domingo, 5 de agosto de 2012




• Por Edgar Allan Poe

Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.

Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.

Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alteava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos.

Tradução de Oscar Mendes

• Poeta, editor, crítico literário e contista, criador dos contos policiais e de mistério e terror

Um comentário:

  1. "Tudo que amei, amei sozinho". É a glória. Nos tempos que correm, tudo que se ama, tem-se de dividir com um batalhão. O mundo mudou muito desde então.

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