo tivesse respeitado a nossa soberania e, também, não tivesse, após iniciadas as devidas reformas, imposto sanções e embargos econômicos, como soe acontecer com os países que não dobram os joelhos diante deles?!

Há apenas 10 anos o imperialismo, quis porque quis – eles mandam, e nós devemos obedecer- invadir o Iraque, sob o pretexto de que lá havia bombas atômicas escondidas. Fizeram com que parte do mundo acreditasse em suas mentiras, que passaram a ter cara de verdades. Está lá um país e um povo destruídos só porque o Tio Sam quis... Recorda? E até hoje não encontraram as ditas bombas. Mas o petróleo sim...

Voltemos à Venezuela. Capriles cumpriu seu papel de “mocinho”, gritão, mentiroso e malcriado. E continua sendo submisso à CIA, incrementando violência, destruição e morte, afirmando que houve fraudes nas eleições de 14 de abril passado. Busca incriminar os chavistas pela violência para tornar o país ingovernável, favorecendo mais um golpe na América Latina. Porém, se ele tivesse vencido por uma dezena de votos, certamente iria calar à força os chavistas, com todo o apoio que vem da CIA.

Evidente que eles conseguiram, com suas falsas verdade, e com seus métodos hipnotizadores, convencer uma multidão, sempre coadjuvados pelo PIG, Partido da Imprensa Golpista, de lá e de cá...
Senhoras e senhores, cuidado com a “Madame Plim Plim” que tem o grande objetivo de nos tornar obtusos diante da realidade.

A “oposição” quer a recontagem dos votos, apesar de todos sabermos, pois até o próprio Jimmy Carter, ex-presidente dos USA, afirmou: “A Venezuela tem o melhor processo eleitoral do mundo”.
Fiquemos atentos, pois a direita golpista é terrorista e guerrilheira, sem limites, porque o Tio Sam, assim o deseja.

Acorda, América! Chegou a hora de levantar! Chega de violência, injustiça e sangue inocente derramado!Queremos soberania, vida, dignidade e paz!

Tio Sam, por que te perguntas pelos motivos que levaram os jovens a explodirem as bombas em Boston? Também não estamos de acordo com este terror, que eles aprenderam contigo mesmo. Nós é que te perguntamos: por que continuas a invadir, a matar, a explodir bombas mais fortes do que as explodidas em Boston? Para, Tio Sam, de matar milhões de milhões pelo mundo afora, sem compaixão! És um “monstro grande e forte” e insaciável. Para de ser vampiro dos pobres! Ainda há tempo, converte-te...

* Jornalista