* Por Suzana
Vargas
O
sonho vela e o escuro é real
E o real é essa onça é esse sol
E o real é essa onça é esse sol
É
mais real que as grades, que a comida
Do carcereiro, é mais real que a vida.
Do carcereiro, é mais real que a vida.
Com
a sua avidez adormecida
A onça sonha, mas não sonha em vão
A onça sonha, mas não sonha em vão
Em
vão vai quem se prende à realidade
E imagina ser livre sem as grades.
E imagina ser livre sem as grades.
Na
verdade uma paixão nos prende a tudo
E mesmo cegos surdos mudos continuamos.
E mesmo cegos surdos mudos continuamos.
Mas
pensemos na onça em sua cela
no seu sono velado à luz do dia
no seu sono velado à luz do dia
Que
a obriga a dormir com seus limites:
o cheiro, a cor, ruídos rutilantes
o cheiro, a cor, ruídos rutilantes
(instintos
e capim e terra e ar)
Por que imaginarmos diferente
Se o limite da onça é sonhar?
Se o limite da onça é sonhar?
* Poetisa gaúcha, radicada no Rio de
Janeiro, autora de literatura infantil e ensaísta. Tem 16 livros publicados,
entre os quais “Sombras chinesas” , “Caderno de Outono” (indicado ao Prêmio
Jabuti) e “O amor é vermelho”.
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