Previsões não passariam
de ficção
Os defensores da tese
de que a Terra estaria enfrentando o início de um processo de mudança
climática, que denominam de “Efeito Estufa”, em vez de demonstrarem que as causas
desse fenômeno estão, de fato, presentes – principalmente a que é decisiva, ou
seja, a inusitada concentração de dióxido de carbono na atmosfera – optam pela
exposição das potenciais conseqüências desse suposto aquecimento global. Óbvio,
elas seriam severas, posto que talvez nem sejam catastróficas. Ademais,
baseados em dados concretos, pode-se afirmar que elas não passam de ficção. E
imaginar todos nós podemos, tanto o suprassumo do positivo, quanto a catástrofe
das catástrofes. Caso o que muitos cientistas afoitos “vendem” como realidade
acontecesse, vários países seriam afetados. Ainda assim, no entanto, suas
populações teriam tempo para se prevenir e se adaptar às novas condições.
Afinal, um processo desse tipo não é
súbito. Ocorre ao longo de décadas, se não de séculos.
Mas, suponhamos que os
níveis de dióxido de carbono estejam mesmo aumentando de forma exponencial e
com inusitada rapidez (o que não está ocorrendo) e que logo chegue, já não digo
o dobro da taxa atual, de 0,03%, mas ao triplo, de 0,09%. E que a temperatura
da Terra aumente dramaticamente, e da noite para o dia, passando da média atual
de 12 graus centígrados para pouco maios do que o dobro, ou seja, para 25 graus
centígrados. Se isso ocorresse, quais seriam as conseqüências, se é que seja
possível projetá-las?
A primeira, e óbvia,
seria o derretimento das geleiras dos pólos e de outras regiões em que se fazem
presentes. E suas águas, sem dúvida, aumentariam bastante o nível dos oceanos,
embora boa parte viesse a se evaporar. Tudo, em termos de clima, seria
diferente. Algumas regiões não receberiam, por anos, reles pingo de chuva,
enquanto em outras tantas ocorreriam tempestades catastróficas e enchentes
dignas da Arca de Noé.
Destaque-se que o recuo
das geleiras, quando a última glaciação chegou ao fim, não foi completo. Foi
apenas parcial. A Groenlândia, por exemplo, maior ilha do mundo, comparável a
um pequeno continente, continua coberta por espessa camada de gelo. Mas... e se
essa calota que a cobre, e a do Pólo Norte, viessem a derreter, o que
aconteceria? Há dados que mostram a redução delas nos últimos cinco anos,
embora vários climatologistas considerem essa diminuição (e garantam) normal e
cíclica. Mas... suponhamos que não seja. Suponhamos que se trate de um dos
primeiros sintomas do tal “Efeito Estufa”.
Vários cientistas
testaram essa hipótese mediante modelo de computador. E obtiveram dados que os
levaram a concluir que, se esse improvável derretimento das geleiras da
Groenlândia e do Pólo Norte estiver ocorrendo, as conseqüências não serão tão
dramáticas (na verdade catastróficas) como supunham antes e como muitos
apregoam. Claro que algumas mudanças, e nenhuma delas favorável, ocorreriam.
Afinal, essas geleiras, somadas, acumulam 2,6 milhões de quilômetros cúbicos de
água em estado sólido. Se esta vazasse para os oceanos, o nível deles subiria
5,5 metros. As cidades baixas seriam submersas, ou seja, destruídas. A perda
dessas áreas utilizáveis, porém, seria compensada com a emersão de outras
tantas, hoje cobertas pelo gelo, principalmente de quase toda a Groenlândia,
das várias ilhas polares e do próprio t6erritório da extensíssima Sibéria, hoje
quase não aproveitado, ou pelo menos subutilizado, dadas suas baixíssimas
temperaturas (o clima, ali, seria ameno e vastíssimas extensões de terra hoje
estéreis, de área equivalente ao Brasil, se tornariam agriculturáveis).
Porém, o problema do
derretimento das geleiras não seria o Pólo Norte, caso isso viesse a ocorrer.
Seria o outro extremo do Planeta, ou seja, o Círculo Polar Antártico e
arredores. E se essa vasta área degelasse, o que ocorreria? Em princípio, é
mister destacar que esse degelo é virtualmente impossível. Desde que a Terra se
formou, os indícios levam à conclusão de que isso jamais aconteceu, em tempo
algum, e por nenhuma razão. As geleiras antárticas sobreviveram a todos os
períodos interglaciais do Planeta e aos seus cíclicos (e vários deles
severíssimos) períodos de aquecimento. Mas... já que se trata de mero exercício
de imaginação, sejamos “sádicos” em nossas suposições. Suponhamos que, não
importa por qual razão, esse cataclísmico derretimento ocorresse. Quais seriam
as conseqüências?
Bem, aí... as coisas
ficariam feias, muito feias para a humanidade. Mas não seria, necessariamente, seu
fim, conforme dados obtidos por modelo de computador. É preciso ter em conta
que noventa por cento do suprimento glacial do Planeta localizam-se exatamente
ma Antártida. A água líquida gerada por esse impensável e apocalíptico
derretimento faria os oceanos da Terra subirem dez vezes mais do que se todo o
gelo da Groenlândia e do Pólo Norte derretesse. Ou seja, alcançaria 55 metros a
mais do que o nível atual. As águas atingiriam, por exemplo, a altura do 18°
andar dos prédios de Nova York. A Flórida e outros Estados do Golfo do México
desapareceriam do mapa. O mesmo iria ocorrer com a Grã-Bretanha, com os Países
Baixos e com o Norte da Alemanha, entre tantos e tantos outros territórios.
Mas... não seria o fim
da vida na Terra. Não necessariamente. E explico porque. Se esse
improbabilíssimo derretimento ocorresse, por alguma razão que a ciência
desconheça, não seria súbito. Seria lento, durando, no mínimo, algumas décadas
e, no máximo, vários séculos. Esse ritmo
permitiria, por conseguinte, uma mudança ordenada, sem pressa e nem atropelos,
das populações das áreas mais baixas para regiões não atingidas pelas
enchentes. É óbvio, como assinalei, que isso traria diversas outras conseqüências
danosas ao clima. Quais? Cada qual que faça seu exercício pessoal de imaginação
e conclua o que poderia acontecer.
Mas nada disso é motivo
para tirar o sono de quem quer que seja. Nada indica, por exemplo, que a média
atual de dióxido de carbono na atmosfera, que é de 0,03%, esteja aumentando,
mesmo que discretamente. Portanto, é improbabilíssimo que o “Efeito Estufa” já
esteja (ou que um dia venha a estar) em andamento. E muito menos que as
geleiras das regiões polares estejam derretendo ou mostrem tendências para
isso. Enfim, cada qual acredita no que quer.
Boa leitura.
O Editor.
Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk
Já li na Veja duas reportagens de capa, extensas e em intervalos relativamente curtos, sendo que a primeira ridicularizava os eco-xiitas e seu efeito estufa, e uma outra, tempos depois, mostrando as evidências de tal efeito e tal aquecimento global. Culpavam inclusive a criação de gado. Esse vai e vem já dura décadas, a ponto de alguns fazerem piada dizendo "esquentamento do planeta". Eu creio nele, porém não estarei aqui para vivenciá-lo.
ResponderExcluirMara, a taxa de dióxido de carbono, que caracteriza o efeito estufa, é rigorosamente a mesma do início do século passado. As águas dos oceanos e as florestas (cada vez mais escassas), principalmente a Amazônia, absorvem os excessos de CO2 gerados pela imensa queima de combustíveis fósseis. Aliás, os vegetais “respiram” gás carbônico, que lhes é benéfico, e expiram oxigênio. O perigo não está, pois, propriamente na poluição do ar, mas no desmatamento. Se este se acentuar, aí sim há risco, e mesmo assim de longuíssimo prazo, da taxa de CO2 aumentar tanto ao ponto de ocasionar o efeito estufa. Mas isso é pouco provável, até porque as reservas mundiais de petróleo estão próximas do esgotamento.
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