Despiste
* Por
Rodrigo Ramazzini
- Alô...
- Oi amor!
- Pode falar agora,
Carlos Alberto?
- Ai ai ai! Com esse
tom de voz, estou vendo tudo... O que foi dessa vez, Renata?
- Precisamos
conversar.
- Fala...
- Pessoalmente é
melhor.
- Sobre o que seria?
Qual assunto?
- O de sempre: nós!
Nossa relação...
- Mais
especificamente?
- Já disse! É melhor
pessoalmente.
- Espera eu chegar em
casa e conversamos. Pode ser?
- Não! Não quero
discutir na frente das crianças... Vamos a outro lugar.
- Quem disse que vamos
discutir?
- Com certeza vamos,
Carlos Alberto!
- Não sei! A coisa é
tão séria assim?
- Pode acreditar que
sim!
- Me adianta o assunto
pelo menos... O motivo...
- Tanto faz tu saberes
agora ou não, Carlos Alberto! A tua atitude será como nas anteriores: negar!
Negar! E negar mais uma vez! Mas dessa vez vai ser diferente...
- Ah, não! Meu Deus!
Eu não acredito! É o que estou pensando?
- A consciência já
pesou foi?
- Essa história de
novo, Renata?
- Não falei! Já
começou a negar...
- Renata! Quantas
vezes... Putz! Quantas vezes eu já te disse que não tenho uma amante, hein?
- Desta vez te viram
saindo do motel, Carlos Alberto!
- Me viram! Quem?
Posso saber?
- Lógico que eu não
vou dizer!
- Está mentindo,
Renata!
- Não me irrita,
Carlos Alberto! Não me irrita mais do que eu já estou... Estou louca para voar
nesta tua cara!
- Calma! Como vamos
sair para conversar contigo nervosa deste jeito?
- Está certo! Está
certo! Por incrível que pareça...
- Mas eu não tenho uma
amante, viu?
- Depois nós
conversamos sobre isso, Carlos Alberto! Eu não vou me alongar mais nessa
ligação... Me encontre naquele restaurante perto da praça central depois das
nove. Pode ser? Já avisei a empregada para ficar com as crianças...
- Pode ser! Eu vou
ficar um pouco mais tarde aqui na empresa mesmo. Daí irei direto pra lá...
- Combinado então! Até
lá. Tchau!
- Tchau!
Encerrada a ligação,
Carlos Alberto no escritório comenta com um colega:
- Renata no telefone.
Desconfiada de novo que tenho uma amante. Ciumenta que só ela! Vamos conversar
em um restaurante depois do expediente. Mas com certeza vai ser igual as outras
vezes. Conversamos um tempo e acabamos na cama. Por incrível que pareça, nestas
crises de ciúmes é que me sinto amado!
- Com amante! Logo tu,
Carlos Alberto? Sério desse jeito... Se fosse eu tudo bem! Mas tu não!
- Pois é, meu amigo!
Mulheres! Quem entende...
Simultaneamente,
Renata no carro com o amante, verifica as horas e diz:
- Pronto! Temos até ás
21h...
* Jornalista e contista
gaúcho
Fogo trocado, dizem que não dói, porém pode doer dobrado.
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