O esquecido
* Por
Eduardo Oliveira Freire
- Olá, Antônia!
- Me Conhece?
- Há vinte anos.
- De onde?
- Da escola. Você era
do ginásio e eu, do primário. Sou José.
- Não me lembro de
você.
- É que sou assim,
todos me esquecem.
- Que triste.
- No início ficava, mas
depois percebi certas vantagens.
- Quais?
- De fazer o que bem
entender.
- Quer me transmitir
medo, José?
- Não, só quero amá-la.
-Olha o respeito, sou
uma mulher casada.
- Por favor, Antônia...
Ela cedeu às súplicas
de José. Depois, ele foi embora e Antônia nem se lembrava mais do acontecido.
Voltou a caminhar e a ver as vitrines das lojas.
O único fato que
percebeu, foi que o forte desejo de trair o marido se dissipou em seus
pensamentos.
* Formado em Ciências Sociais, especialização
em Jornalismo cultural e aspirante a escritor
Já tinha acontecido. É a famosa amnésia seletiva. Lembrar apenas do que convém. Restante, melhor esquecer para sempre.
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