Replicante
* Por
Alberto Cohen
Por
incrível que pareça, ainda estou aqui.
Pálido,
disforme, transparente,
escondido
nos becos e vielas,
soluçando
um sorriso e um palavrão,
mas,
inexplicavelmente, ainda estou aqui.
Sobrevivente
de mim, sobrevivente
de
tudo que sonhei e que não fiz,
gritando
olás que ninguém mais escuta,
desmesuradamente
além do tempo estou aqui.
Sou
menino, juro sou menino
que
não conhece vias transversais,
ao
mesmo tempo um fantasma que não sabe
e
se ocultou com medo de morrer.
Das
minhas ruas não conheço o novo nome,
nem
consigo meu nome soletrar,
faço
caretas, pulo e me disfarço
tentando
ser igual aos desiguais.
Os
olhos não me vêem e, no entanto,
enxergo
todos neste mesmo olhar
enternecido
com folhas que caem,
com
borboletas e com verbo amar.
Estou
bem aqui, você que passa
e
não me vê na minha transparência,
já
sou de ontem, mas de forma incrível,
invisível,
ainda estou aqui... Possivelmente...
-
Poeta e advogado de Belém/PA
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