Carência
* Por
Carmo Vasconcelos
É uma tristeza ambígua, sutil, imprecisa
Este não sei quê que me dói aprofundar
Nesta incerteza... uma lacuna, um vaguear
Sem asa, meu voo malogrado que o chão pisa
Pena de escrava acorrentada a mil degredos
Rodeiam-me águas turvas onde não me espelho
Deuses de barro frente aos quais não me ajoelho
Visões fugazes como areia entre os dedos
Tão parco e breve me é o colo de acalento
Dum êxtase sublime tão raro o momento
Que só de lembranças se veste a noite escura
E em carência se vai esvaindo a formosura
De mãos e lábios sequiosos de prazer
Neste meu corpo ainda vibrante de mulher!
*
Poetisa portuguesa
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