A ignorada ameaça dos
vulcões
O relatório “Estudo de
Pesquisa Climatológica Relacionada com problemas de informações”, elaborado por
especialistas em meio ambiente da Universidade de Wisconsin, a pedido da
Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), com a conclusão de
que há evidências de que o Planeta estaria ingressando em nova era “miniglacial”,
foi publicado em 1976. Contradisse, todavia, as opiniões de corrente
(majoritária) de pesquisadores que entende exatamente o contrário, ou seja, que
a Terra está se aquecendo, em vez de esfriar, aquecimento este que seria conseqüência
do chamado “Efeito Estufa”. Quem está certo? Quem está errado? Afinal, ambas
teses conflitantes são de cientistas que entendem da matéria e não meros
palpites de curiosos. Da minha parte, tenho intuição de que há mais
probabilidade da Terra esfriar do que esquentar. Ocorre que, nesta questão, não
vem sendo levada em conta a silenciosa, mas onipresente, ameaça dos vulcões.
Explicarei isso na sequência.
Os dados contidos no
relatório enviado à CIA, óbvio, não contêm referências aos desequilíbrios
climáticos verificados de 1976 até os dias atuais, e que não foram poucos.
Ainda assim, o documento apresenta uma série de argumentos, e de provas (assustadores)
que fundamentam suas conclusões. Destaque-se que a última “Era Neoboreal” é
recentíssima em termos geológicos. Ocorreu entre 1600 e 1850. Se formos
pesquisar dados históricos desse período, notaremos que ele foi caracterizado
por uma infinidade de agitações sociais na maior parte do mundo, por extrema
pobreza da maioria das populações e por uma espécie de cristalização de castas,
ou seja, por profunda divisão de classes.
Em épocas de escassez
de recursos, notadamente do mais importante e indispensável deles, o de
alimentos, as multidões desfavorecidas é que arcam com as conseqüências, com os
ônus decorrentes dessas carências. São ocasiões caracterizadas por
concentrações muito maiores de renda em menos mãos. Isso não é novidade para
ninguém. Nem é necessário ser sociólogo para chegar a essa conclusão. As
chamadas elites ampliam e consolidam seu poder e valem-se de todos os
argumentos e instrumentos possíveis e imagináveis de repressão para
conservarem, quando não ampliarem, seus privilégios. O pobre torna-se miserável
e o rico fica bilionário, ou triliardário, ou sabe-se lá.
A maior aberração
climática da Terra de que se tem registro escrito, ocorreu em 1816. E não se
tratou de nenhum aquecimento do Planeta, mas exatamente o contrário. Foi
descrita pelo (entre outros escritores) bioquímico e autor de ficção científica
russo, naturalizado norte-americano, Isaac Asimov, no livro “Escolha a
catástrofe” que, a despeito do sombrio título, é todo ele um ato de fé na
inteligência e criatividade humana para sobreviver, mesmo que a Terra venha a
ser afetada por possíveis, mas improváveis, cataclismos cósmicos (a maioria dos
quais mais possíveis na teoria do que no terreno das probabilidades).
O mencionado
desequilíbrio climático, o de 1816, teve causa natural, corriqueira até em
nosso Planeta, em permanente transformação. Aconteceu como conseqüência da
impressionante quantidade de cinzas vulcânicas lançadas à estratosfera pela
erupção do vulcão Tambora, situado na atual Indonésia (então colônia
ultramarina da Holanda), ocorrida em 1815. O ano seguinte, foi um período muito
frio, gélido, congelante. Tanto que 1816 passou para a História como o “ano que
não teve verão”. E não teve mesmo. Vários escritores da época registraram esse
súbito e duríssimo esfriamento do Planeta, de trágica memória para as pessoas
pobres (a imensa maioria da população mundial).
Na região da Nova
Inglaterra, nos Estados Unidos, por exemplo, caiu neve pelo menos uma vez por
mês, nos doze meses do ano, inclusive em julho e agosto, época de Verão no
Hemisfério Norte, quando os termômetros usualmente registram temperaturas acima
dos 30 graus centígrados. A agricultura, óbvio, foi diretamente afetada. Na
verdade, foi arrasada. As principais safras dos centros produtores de alimentos
foram totalmente frustradas e não tardou, claro, para que se instalasse a fome
em diversas partes do mundo. Por isso, 1816 ficou conhecido, também, como o “Ano
da Pobreza”. Para o historiador John D. Post, esse caótico período constituiu a
“última grande crise na subsistência” notadamente no mundo ocidental. E tudo
isso ocorreu principalmente (mas não somente) em decorrência da erupção de um
único vulcão! É certo que ela se combinou com rara atividade solar anormal (o que,
embora incomum, se verifica com relativa freqüência). Mas a causa principal foi
a inusitada atividade do Tambora.
Ocorre que há cerca de
1600 vulcões potencialmente ativos no mundo. A cada ano, cerca de 70 entram em
erupção. Vocês já imaginaram se, já não digo a totalidade, mas, digamos, 500
deles entrassem, simultaneamente, em atividade?! Não é uma situação usual,
todavia, também não é impossível. Se isso viesse a ocorrer, as cinzas
vulcânicas impediriam que os raios solares chegassem até nós e não apenas por
um ano ou por dois, mas por décadas. A agricultura se tornaria impossível e a
vida na Terra... se não viesse a desaparecer por completo (o que seria muito
provável) se transformaria em um pesadelo inigualável. Portanto, mesmo sem
desprezar a tese dos que nos alertam para um possível “Efeito Estufa”, que
estaria em andamento e esquentaria bastante o Planeta, temo muito mais seu
esfriamento, por ser, potencialmente, muito mais provável, dada a ignorada
ameaça silenciosa dos vulcões. Ou vocês acham que não?!!
Boa leitura.
O Editor
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Tudo é possível no planeta Terra, muito instável em suas faces, e ainda mais a ultra-instável população que nela habita, juntamento com seus maus-feitos.
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