O aldeão vai para a guerra
* Por
Talis Andrade
A pátria te chamava
para uma guerra que não era tua
Caminhastes por distantes terras
sem o verde do teu chão
sem o azul do teu céu
o suave azul que lembrava
os olhos de tua amada
Caminhastes noite e dia
Multiplicastes a força de tuas mãos
a resistência dos teus pés
o ódio que não tinhas
O inimigo era muito mais forte
Possuía mil olhos
Possuía mil fuzis apontados para tua cabeça
O inimigo possuía mil fuzis apontados para tua
cabeça
e tu aldeão apenas sabias cultivar o campo
Sobre teu corpo passaram tanques
Botas de soldados te pisaram
Teu corpo aldeão vai se transformando cada vez mais
em uma terra que não é tua
uma terra que os soldados levam no solado das botas
Tu aldeão nem hoje sabes de quem foi esta guerra
Tu aldeão penetrastes na grande noite
e tua noiva cansou de chorar
e teu chão está para semear
* Jornalista, poeta, professor de Jornalismo e Relações Públicas e bacharel
em História. Trabalhou em vários dos grandes jornais do Nordeste, como a
sucursal pernambucana do “Diário da Noite”, “Jornal do Comércio” (Recife),
“Jornal da Semana” (Recife) e “A República” (Natal). Tem 11 livros publicados,
entre os quais o recém-lançado “Cavalos da Miragem” (Editora Livro Rápido).
Que tristeza! O aldeão não voltou da guerra que não era dele.
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