terça-feira, 1 de junho de 2010


Leia nesta edição:

Editorial – Misterioso fascínio

Coluna À flor da pele – Evelyne Furtado, crônica “Ajuste poético”.

Coluna Observações e Reminiscências – José Calvino de Andrade Lima, crônica “Boemia do Recife de antigamente”

Coluna Tecelã de emoções – Risomar Fasanaro, crônica “A lista”

Coluna Lira de Sete Cordas – Talis Andrade, poema “A casa vazia”

Coluna Porta Aberta – Alex Brasil, poema “Ci ‘Fi’ lização”..

Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.

Misterioso fascínio

Caros leitores, mais uma vez, boa tarde.
Eu nunca consegui entender a razão do futebol, esporte relativamente recente (pelo menos com as 17 regras atuais que o regulam) – originalmente voltado à elite – despertar tamanho interesse, fascínio e, sobretudo, paixão.
Num piscar de olhos, em somente 164 anos de existência (foi oficializado em 1846, do jeito que o conhecemos na atualidade, na Inglaterra), ou seja, no tempo de apenas cinco ou seis gerações, se tornou foco de atração para, no mínimo, dois terços dos 6,7 bilhões de habitantes do Planeta.
A FIFA, hoje, por exemplo, tem número maior de membros do que a Organização das Nações Unidas (ONU). Por que? Para mim, é um mistério. Estima-se que cerca de quatro bilhões de pessoas irão acompanhar, ou pela televisão, ou por rádio, ou por outro meio qualquer, a Copa do Mundo da África do Sul. Nenhum outro tipo de espetáculo, seja artístico, seja esportivo ou de que natureza for, sequer se aproxima dessas cifras.
Há quem garanta (vejam só), que o futebol (ou coisa remotamente parecida com ele), surgiu na China (que futebolisticamente, convenhamos, deixa tudo a desejar e é um zero à esquerda), entre os anos de 3000 e 2500 AC. Vá lá! Que seja! Da minha parte, considero como data da sua verdadeira criação a ocasião em que foi regulamentado e ganhou suas 17 regras, com as quais os árbitros tomam suas decisões (ao menos teoricamente, pois na prática...). Ou seja, o ano de 1846.
Nesta altura, a bola está “pingando” a caráter para um sem-pulo a gol e não vou deixar passar a oportunidade. O tema enseja-me algumas considerações, digamos, históricas, posto que sem o rigor do historiador.
Pode-se dizer, sem grandes margens para erro, que a Grécia Antiga foi o verdadeiro berço dos esportes de competição. Desses que, ao final das disputas, emerge um vencedor, mas em que o perdedor não é sacrificado. Ou seja, pelo menos permanece vivo e fisicamente incólume.
Considera-se, oficialmente, que as primeiras modalidades esportivas surgiram com os também primeiros Jogos Olímpicos, disputados ao pé do Monte Olimpo, em homenagem ao deus Zeus. E isso ocorreu em 776 AC, ou por volta desse ano.
O objetivo primário era o de adestrar os jovens e os soldados gregos, desenvolvendo suas habilidades físicas e um saudável espírito de competição. Isto é, ensiná-los tanto a vencer, quanto a perder, ambas as coisas muito importantes, quer nos esportes, quer, e principalmente, na vida. A isso convencionou-se chamar de “espírito esportivo”.
Até então, diga-se de passagem, tanto na Grécia, quanto (e principalmente) entre outros povos, não havia nada sequer parecido com o conceito de esporte. Ninguém se exercitava por prazer, ou para se adestrar, ou para competir. Os exercícios executados pelo homem tinham, todos, motivação prática. Eram involuntários, ditados pela necessidade e pelas circunstâncias. Destinavam-se, por exemplo, à busca de caça para assegurar a sobrevivência ou à defesa pessoal, da tribo e do patrimônio, nas guerras.
Sobre as modalidades olímpicas primitivas, um excelente texto que encontrei no site Historianet (www.historianet.com.br) nos informa, com grande objetividade, quais eram. Diz: “Os primeiros jogos limitavam-se a uma única corrida com cerca de 192 metros. Em 724 AC, introduziu-se uma nova modalidade, semelhante aos atuais 400 metros rasos. Em 708 AC, acrescentou-se o pentatlo (competição formada por cinco modalidades atléticas, incluindo-se a luta livre, salto de distância, corrida, lançamento de disco e lançamento de dardo) e, posteriormente, o pancrácio (luta similar ao boxe. (...) Em 608 AC, foi incluída a corrida de carros”.
Observe-se que nenhum desses esportes era coletivo. Era cada um por si... Mas os maias antigos, do outro lado do mundo, na América do Norte e parte da América Central (os mesmos que hoje estão tão populares por terem supostamente previsto o fim do mundo para 21 de dezembro de 2012), no auge da sua civilização, contavam com uma modalidade esportiva muito popular na ocasião. Era um jogo de bola que, forçando um pouco a barra, podemos dizer que misturava um tanto de futebol e outro tanto de basquete, sem ser, propriamente, nem uma e nem outra dessas modalidades.
Até hoje existem vestígios dos campos em que se praticavam esse esporte, popularíssimo na época que, na verdade, tinha o caráter de ritual religioso (dos mais selvagens e dramáticos). Tanto que eles se situavam, quase sempre, no recinto de algum templo – como o de Tonina, na atual cidade mexicana de Chiapas. Um dos maiores deles localizava-se no interior do complexo sagrado de Chichén Itzá.
O jogo era disputado por duas equipes, com sete jogadores cada, sendo um deles o capitão. Os atletas maias podiam tocar na bola – grande e feita de látex concentrado – apenas com os pés e os quadris. O objetivo era colocá-la por entre um dos três arcos de pedra, ornados de duas serpentes que se entrelaçavam, com a cabeça e a cauda quase se tocando, que ficavam a uma altura de cerca de vinte metros. Requeria, pois, muita habilidade e força dos participantes.
Cada jogador trajava sua mais rica veste, não raro com adornos de guerra. Todavia, não era bom negócio vencer as partidas. Vejam só, o capitão da equipe vencedora (justo ele), em vez de receber algum prêmio, alguma medalha, homenagem ou taça, era sacrificado ao término do jogo, em honra aos deuses. Eu, hein!!!
Terminada a disputa, esse atleta, geralmente o de maior destaque por sua habilidade e força, ajoelhava-se junto à bola e era decapitado, com um só golpe certeiro, pelo sacerdote. O jogo, pois, estava diretamente ligado à idéia de morte. O curioso é que os times sempre se empenhavam ao máximo pela vitória. Os capitães sentiam-se sumamente honrados por poderem oferecer suas vidas às cruéis e sanguinárias divindades maias. Ah, se a moda pega!
Por essas e outras, prefiro, um trilhão de vezes, o futebol, mesmo que se trate de uma partida chatérrima, de dois times pernas de pau, com um árbitro desses horrorosos (que a gente vê por aí apitando jogos do Campeonato Brasileiro), que resulte num deprimente e sonolento zero a zero. Nele, pelo menos, entre “mortos e feridos”, todos se salvam.

Boa leitura.

O Editor.



Ajuste poético

* Por Evelyne Furtado

- Por favor, onde fica o ponto entre a ingenuidade e a descrença total? Preciso urgentemente encontrá-lo. Não quero ir de um extremo ao outro. Há de existir algo no meio do caminho. Não desejo uma mudança tão radical. Deve ser por isso que caio e levanto no mesmo lugar.

É verdade que já dei alguns passos em outra direção, mas outro dia me ouvi apelando para que alguém me dissesse que vale a pena insistir.

Tem sido assim de uns tempos para cá: A vida mostrando a língua e eu fingindo não ver ou um sonho atrás do outro na fila do despertar.

Acho que essa aura de candura já não me cai bem. Tenho para mim que as roupas também não estão adequadas. Às vezes sinto o desconforto do organdi na pele de menina bem comportada que detestava usar aquele vestido azul marinho.

Em outras lembro o jeans que apertava demais. Alguns vestidos estão muito curtos; outros arrastam a poeira de duzentos anos atrás.

Estou consciente de minha inadequação, mas sem toda coragem para mudar. Mesmo as minhas palavras precisam de ajustes, pois teimam permanecerem na irresponsabilidade poética andando por aí sem documentos, nem regras gramaticais. Umas sem estilo, mas muito queridas por mim, minhas palavras são.

Por isso repito a pergunta com a qual iniciei esse pequeno texto. Existe realmente esse lugar? Se existe aproveite e me diga com que roupa devo chegar.

* Poetisa e cronista de Natal/RN



Boemia do Recife de antigamente

* Por José Calvino de Andrade Lima

Nos anos 50/60 a vida noturna no bairro do Recife era nos bordéis, numa área popularmente conhecida como Zona (baixo meretrício), assim chamada por se tratar de uma zona portuária. Lá existiam as famosas pensões Moulin Rouge, Chantecler, Astória, Lupanar da Miryan, Maria Magra, Silver Star, Adília, Califórnia, Bagdá, Atenas, Baiana, BBB (alguns chamavam ironicamente de BBC – British Broadcasting Corporation). Numa das BBB havia na parede o néon em desenho de uma ponte simbolizando a cidade do Recife (pp 35, 40 e 41 do livro de minha autoria “O Pai do Chupa”). Os bares mais freqüentados na época eram Duas Américas; OK; Gambrinus; Royal; Texas Bar; São Francisco; Astória; Bar 28 (Pouca gente sabe que "28" era o número do carregador de malas Antônio Cândido, que fundou o "Scotch Bar", com as facilidades aduaneiras) e o Scotch Bar, que em seu tempo áureo era freqüentado por marinheiros de todas bandeiras, poetas, boêmios e damas da zona.

Como disse Gilberto Freyre: “Foi em meados do século passado que se acentuou sobre nós, sob a forma de atriz ou cômica de teatro, em geral italianas, espanholas ou francesas, a figura da prostituta de luxo”. Algumas polacas residiam em casas isoladas, outras em hotéis caros, passaram a rodar pelas ruas em luzidos carros de capota arriada, com cocheiro e lacaio, onde ostentavam vestidos, chapéus e sapatos da última moda. Acabaram, por esse modo, influindo sobre a maneira de trajar das mulheres honestas. (sic) Consuelo Uhles e Elvira Gueidas, mais mundanas que atrizes, estimularam ardor sexual de grupos rivais, com suas cançonetes, degenerando o espetáculo em canalhice (as senhoras de boa família que se cuidassem).

Mas nem tudo vinha da Europa. Na Rua das Flores, por exemplo, entre as mulheres mais cobiçadas de suas pensões, havia Creusa, uma brasileira cheia de dengos. Chamavam-na de “Dama das Camélias”. Embora sem a carruagem e o luxo de Margarita, de Alexandre Dumas, pela sua graça, seu encanto e seus chamegos, era a preferida dos “estreantes” no amor.

Mas, a boemia não tem apenas locais tem, principalmente, seus protagonistas. Quem já não ouviu falar de Hugo Gonçalves Ferreira?, carinhosamente, Hugo da Peixa. Uma bela tarde, Hugo da Peixa acompanhado de duas mulheres, foi visitar um lugar freqüentado pelos figurões da cidade (Era visitado também por Ascenso Ferreira e Antônio Maria). Chegando lá, um imbecil lhe disse: “Doutor Hugo, essas mulheres são suspeitas” – “Não, são duas putas. Suspeitas são essas que estão com vocês”, respondeu Hugo.

Convém ressaltar que esses boêmios não faziam parte da onda de nouveau riche; não, muito pelo contrário, todos foram de boa origem. Hugo, por exemplo, era oriundo da alta aristocracia canavieira, filho de usineiro, um boêmio total criativo de índole pacífica, bonachão, solidário, um bon vivant. Na atmosfera social em que viveu, severa, terrível, inquisitiva, ele, desleado de todo convencionalismo, deixava-se ficar airosamente, horas a fio degustando sua Teutônia, cerveja bem geladinha, na calçada, bem às vistas, no então Maxime’s, no Pina. Certa feita, foi terminar uma farra em Salvador (Bahia), com uns seis acompanhantes, todos por sua conta, hospedagem, comida, bebidas, mulheres... dinheiro; naturalmente, no melhor da festa faltou-lhe numerário. Incontinenti, vendeu o Packard de luxo e despachou o motorista para o Recife, pegando mais dinheiro e outro carro. Hugo herdou duas usinas que foram consumidas por suas farras perdulárias. Dizem que nas suas contas os garçons incluíam até a data, mesmo recebendo régias gorjetas. Assim era o Recife de antigamente.

* Formado em comunicações internacionais, escritor, teatrólogo, poeta, compositor, membro da União Brasileira de Escritores, UBE-PE e rei do Maracatu Barco Virado. Como escritor e poeta, tem trabalhos publicados nos jornais: Diário de Pernambuco, Jornal do Commercio, Folha de Pernambuco e em vários sites... Tem 11 títulos publicados, todas edições esgotadas. Em 2007, integrou-se na Antologia (Poetas Independentes)



A lista

* Por Risomar Fasanaro

A senhora que trabalha na casa de um dos meus amigos estava gripada, e o marido foi avisar que ela faltaria naquele dia. Poderia ter ligado, mas resolveu ir porque estava muito apreensivo, e precisava pedir um conselho.

Eliseu é uma pessoa a quem os amigos recorrem quando se encontram com dificuldades de tomar uma decisão. Sabendo disso é que seu José foi procurá-lo.

Meu amigo notou a fisionomia carregada do homem, o jeito nervoso de ele esfregar as mãos uma na outra, e perguntou:
- O que foi seu José?

O homem nervoso, com as mãos trêmulas, demorou a falar, não sabia como ele, iria recorrer àquele rapaz muito mais jovem do que ele.

Mas enfim, depois de ficar percorrendo descaminhos e atalhos, de ficar de olhar enviesado pro meu amigo, resolveu tirar do bolso da calça uma folha dessas de caderno universitário, grande, amassada, com jeito de ter sido dobrada e desdobrada dezenas de vezes.

O que conteria aquela folha?

Depois de vários minutos sem que o homem se resolvesse a dizer o que fora ali fazer, Eliseu perguntou se estava tudo bem.

Em silêncio ele passou a folha de caderno ao meu amigo:
- O senhor espie essa lista, seu Eliseu. A gente anda recebendo telefonemas direto lá em casa, ameaçando nós, dizendo que vão matar eu e Vitorinha se eu num comprá tudinho que tem nessa lista pra fazer um despacho. E asdespois disso, a gente recebe ameaça pelo telefone todo dia.
- Ameaças, seu José?
- É o que lhe digo seu Eliseu. Uma pessoa liga e diz que vai matá eu e a Vitorinha. Agora, uma conhecida de Teresa que é médium, recebeu minha cunhada que já morreu, Deus a tenha em bom lugar, e o espírito dela pediu pra gente fazê um trabalho, que senão eu e a menina vamo morrê.

Teresa é a mulher de José, e Vitória a filha.
-Mas ela recebeu assim... uma pessoa que já morreu, seu José?
-Apois é. Assim... na sala da minha casa? E o espírito disse que tenho de dá o dinheiro pra comprá tudo isso que está aí nessa lista, e mais 180 real pra pagá o chão onde o trabalho vai sê feito, mas eu num tenho esse dinheiro, seu Eliseu. O que o Sr. acha que eu faço?
- Espere aí seu José, deixe eu ler a lista. E meu amigo leu uma relação de itens de cima abaixo da folha: 1 coração de boi, 3 pombas brancas, 1 galinha d’angola, dois chifres de bode, 20 búzios, 2 quilos de feijão fradinho, 1 quilo de farinha de milho, 10 velas brancas, 10 amarelas e 10 vermelhas, 7 inhames, e um buquê de rosas vermelhas.

Depois que terminou de ler, ouviu o homem dizer:
- Imagine seu Eliseu, a gente mar tem pro de comê, como é que eu vou comprá tudo isso e inda pagá os 180 real?

Eliseu que é budista, muito calmo disse:
- O que o Sr. vai fazer, seu José? O Sr. não vai fazer é nada. Isso aqui não tem nada a ver com nada. Essa mulher é uma vigarista...
-Mas o espírito ameaçô, disse que nois tem de fazê esse despacho até dia 31, senão Vitorinha e eu vamo morrê.

Ficou em silêncio, com a mão no queixo, e voltou a falar:
- E se esse espírito vié mesmo e matá nois, eu mais minha filha?
- Não vão morrer coisíssima alguma seu José.
- Como é que o Sr. sabe disso, seu Eliseu?
-Por que isso não existe, seu José. Essa mulher deve ser uma vigarista. Isso não é coisa de gente espírita. O espiritismo é outra coisa. Isso é bandidagem.

E continuou:
-Faz quanto tempo que vocês conhecem essa mulher?
-Ah...ela apareceu lá em casa esses dia...a gente nem conhece ela direito. Ela apareceu dispois que soube das ameaça por telefone...Disse a Teresa que ia salvá nois.
-Está vendo? É uma vigarista! O Sr. diz que não tem dinheiro, e que ela pare de dizer essas coisas, porque o Sr.não tem nem pra lista, nem pro terreno.
-Mas eu já disse, seu Eliseu. E ela disse que tem um conhecido dela que empresta dinheiro, e ela me leva lá pro home me emprestá...
- O Sr. está vendo? Olha aí a vigarice. O Sr. não está percebendo, seu José, que tudo isso é uma armação? Será que não é esse pessoal que fica ligando e ameaçando vocês? E ainda por cima vai lhe fazer ficar endividado com agiota?
-E o que faço, seu Eliseu?
-Faça o seguinte: vá procurar um padre. Eles estudam muitos anos, conte tudo a ele e peça um conselho.

De repente o rosto do homem se iluminou e ele esboçou um sorriso. Virou-se pro meu amigo e disse:
- Carece mais não, seu Eliseu, carece mais não. Sabe o que de repente me alembrei? Minha cunhada, essa que morreu, e que a médium “recebeu”, num podia nem falá em espiritismo. Tinha pavor de macumba, num podia nem falá nessas coisa. Ela era católica até a raiz do cabelo...E apois num é que eu nem tinha lembrado disso?

* Jornalista, professora de Literatura Brasileira e Portuguesa e escritora, autora de “Eu: primeira pessoa, singular”, obra vencedora do Prêmio Teresa Martin de Literatura em júri composto por Ignácio de Loyola Brandão, Deonísio da Silva e José Louzeiro. Militante contra a última ditadura militar no Brasil.



A casa vazia

* Por Talis Andrade

A casa
- a fachada caiada de branco
imaculado branco -
dorme
tão sossegada
eu esqueço
que se transformou
em um túmulo

(Do livro “Romance do Emparedado”, Editora Livro Rápido – Olinda/PE).

* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel em História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife), “Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 11 livros publicados, entre os quais o recém-lançado “Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).



Ci "Fi "Lização

* Por Alex Brasil

A igreja está morta,
e os vermes se multiplicam sobre seu cadáver.
Deus está sendo cuspido no Oriente Médio,
na Índia, no Irã,
na boca do Papa,
nas Américas humilhadas por caciques de quepe e fuzil.
Está surgindo uma nova era de gerações sem causa,
sem destino,
acorrentadas e tangidas
por capitalistas tiranos;
por falsos profetas...
Está surgindo a era
em que morrerão as baleias e os humanos,
e serão poucos, muito poucos o verde e os poetas.


* Poeta, publicitário e membro da Academia Maranhense de Letras. Tem duas dezenas de livros publicados