Duña explica
* Por
Marcelo Sguassábia
Abandonando o pedestal onde merecidamente repousa sobre louros, Mestre
Duña, num assomo de humildade, se nivelou a nós mortais para dissecar alguns
enigmas que há muito intrigam a alma humana.
Frases, comentários ou mesmo interjeições jocosas desse Aristóteles moderno transformavam-se instantaneamente em citações, máximas, enunciados, fórmulas e teoremas. Tais aforismos saíam desgovernadamente de seus lábios, ora em golfadas, ora aos borbotões, mas sempre com a chancela singular de quem é Doutor Honoris Causa pelas Universidades de Harvard, Oxford e Unip.
No intuito de testemunhar o inusitado torvelinho cultural, repórteres da BBC e da National Geographic, PHDs, filósofos e cientistas de todas as vertentes do conhecimento se espremeram por três dias defronte à choupana duñesca, alvo de peregrinação de muçulmanos e católicos, budistas e neo-pentecostais.
As aparições do Mestre se sucediam em intervalos regulares, à janela do seu quarto, onde o Iluminado se apresentava invariavelmente trajando sua túnica de lantejoulas cor de abóbora e azul celeste, a postos para dar vazão à sua cornucópia de saber.
Vamos agora a alguns excertos dessas 72 horas de bem-aventuranças.
Lan House
Trata-se somente de um nome afrescalhado para a conhecida loja de
armarinhos e aviamentos, tão familiar às nossas prendadas titias e avós.
Galeorrinídeos
Mestre Duña relutou em elucidar esta questão, julgando-a por demais
óbvia. Afinal, sentenciou o guru, quem não sabe que os galeorrinídeos pertencem
à família de peixes elasmobrânquios precisa de cola para passar no exame
psicotécnico.
Batatinha quando nasce
Obra basilar na formação poética de Drummond, trata-se de um divisor de
águas da lírica em língua portuguesa. Recentemente Duña deu à lume um ensaio
definitivo sobre o assunto, dele resultando um alfarrábio de 800 páginas que se
detém sobre os sentidos recônditos dessa estrofe de quatro versos,
aparentemente boçal e despretensiosa.
Garrida
A origem etimológica do termo é um tanto obscura, e se perde em tempos
imemoriais. Tão imemoriais que, quando incluído no Hino Nacional, o vocábulo já
era arcaico. Esse imemorialismo latente talvez explique porque tanta gente não
se lembre da letra ao entoá-lo.
Maxilar
Grande loja de dois pavimentos localizada em Paraiponga, especializada
em utilidades domésticas.
“O espelho da vida é a sombra do infinito”
Grafado no courvin da poltrona de um buzunga da Cometa, entre aspas mas
sem crédito ao autor, Mestre Duña afirma que este paradoxo há 28 anos vem
roubando o seu sono, no vão esforço de decifrá-lo. Se alguém sobre ele for
capaz de lançar luz, que entre sem demora em contato pelo e-mail: msguassabia@yahoo.com.br
* Marcelo Sguassábia é
redator publicitário. Blogs: WWW.consoantesreticentes.blogspot.com
(Crônicas e Contos) e WWW.letraeme.blogspot.com
(portfólio).
Prefiro ficar com algo mais simples e menos retumbante, uma singela frase que estava escrita no meu primeiro quadro negro/verde, conhecido como lousa entre os paulistas:" O Estudo é a luz da vida". Como o Grande Mestre Duña explicaria isso a uma criança de sete anos?
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