Reforma
* Por
Donizete Romon
Fazer reforma é uma barra. A gente quebra tudo e
sua vida vira um caos. As coisas ficam fora de lugar e você não encontra mais
seu lugar. De nada adianta limpar a casa, pois o pó volta a incomodar. Barulhos
ensurdecedores passam a fazer parte do seu dia a dia. Você pensa que vai pirar.
Tem dia que é preciso buscar ajuda nas técnicas de
meditação e tentar relaxar em silêncio. Mas qual o que! Não dá! Lá vem a
maldita maquita ou a poderosa marreta lhe aturdir os tímpanos. No fim da tarde
quando a galera do quebra-quebra vai embora, você se dá conta das contas.
É...sempre estoura o orçamento.
É cimento, areia, madeira, tijolo, telhas, pedrisco
e por aí vai. Ainda tem os “por fora” que os entregadores de materiais ficam te
cobrando. A maldita “caixinha”. Que caixinha que nada....se você não dá, eles
deixam o material no meio da rua ou faltando itens no pedido. É mais dor de
cabeça! Cadê a paz?! Então pra que reformar? Não era preferível ficar como
estava? Por que será que a gente quer reformar a casa?! Por que somos assim.
Talvez porque sejamos criadores e queremos melhor qualidade de vida. E, acima
de tudo, porque vislumbramos um objetivo concreto (e põe concreto nisso!).
Sabemos que por mais penoso que seja, essa fase passa e a recompensa virá! Isso
é certo! Nós planejamos!
Fico pensando que talvez seja por isso que algumas
pessoas insistem em continuar sendo o que sempre foram. Mudar, reformar-se dá
muito trabalho. Cansa. Estressa. Chega a causar medo. Então, como não conseguem
vislumbrar um futuro melhor, param onde estão e deixam a vida passar. Assistem,
inertes, ao crescimento dos outros e, às vezes, sentem até uma ponta de inveja.
Mas...reforma dá trabalho. Imagina você ter que
desmontar todas as crenças antigas e ultrapassadas e substituí-las por novas
crenças. Dar nova forma! Ou seja, re-formar...formar de novo...Com certeza vai
levantar muita poeira e um barulho ensurdecedor em seu ego.
Já pensou aqueles velhos pilares do preconceito, da
inveja e da discórdia irem às ruínas. Aquilo tudo que você acreditava desabando
diante de seus olhos. Você poderá ficar sem chão. É mais fácil, menos
trabalhoso, cantar a música da Gabriela “eu nasci assim, eu cresci assim, vou
ser sempre assim”. É mais fácil ignorar a frase de um grande pensador que um
dia escreveu “Se você fizer sempre as mesmas coisas, terá sempre os mesmos
resultados”.
Se sua casa interior está cheirando a mofo e cheia
de cupim, está na hora de reformar-se. Não espere facilidades para isso. Não é
fácil, mas é possível. Muitos conseguiram e deixaram para trás velhos hábitos e
pensamentos retrógrados. Não passe sua vida olhando pelo retrovisor. Tenha um
objetivo.
Quando você reforma uma casa, é porque você já a
visualizou mais bonita no futuro, mais aconchegante e mais saudável. Faça isso
com sua vida. Vislumbre um futuro melhor e mais promissor. Tenha coragem de
enfrentar as turbulências que virão com sua reforma. Quando você decide mudar
muitos parasitas que você considerava “amigos” irão se afastar. São os cupins
traças que habitavam seu porão. No entanto, antes disso, farão de tudo para que
você desista das mudanças. Os parasitas não querem que você mude. Sabe porque?
Porque eles não querem mudar. Têm preguiça e medo de enfrentar a mudança. Logo
querem que você fique ali no chão, no mofo, fazendo companhia para eles. E, se
você “ousar” reformar-se e der certo, os parasitas perceberão o quanto são
fracos e incapazes. E ninguém gosta de sentir assim, não é?! Então...vamos
reformar?!
* Donizete Romon é jornalista e palestrante
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