Pílulas literárias 181
* Por
Eduardo Oliveira Freire
IMAGEM
O mar não me disse em
palavras, mas me comunicou através da imensidão, que sou sua imagem e
semelhança.
@@@
GARGALHADAS
Quando estou perigoso,
a lua sorri para mim. Tranco as janelas e as portas. Mas, ainda ouço as
gargalhadas da lua lunática
@@@
TRÉGUA
Estava cansado de fugir
dos fantasmas, que eram suas lembranças muito antigas. De repente, viu um
passarinho se escondendo da chuva. Distraiu-se um pouco e, sem perceber, teve
trégua.
@@@
DEPOIS DA CHUVA
Maria quando viu que a
chuva parou, foi andar de bicleta. Sozinha, sentiu-se a dona da rua. Mas, um
homem apareceu e a olhou fixamente. Sentiu raiva dele por ter tirado o momento
glorioso que transbordava nela.
O homem quando viu a
menina andando de bicicleta, destemida, lembrou-se de um menino que se fora há
muito tempo. Hoje, o que restou foi um homem perdido no tempo e no espaço. Ao
ver Maria, José desejou ser aquele menino novamente.
@@@
DOENÇA
- Mãe, falta de amor é
doença?
A mãe nem ouviu o
filho. Entretida, enviava uma mensagem para o assassino que mataria seu marido.
@@@
VIZINHA TARADA
Os vizinhos diziam que
ela era ninfomaníaca por causa da morte do noivo.
Sempre alegou que era
fiel a ele, mas todos viam a quantidade absurda de visitas masculinas que recebia.
Na verdade, enxergava o
noivo nos vários homens que se relacionava.
Muitos de seus amantes
relatavam que, quando estavam com ela, sentiam-se como se fossem o noivo morto.
* Formado em Ciências Sociais, especialização
em Jornalismo cultural e aspirante a escritor
Nenhum comentário:
Postar um comentário