sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Pílulas literárias 176

* Por Eduardo Oliveira Freire

NEURA?
Por esses dias, sonhei com um artista famoso. Ele posava para tirar foto e a cada flash, sua pele e carnes iam sendo retiradas até virar uma caveira. Lembrei-me de uma história, não sei se é verdade, que nos primórdios da fotografia muitas pessoas não gostavam de tirar foto, porque achavam que suas almas eram roubadas. Confesso que estou tirando muitas fotos de mim e me sinto cansado. Até um vizinho perguntou se estou doente. Bem... Vou parar um pouco de me fotografar.

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ABSURDO
Carlos tinha um amigo que morava ao lado de casa e sempre viviam juntos. Quando a guerra começou, viu o pai vestido de soldado assassinar se amigo, dizendo: “ VIVA À PÁTRIA.”

Depois disso, sentiu-se tão oco que não conseguiu se relacionar com mais ninguém. Morreu sozinho.

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CONFUSÃO
“Um ator de uma série famosa morreu de overdose. Fiquei curioso, por quê? Era rico e só pegava gostosas. Resolvi falar com um amigo que era fã da série. Ele fez um vídeo falando mal de mim e colocou nas redes sociais. Disse que sou superficial, só porque quero assisti-la devido à morte do ator. Fui falar com ele que não queria ser fã, só estava curioso. Não quis falar comigo e ainda por cima, ameaçou-me com uma faca. Lutei com ele e sem querer o empurrei tão forte que ele caiu com a cabeça na quina da mesa da sala. Morreu na hora. Agora, estou fugindo da polícia. Com certeza, a mãe dele dirá que o matei por gosto. Ela quando o viu caído, começou a gritar e a passar o sangue do filho no rosto dela, depois rasgou a blusa e chupou os próprios seios. Fiquei admirado com seus seios rígidos e exuberantes. Não tenho dinheiro, não seio o que farei. Espera um pouco, tenho um tio que mora com gnomos canibais, que habitam as profundezas da floresta amazônica. Vou para lá até a poeira baixar. “

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INSPIRAÇÃO
Quando papai não tinha mais inspiração para escrever, saía do escritório e ficava mais tempo com a família. Eu adorava esses momentos e rezava para que a inspiração nunca retornasse. Mas, a inspiração veio desenfreada e papai foi consumido por ela. Perdi feio!

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PERCEBEU-SE
A garota com sua cadela caminhavam no campo. Tudo estava tedioso e silencioso. Ao se aproximarem de uma ribanceira encontraram um cadáver de um rapaz. Olhou fixamente, depois correu com a cadela para casa.

Sentiu que um mundo novo e assustador se abria para ela. “ Como pude fazer isso?”. Horas antes, brincava com o primo mais velho e no auge da brincadeira, empurrou-o e ele caiu de uma ribanceira, quebrando a cabeça numa rocha. Ela ficou sem ação e voltou para casa. Tomou um banho e foi almoçar. A tia perguntou por seu filho e ela disse que o primo estava no campo. De tarde, a garota foi passear com a cadela.

Trancou-se no quarto e se olhou no espelho. “ Não foi sonho...”, pensou.

Percebeu-se assassina. Mas, para a cadela, continuava ser sua dona-amiga.

* Eduardo Oliveira Freire é formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense, com Pós Graduação em Jornalismo Cultural na Estácio de Sá e é aspirante a escritor



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